Verdades que precisam ser ditas


“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”

(Jesus de Nazaré)

Arnaldo Mourthé

Todos nós temos nossas verdades. Acreditamos em algumas coisas, em outras não. Assim vamos construindo nossos destinos, vivendo nossas vidas. Quase todos nós somos ciosos do que fazemos. Muitas vezes isso nos custa muito sacrifício, mas nos mantemos firmes. Temos nossos valores, nossos princípios morais e éticos, e procuramos aplicá-los, nem sempre com facilidade. A vida é dura, costuma-se dizer, e muitas vezes nos surpreende. Nem estamos falando ainda dos nossos dias atuais, cheios de surpresas, quase todas inusitadas, extravagantes, por vezes perversas, como ocorre hoje no Brasil e em muitas outras partes do Planeta. É sobre isso que temos algumas verdades a dizer, porque elas precisam ser ditas.

Verdade I: A espécie humana ainda existe porque tem discernimento. Nós pensamos, criamos coisas e as usamos em nosso benefício, sobrepujando as outras espécies e alterando nosso meio ambiente. Do contrário ela teria sido extinta, há muito tempo.

Verdade II: Para sua sobrevivência o homem criou utensílios, que usa para seu conforto, e armas para a caça, primitivamente, e para se defender.

Verdade III: Esses utensílios e armas de caça permitiram que sua produtividade crescesse e com ela também sua população. Formaram-se aldeias e cidades, o início da civilização.

Verdade IV: O excedente de produção resultante de sua criatividade e de seu trabalho ofereceu ao homem outras oportunidades. Nasceu a civilização. Com ela os conflitos entre comunidades foram potencializados, dando origem a impérios, que se expandiram: os eventualmente mais fortes dominaram os eventualmente mais fracos. E assim foi por alguns milênios.

Verdade V: A civilização, e tudo que ela criou para o bem ou para o mal, é resultado do aumento de produtividade do trabalho humano. Inicialmente com seus utensílios e armas, depois com instrumentos e dispositivos mais elaborados e o desenvolvimento da agricultura, especialmente pela irrigação.

Verdade VI: Aos trancos e barrancos a civilização se desenvolveu aumentando cada vez mais sua produtividade, mas também fazendo guerras para dominar e explorar outros homens. Tudo em função da apropriação dos excedentes de produção dos povos dominados. Tudo isso a história registra. Os que a conhecem sabem disso.

Verdade VII: Todo esse processo de guerras de dominação cria impérios, mas também os destrói por várias razões: suas contradições internas e a resistência dos povos dominados. Até aqui não há novidade para aqueles que conhecem a história.

Verdade VIII: Houve um império teocrático que dominou toda a Europa e parte da África e do Oriente Médio, que é conhecido por Idade Média. Ele se desfez por suas contradições internas e seus conflitos com outro império teocrático que eles chamavam de Sarraceno.

Verdade IX: Do colapso da Idade Média, surgiu um embrião de um sistema econômico no qual a apropriação do excedente de produção da sociedade era feita por poucos. Essa apropriação se fez, e se faz, através do dinheiro obtido da venda dos produtos, por quem dominava o processo produtivo, sob sua forma monetária, o capital. Esse é o sistema capitalista que vigora até hoje, em grande parte do mundo.

Verdade X: O sistema capitalista difere de todos os outros pela apropriação privada do excedente de produção. Na antiguidade essa apropriação era pública, feita pelos poderes, tribais, das cidades e dos estados, alguns deles impérios. Ele era aplicado na sustentação dos chefes, das nobrezas, dos sacerdotes, do aparato do Estado, funcionários e militares, e para a construção da infraestrutura de produção e de defesa, de palácios e templos.

Verdade XI: Naquelas civilizações não havia crises econômicas como as que temos hoje. Havia crises, mas produzidas por disputas de poder, por guerras entre nações, por cataclismos naturais, por esgotamento do solo, reduzindo a produção e gerando a fome.

Verdade XII: Com o capitalismo e o avanço da tecnologia, e o aumento exponencial da produção e de seu excedente – aquilo que não é consumido por aqueles o produz – surgiram as crises econômicas. As soluções encontradas para elas era a expansão do mercado ou o financiamento ao consumidor. O primeiro gerou conflitos entre nações. O segundo o endividamento e a inadimplência.

