Arquivos de agosto, 2017

17, agosto 2017 9:17
Por admin

Estaremos no Pavilhão Verde no Estande EL3.

Aguardamos vocês!!!!

16, agosto 2017 8:25
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Na beira do abismo

Arnaldo Mourthé

            O Ministro da Fazenda se apresentou ontem na televisão, com pompa e circunstância, para informar sobre o aumento do déficit do orçamento da União para este ano. São mais 20 bilhões de reais a serem acrescentados aos 139 bilhões já previstos. Ele passa, assim, a ser de 159 bilhões, valor a ser acrescido à dívida pública federal, já impagável, de mais de três trilhões de reais. Esta torna o povo brasileiro escravo de um compromisso que não assumiu e do qual nada usufruiu.  Com isso sobem os juros a ser pagos no próximo ano, que já consomem cerca de 50% do orçamento da União. Essa é a razão pela qual falta dinheiro para tudo, para a saúde, para a educação, para pagar o funcionalismo e para os investimentos essenciais ao bom funcionamento da sociedade e da economia.

Quando ainda criança, eu ouvia dizer, em momentos de dificuldades diversas, em especial quando os preços dos produtos essenciais subiam no armazém, que o Brasil estava a beira do abismo. Mas, ao lado do pessimismo que gerava essa expressão, havia a contrapartida bem humorada de dizer que não havia abismo tão grande que coubesse o Brasil.

O tempo passou e junto com ele as idas e vindas das condições das pessoas e do seu humor. Até que, naquele tempo de minhas infância e adolescência, as coisas se  acomodavam de uma forma aparentemente natural. As escolas se multiplicavam e o nível cultural das pessoas ia subindo. O país se industrializava e as oportunidades de trabalho se diversificavam e aparentemente ganhava-se em qualidade de vida. Mas nem em todos os aspectos. Também ocorria uma urbanização acelerada sem os devidos cuidados de quem parece não saber bem o que fazer e como fazer. Mas tudo em um ritmo que permitiria no futuro, na medida de novos conhecimentos adquiridos, consertar os erros reduzindo suas consequências.

Mas veio o tempo do Brasil grande, apregoado pelos militares. Tudo precisava ser grande a qualquer custo. O ministro Delfin amenizava as consequências de sua política anti-social, de arrocho salarial, com outra expressão de marqueteiro: é preciso fazer crescer o bolo para depois dividi-lo com todos. De engodo em engodo, não sem uma brutal repressão para frear os mais ousados, foi-se levando o Brasil, cada vez mais próximo do abismo tão temido por nossos antepassados.

O projeto dos militares não deu certo. Criaram mais problemas que soluções. Permitiram a intromissão de potências e corporações estrangeiras nos nossos assuntos internos. Mas a população, que conheceu o lado repressivo da ditadura, não chegou a perceber que o seu fim não seria uma solução para o caminho tortuoso pelo qual empurravam o Brasil. A chamada Nova República, não era nova, nem República, mas um arremedo de democracia de fachada para um projeto maior de espoliação do Brasil. Montou-se um sistema partidário e de financiamento das eleições que afunilava o acesso ao Congresso dos que defendiam os direitos do cidadão. Formou-se um poder corrompido, que só poderia servir a quem pode corromper. Aquele que dispõe de dinheiro ou poder político. As coisas foram se ajeitando a favor de elites inescrupulosas e seus sócios estrangeiros, donos do grande capital.

Um esnobe senhor, com ar de nobreza, título universitário e conhecido com FHC, assumiu o poder como um barão do café, com soberba e desprezo pelo país e seu povo. Sua tese era a da dependência: desenvolver o capitalismo dependente das nações metropolitanas. Uma forma nova de colonialismo ensinado pelos neoliberais, com o título de globalização.

A partir daí foi a festa do investidor estrangeiro. Para afagá-los foi elaborado um modelo econômico que oferecia todos os favores ao capital estrangeiro, inclusive o endividamento público, com juros muito acima do razoável, para permitir a entrada de capitais especulativos, gerando divisas para a exportação de juros e lucros das multinacionais.

A população reagiu e elegeu o candidato da oposição, Lula. Mas esse e seu partido caíram em tentação, diante de um poder jamais visto por eles, e mantiveram o modelo suicida de FHC. O caos que daí decorreu todos nós conhecemos e amargamos hoje. Lula e sua sucessora, Dilma, serviram de bode expiatório para todos os desmandos que vinham sendo construídos e praticados ao longo de décadas, nos moldes modernos, e séculos sob o colonialismo e o escravismo.

Hoje temos no poder um governo que representa a culminância desse processo perverso, o Governo das Trevas. Este sabe muito bem da gravíssima situação do país e administra a sua liquidação, se é que seja possível.

Voltando à metáfora do abismo, podemos considerar que eles acreditam que não há abismo tão grande que caiba o Brasil. Só que eles têm um abismo pela frente. Seu projeto além de macabro é inviável, está condenado à morte. Mas na sua loucura, ou desespero, devem estar imaginando usar o Brasil para aterrar o abismo que seria menor do que ele. Nesse caso ainda sobraria um pedaço do nosso país para o usufruto da elite perversa que assaltou o poder. São impostores, capazes de trocar o Brasil por sua salvação, no caso, talvez, uma gorda conta bancária em algum dos bancos que sugam nosso dinheiro através da dívida pública. A sua intenção pode ser representada pelo apelo do rei impostor inglês Ricardo III, “Meu reino por um cavalo”

Se há um abismo, quem cairá nele serão eles, os representantes da elite calhorda que os apoia. Quanto ao Brasil será uma poderosa, livre e justa nação, exemplo para o mundo. Quem viver verá!

Rio de Janeiro, 16/8/2017.

04, agosto 2017 3:14
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Após a Primeira Guerra Mundial, o embate social

Arnaldo Mourthé

            Em 1917 o desânimo que afetava as populações dos países em conflito já era enorme. As baixas nas tropas atingiam a todas as famílias, com seus milhões de mortos e feridos. Os esforços de guerra eram desesperados. As mulheres foram mobilizadas para atender à produção e aos feridos, o que lhes daria força política para conquistar direitos civis. O uso maciço dos canhões destruiu tudo em torno das frentes de combate, praticamente imóveis. A destruição da região das linhas de defesa foi total, especialmente pequenas cidades, fortes e fortalezas. No campo político o desânimo se transformou em revolta. As organizações socialistas e comunistas, que defendiam os trabalhadores, identificaram a guerra como de interesse capitalista e não das nações em conflito.

Na França, durante os meses maio e junho, houve diversas greves com grandes manifestações que chegavam a reunir 100 mil pessoas. A reivindicação principal era o combate ao custo de vida que havia subido enormemente. O consumo das tropas não deixava grande coisa para o comércio corrente, e os preços subiam além da capacidade de compra do operário. Por causa disso os governos caiam. Na Inglaterra, ocorreram grandes greves, mas sem mudanças políticas. O gabinete de Lloyd George manteve-se. Na Itália, em agosto, ocorreram revoltas que pediam a neutralidade do país. Na Alemanha, 125 mil operários das indústrias de munição entraram em greve, e houve motins de marinheiros. Na Áustria esgotada, o próprio imperador Carlos I tenta negociações secretas para pôr fim à guerra, mas é malsucedido. O núncio apostólico em Munique, monsenhor Pacelli, mais tarde papa Pio XII, vai ao papa Bento XV em prol de uma mediação da Santa Sé para buscar o fim da guerra.

Mas o impacto maior ocorreu na Rússia. O descontentamento geral criou condições favoráveis para a vitória da Revolução de Outubro, (ocorrida em 17 de novembro de 1917, conforme o calendário gregoriano), com a queda do czarismo. Em 15 de dezembro a Rússia decide unilateralmente pela paz, o que seria mais tarde ratificado pelo tratado de Brest-Litovsk. A Alemanha poderia reforçar a frente oeste com seus 700 mil soldados da frente leste.