Verdade XIII: A expansão do mercado gerou também o colonialismo. O financiamento, seguido da inadimplência gerou a crise financeira. A solução passou a ser a guerra. Desde 1914 todas as guerras foram consequências da contradição principal do sistema capitalista: a apropriação privada do excedente de produção.

Verdade XIV: Houve uma tentativa de encontrar outra forma de consumir os excedentes: sua aplicação na produção de coisas não vendáveis, não destinadas ao mercado, as “não mercadorias”. A primeira tentativa foi de Roosevelt, com o seu New Deal, idealizado pelo financista inglês Keynes. Mas isso gerou o endividamento excessivo do Estado, que arcou com todas as despesas. Daí surgiu a grande dívida pública americana.

Verdade XV: A solução keynesiana não impediu a Segunda Grande Guerra, a maior catástrofe da humanidade. Muitas são as alegações para suas causas, mas elas só explicam o como ela ocorreu, não o porquê. Em consequência dessa guerra surgiu a bomba nuclear, usada contra Hiroshima e Nagasaki. Depois disso houve a corrida nuclear e a difusão das bombas. Uma nova guerra seria o fim civilização, senão da humanidade.

Verdade XVI: Diante dos sinais de nova crise, nos anos 60, os governos americano e inglês associados aos sistemas financeiros dos dois países, arquitetaram um novo sistema que permitisse a superação da crise. Daí surgiu a globalização e sua doutrina econômica, o neoliberalismo, que outra coisa não é que o liberalismo primitivo, requentado. Neste, a liberdade só é reconhecida para o capitalista, que submetia o trabalhador a condições de trabalho desumanas em uma jornada de 16 horas. Na propaganda neoliberal, a figura do capitalista é substituída pela do capital. A tese é a da total liberdade do capital, sem respeito às fronteiras nacionais, que defendem não apenas o território nacional, mas os cidadãos que formam com ele a Nação.

Verdade XVII: O neoliberalismo é o sistema do dinheiro sem lastro e do lucro sem produção de mercadoria, como é o caso dos juros da dívida pública. Para implantá-lo é preciso eliminar o sistema republicano e a cidadania que o sustenta. É preciso desmontar o Estado. Se não deve haver cidadania, para que serviria o Estado, que regula a sociedade e defende o cidadão, fonte da soberania nacional. Esta também deixa de existir.

Verdade XVIII: Para o projeto do grande capital, que quer controlar o mundo, o Estado republicano torna-se uma excrescência. Melhor será uma tirania. É o que estão construindo no Brasil, através da corrupção.

Verdade XIX: A corrupção não é apenas de parlamentares, que tentam destruir o Estado Republicano, com suas “reformas”, todas contra a população e contra a Nação. Ela é mais geral. Sua ação mais constrangedora é em relação à imprensa. Não mais existe imprensa livre no Brasil. Toda a grande imprensa é financiada pelos invasores estrangeiros do capital financeiro. Os poucos veículos independentes são locais ou vivem na penúria financeira. Não resistirão por muito tempo. A imprensa tornou-se um instrumento de alienação a serviço de seus anunciantes, controlados pelo capital financeiro internacional. Se há quem duvide disso preste atenção aos anunciantes dos grandes jornais televisivos.

Verdade XX: Essa é a verdade sobre os métodos de dominação, que incluem a nossa mente e a nossa vontade. Mas isso eu deixo para o linguista americano Noam Chomsky, através de seu vídeo no you tube: “As 10 estratégias de manutenção das massas”.

Chegou a hora de pensar. Usemos as faculdades que Deus nos deu, o livre arbítrio e o discernimento. Com certeza não nos arrependeremos.

Rio de Janeiro, 19/01/2018.

Um comentário

cleuza vicente

essa lucidez é necessária, e ela só se faz através do conhecimento, é preciso conhecer a verdade histórica para se libertar dessas estruturas de escravidão e dominação. vcs estão fazendo sua parte e nós outros, eu pergunto, o que podemos fazer?

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