As classes dominantes, em todos os países, careciam da confiança da população. Mas os EUA estavam intactos. Sua economia esbanjava vigor. Nada do seu país fora destruído. As perdas humanas foram relativamente pequenas. Numa guerra onde os principais protagonistas foram destroçados, a presença americana fez a diferença. Naquele momento eles eram vistos como os campeões da paz, que eles teriam trazido para uma combalida Europa. Esta precisaria ser reconstruída e para isso os EUA seriam fundamentais.

Nessas condições o presidente Wilson pôde ditar os princípios do Tratado de Versalhes, que deu fim oficial ao conflito e definiu a política com a qual a Europa se comprometeria a partir de então. Tudo foi feito nos termos dos Quatorze Pontos do discurso que ele fez no Congresso americano em 8 de janeiro de 1918. Ali estavam expressos os princípios do liberalismo que deveriam nortear a política internacional nas próximas duas décadas. Entre eles destacamos: liberdade dos mares; abolição das barreiras econômicas entre os países; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas. E mais, a demolição do Império Austro-Húngaro, assim como a do Império Otomano, e a independência dos países deles dependentes, e, por fim, a criação da Liga das Nações. Numa só tacada, os EUA retiraram da Inglaterra qualquer presunção de hegemonia sobre a navegação, abriram para si os mercados da Europa industrializada e dos novos países independentes.

Eles, que já haviam superado a produção industrial inglesa, na primeira década do século XX, passaram a exercer uma liderança mundial incontestável nos planos diplomático e econômico. Mas, no seu discurso dos Quatorze Pontos, o presidente Wilson não tratou das causas da guerra, a posse desproporcional dos territórios coloniais em relação às economias das nações europeias. Não faltavam, portanto, motivos para uma nova guerra que viria em futuro próximo. A Conferência de Paz que deu origem ao tratado foi conduzida por Georges Clemenceau (1841-1929), presidente do Conselho de Ministros francês e pelo presidente Wilson. Dessa conferência a Alemanha e a Rússia não participaram, mas apenas os países vencedores. À Alemanha foi imposta uma indenização de guerra para cobrir todos os prejuízos de seus inimigos. O economista e financista inglês John Maynard Keynes (1883-1946), que participava da Conferência como delegado, ao lado do ministro inglês Lloyd George (1863-1945), opôs-se aos termos da indenização por sua inviabilidade, mas foi desconsiderado e retirou-se da reunião. Suas razões foram expostas no documento As consequências econômicas da paz, de 1919.

Keynes sabia que a guerra já não era mais um jogo de vontades. Ela se tornara um remédio amargo para o tratamento da contradição principal do sistema capitalista, a diferença entre os recursos aplicados pelo capitalista na produção e o preço das mercadorias produzidas. Ou seja, o lucro entesourado pelo capitalista, que gera estoques de mercadorias sem mercado. Os fatos históricos viriam comprovar que ele tinha razão: a crise de 1929; a revolta contra as imposições do Tratado de Versalhes aos alemães; a ascensão do nazismo ao poder; e a Segunda Guerra Mundial.

Na Inglaterra o clamor da população, que tanto sacrifício fez durante a guerra, levou-a a conquistar o sufrágio universal em 1918, a partir dos 21 anos para os homens e de 30 anos para as mulheres. Em 1928 as mulheres ganharam também o direito de votar aos 21 anos.

Desde 1919 as greves se multiplicaram, o que obrigou o governo a criar o seguro-desemprego em 1920. Em 1922 foi fundado o sindicato dos trabalhadores dos transportes. Em 1924 os trabalhistas, Labour Party, assumem o poder e levam a Inglaterra a reconhecer a URRS. Mas, onze meses depois, os trabalhistas perdem as eleições para os conservadores e Stanley Baldwin torna-se primeiro-ministro. Ele fez uma reforma monetária para restabelecer o padrão ouro para a libra esterlina, em 1925, elevou os preços dos produtos de exportação e também o desemprego. Em 1926, ocorre a greve geral dos trabalhadores. Em 1929 o Labour Party retorna ao poder com a crise econômica.

Os danos sofridos pela França foram maiores que os da Inglaterra. Ela teve 1.380.000 soldados mortos, dez por cento dos homens em idade de combater, e 4.270.000 feridos. Entretanto, a conquista territorial da Alsácia e Lorena consolou a população. Sua economia manteve-se estável, diferentemente do ocorrido na Inglaterra, e passou a crescer a partir de 1920. A força da agricultura foi decisiva para sua recuperação mais rápida. Mas no plano político a instabilidade foi muito grande. Entre 1918 e 1940, o governo francês mudou 42 vezes. O Tratado de Locarno, de 1925, garantiu as novas fronteiras da França, mas os franceses desconfiavam da recuperação econômica alemã e temiam uma nova invasão. Para aumentar sua segurança foi projetado um monumental sistema de defesa na fronteira dos dois países, a Linha Maginot. Sua construção começou em 1929 e terminou em 1936. Entretanto, por razões diplomáticas, essas defesas não cobriam a fronteira com a Bélgica, o que viria a ser desastroso quando da nova guerra de 1939.

Logo após a guerra a situação na Europa continental era caótica. Mas a reconstrução da Europa, apesar das frustrações dos perdedores, criou otimismo na população. A situação da Alemanha melhora a partir de 1924 e ela restabelece as boas relações com os países vizinhos.  Em reação às mágoas da guerra produz uma explosão artística no cinema com Fritz Lang e Marlene Dietrich. No teatro aparece a primeira peça de Bertold Brecht. O movimento expressionista se manifesta poderoso na pintura. Berlim concorre com Viena e se coloca como principal centro cultural Europeu. A revolução bolchevista também influenciou nesse processo. A simpatia pelo socialista aumentava e os comunistas se fortaleceram.

No Brasil também houve muitas mudanças, mesmo distante do cenário da guerra. Os trabalhadores já havia mostrado sua força na Greve Geral de 1917. Os industriais já se incomodavam com o poder dos barões do café. A movimentação na área política influenciara na formação de partidos de esquerda, contra a pressão social discriminatória e repressiva. Ocorreram revoltas militares importantes, como os Dezoito do Forte, em Copacabana, e a Coluna Prestes, que percorreu milhares de quilômetros no interior do Brasil. Os intelectuais de vanguarda realizaram a Semana de Arte Moderna em São Paulo, ali no principal centro de poder dos barões do café.

Mas falou mais alto a realidade econômica. Os conservadores voltaram ao poder com força na Europa. Nos Estados Unidos um boom de desenvolvimento gerou grande euforia. Mas tudo isso iria durar pouco. A prosperidade dos anos dourados daquela década terminaria com uma brutal crise econômica em 1929.

Rio de Janeiro, 03/8/2017.

 

 

 

02, agosto 2017 4:43
Por admin

Artimanha perigosa do Impostor

Arnaldo Mourthé

            Assistimos hoje na televisão uma cena de soldados do exército parando caminhões de carga na Avenida Brasil, para revista. Segundo o noticiário, tratava-se de ação de controle à procura de armas de uso exclusivo das forças armadas, que abasteceriam o crime organizado no Rio de Janeiro. Esperamos que seja para o bem da sociedade, como mencionou o apresentador do noticiário.

Essa ação está inserida no acordo entre governo do Estado e a União para combater o crime organizado, com o suporte das Forças Armadas. Segundo o Ministro da Defesa seria uma colaboração de “inteligência” para descobrir as origens das armas e os arsenais clandestinos. Se o crime organizado usa armas pesadas, de uso exclusivo das Forças Armadas, nada mais justo que elas cuidem dessa questão.  Mas precisariam elas de um acordo formal entre União e Estado para cumprir essas tarefas? Evidentemente que não. Basta o Ministro determinar que elas sejam executadas. Tudo indica, portanto, que o acordo vai mais além da questão do crime organizado e suas armas ilegais.

Tramita na Câmara de Deputados um pedido de autorização do Supremo Tribunal Federal para processar o Presidente, por crimes praticados no exercício do poder. Há uma grande movimentação do governo e de seus acólitos para evitar a aprovação da investigação, embora sejam necessários apenas 172 votos, um terço mais um, dos 513 deputados federais, para parar a investigação. Seria fácil para um governo que teve maioria para aprovar a Reformas  da CLT. Acontece que uma pesquisa de opinião da semana passada mostrou que 81% dos entrevistados é a favor da sua continuidade, e que apenas 5% apoiam seu governo. Esse dado nos indica a fragilidade do governo, não apenas na opinião pública, como no próprio Congresso Nacional, apesar das benesses concedidas a deputados e senadores por seu apoio.

A administração pública, nos Estados e na União, está caótica. Funcionário sem receber salários, entidades sem recursos para suas atividades, prédios caindo aos pedaços, pessoas morrendo na porta de hospitais por falta de assistência médica, a educação pública na maior precariedade, a infraestrutura de transportes deteriorada, quatorze milhões de desempregados e outro tanto de subempregados. A fome e a morte batem à porta de dezenas de milhões de brasileiros. Essa situação não é normal e nunca ocorreu no país tamanha calamidade. Por muito menos o povo foi para as ruas exigir providência do governo, ou para pedir seu fim. Foi isso que aconteceu nos impeachments de Collor e de Dilma. Não me cabe especular sobre o porquê de não ter havido algo parecido para a saída de Temer. São mistérios da política, ou falta de perspectiva sobre a sua substituição. Não há grande coisa a escolher para governar o País, onde os poderes Legislativo e Executivo caíram no descrédito pelos desmandos e pela corrupção, e os discursos políticos tornaram-se vazios, incapazes de apontar caminhos, e de mostrar à população as origens e as consequências desses desatinos que estão sendo praticados.

Nesse quadro, os governantes tentam de tudo para manterem-se no poder. Este pode escapar-lhes se o povo for à rua, como o fez em 2013, com reivindicações precisas e sem rótulos políticos. Eles não têm nem mesmo a segurança de ter a polícia para fazer o serviço sujo como fez naquela época. Os próprios policiais não confiam mais no governo federal nem no do Rio de Janeiro. Esse quadro talvez explicque a mobilização das Forças Armadas para o dito “combate ao crime organizado”. O governo Temer busca na verdade desencorajar a população de usar o seu direito de protestar e, também de derrubar o governo. Por que não?

Há mais de trezentos anos o filósofo liberal inglês John Locke (1632-1704) admitia o direito do povo de derrubar os governos que não cumpram com sua obrigação de respeitar as leis, especialmente, quando enveredam no caminho dos desmandos e da prevaricação. Ele disse: (…)  tem-se o direito não somente de livrar-se da tirania, mas também de evitá-la.” Mais tarde, os Pais Fundadores dos Estados Unidos escreveram:

(…) Nós temos por evidentes por elas mesmas as verdades seguintes: todos os homens são iguais; eles são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis: entre esses direitos se encontram a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Os governos são estabelecidos entre os homens para garantir esses direitos, e seu justo poder provém do consentimento dos governados. Todas as vezes que uma forma de governo ameace esse objetivo, o povo tem o direito de mudá-lo ou de aboli-lo, e estabelecer um novo governo, fundado sobre os princípios e organizado na forma que lhe parecerão os mais adequados para lhe oferecer a segurança e a felicidade [...]

A grave crise que o Brasil atravessa está servindo de oportunidade para que um grupo de aventureiros a serviço de interesses externos ao país possa manipular de forma cínica as instituições, por meio de trapaças e da corrupção. Eles se consideram intocáveis, pois foram colocados lá pelo poder financeiro internacional. Desafiam o Poder Judiciário e aquele que é realmente o poder, o nosso povo, o cidadão brasileiro. Para tanto agora se dão o direito de colocar as Forças Armadas cumprindo papel de polícia. Ultrapassaram todos os limites já conhecidos de um poder de impostores.

Há que fazer uma reflexão profunda sobre tudo isso. Especialmente aqueles, como eu, que conheceram as tramas que levaram à ditadura militar, e os atos lesivos dela, que até hoje refletem de forma negativa na nossa vida de pessoas e de Nação. Vamos falar apenas de dois casos, que são oportunos: o crime organizado, e a crise financeira da União. Todos os dois têm reflexos em toda a sociedade brasileira.

O crime organizado começou com a ditadura. Antes delas os bandidos eram individualistas. No máximo atuavam com alguns parceiros, sempre poucos, pois sua atividade podia ser considerada de subsistência. Nesse quadro ficaram famosos alguns destemidos, com Lúcio Flávio, no Rio e Sete Dedos em Minas Geias. Havia traficantes, mas a droga da época era a maconha. Seu consumidor era chamado “maconheiro”, uma expressão pejorativa. Os que traficavam não tinham armas pesadas. Eram oportunistas e usavam o subterfúgio. Nem chegavam a preocupar a sociedade.

Com a ditadura, os jovens que se rebelaram, tidos como “subversivos”. eram “torturados” e levados à prisão comum, onde se encontravam com os criminosos de todos os tipos. Os prisioneiros políticos eram respeitados. Não haviam praticado nenhum crime e haviam demonstrado destemor. Todos os bandidos queriam conversar com eles. Assim aprenderam a se organizar, pois a clandestinidade exige organização e disciplina. Depois de liberados, alguns desses criminosos transformaram-se em chefes de quadrilha poderosos. O mais conhecido do Rio foi o Escadinha. Mas isso não aconteceu apenas no Rio. Vê-se que  foi a política repressiva da ditadura que criou o crime organizado, que hoje domina o tráfego de drogas. Será a repressão o instrumento que irá destruí-lo?

A crise financeira começou com “o Brasil grande”. Investimento em massa com recursos externos que gerou a dívida externa, que depois, por obra e graça de Fernando Henrique Cardoso, se transformou na dívida pública, que financiou a ascensão desse governo de impostores. Sobre esse assunto já nos discorremos longamente. Para aqueles que têm interesse em conhecer mais sobre o assunto, recomendo buscar na internet o documentário “Dívida pública: soberania na corda bamba”.

Não há nenhuma política pública válida que possa justificar o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. As funções delas são outras e muito mais nobres: defender a Soberania Nacional e as Instituições republicanas. Um governo sério as deixaria com seus deveres e as ajudaria a se prepararem para a Nobre Missão de defender o Brasil, quando esse tiver que tomar as medidas contra os espoliadores internacionais que estão abusando de todos nós. Usam-nos como instrumentos para satisfazer seus interesses mesquinhos. No caso do Brasil querem que nos tornemos uma grande zona industrial, sob seu controle, para concorrer com os produtos chineses. É um projeto tresloucado, mas que pode nos transformar em uma colônia e nossos trabalhadores em servos.

O objetivo de Temer, é usar as Forças Armadas contra o nosso povo. As experiências dessa natureza foram trágicas, e não foi apenas a da ditadura. Não há nada que justifique um conflito entre Forças Armadas e o povo. Elas foram constituídas para defender a Nação, e esta não existiria sem o povo que a construiu. Na República verdadeira todos do povo são cidadãos, origem de todo o poder do Estado Republicano. Sendo assim, a artimanha do Presidente é um golpe contra toda a Nação. A intenção é destruí-la. Transformá-la em uma colônia de novo tipo, sob a tutela do poder financeiro, cuja seja está na Wall Street, em Nova Iorque.

Chegou a hora de nós, povo brasileiro, acordarmos e passarmos a trabalhar em um projeto para a grande Nação que nós somos. Para isso nossa unidade é necessária, enquanto brasileiros. Esqueçamos a luta entre “coxinha” e “mortadela”, que nos desune e cria as condições ideais para sermos dominados. A humanidade nos agradecerá.

Rio de Janeiro, 01/8/2017.

 

 

 

17, agosto 2017 21:17

XVIII Bienal Internacional do Livro Rio 2017

16, agosto 2017 20:25

Na beira do abismo

04, agosto 2017 15:14

Vamos construir nosso futuro VIII