Arquivos de agosto, 2017

28, agosto 2017 2:28
Por admin

Fatos, crenças, mitos e lendas

 

A partir do momento em que um nosso ancestral foi capaz de produzir um instrumento para agir sobre o meio que o cercava, ele já era algo mais que um animal. Não se conduzia apenas por instintos. Possuía vontade, queria uma arma para superar outros animais ou um instrumento para potencializar sua força. Já era capaz de imaginar a forma do objeto que precisava. Sabia o que fazer para tornar realidade sua imaginação e possuía habilidade para tal. Ele já era um ser dotado de inteligência, que se manifestaria sob outras formas.

Em outro momento, talvez posterior ao da ferramenta, nosso ancestral buscou explicações para os fenômenos naturais, em especial sobre as tempestades com seus raios e trovões. Imagine o pavor de um ser apanhado por forte tempestade, no meio de um campo! Os raios caindo por toda parte, destruindo num golpe uma grande árvore e espalhando o fogo pela relva. Que poder seria capaz de tamanha façanha? Aquilo e outros fenômenos da natureza estavam além da sua compreensão. Mas ele poderia concluir que depois da chuva as cores das folhas ficavam mais vivas, as sementes brotavam e as plantas cresciam. Os pássaros se alegravam, assim como ele, mesmo que não fosse pelas mesmas razões. De uma coisa ele sabia, o perigo passara, seu temor desaparecera. Mais além dessas questões, em certo momento ele também se questionou sobre a existência, sua e da natureza, com todos seus encantos e perigos, e sobre a vida que dela brotava.

Tudo aquilo só poderia vir de um ser superior. Isso o levou a criar os deuses. No início um deus para cada fenômeno ou coisa. Depois esses deuses também responderiam por sentimentos, habilidades e virtudes, na medida em que suas experiências aumentavam. Sua inteligência teve de passar por um processo de desenvolvimento para atender a todas essas indagações, e seu cérebro tornou-se mais solicitado. A proteína obtida da caça certamente serviu para nutri-lo melhor. Seus pensamentos expandiam-se na busca de razões para a existência e suas manifestações. Cada povo criou seus mitos que se tornaram suas crenças. Mas há uma grande semelhança nessas crenças. Com informações limitadas sobre os primórdios da humanidade, não temos como afirmar como isso se deu, mas escolhemos a hipótese de ter sido pelo processo de migração e caldeamento de culturas.

Em estagio mais evoluído, após a revolução agrícola, esses mitos se consolidaram e deram origem às religiões, não apenas as primitivas, já que todas as grandes religiões hoje praticadas têm, na sua tradição oral, sinais bem nítidos desses mitos e crenças. Na tradição tupi-guarani, o deus maior, Tupã, o deus Sol, desceu à Terra e criou tudo que existe, até mesmo as estrelas que ele colocou no céu. A deusa maior era Araci, a deusa Lua. A tradição Veda também tinha como deuses originais esses dois astros.

 

Segundo as tradições antigas, havia duas dinastias, uma solar e outra lunar, ou seja, alguns se consideravam descendentes do Sol e outros, da Lua. Em outras palavras, eram as forças positivas e as negativas, encerrando conceitos religiosos opostos.

Os que cultuavam o Sol consideravam o Deus do Universo representante do sexo masculino e traziam consigo tudo de mais puro da tradição védica.

Dedicavam-se à ciência do fogo sagrado e da oração, mantinham a noção esotérica do Deus Supremo, respeitavam profundamente a mulher, veneravam os antepassados e a monarquia patriarcal.

Por sua vez, os cultores das forças lunares atribuíam à divindade o sexo feminino e adoravam a natureza cega, em suas manifestações inconscientes, violentas e inclinadas à idolatria e à magia negra (54).

 

No entanto, a doutrina védica tem centenas de milhões de seguidores e está cada vez mais considerada e reverenciada pela nova onda espiritualista que emerge da crise da nossa civilização decadente. Isso mostra que todas as crenças devem ser respeitadas. Elas representam estágios de compreensão das comunidades humanas, contribuíram na construção de sociedades sólidas e ajudaram suas populações nos momentos mais difíceis, consolando-as e dando-lhes ânimo, pela fé e pela esperança em dias melhores.

Na tradição escandinava o principal deus é Tor:

 

Tor cruzava os céus numa carruagem puxada por dois bodes. E quando ele agitava

seu martelo, produziam-se raios e trovões. … Quando troveja e relampeja, geralmente também chove. E a chuva era vital para os camponeses da era dos vikings. Assim, Tor era adorado como deus da fertilidade (35).

 

Todos os povos, de todos os continentes, têm suas tradições, suas crenças, lendas e mitos. Esse é um passado comum da humanidade no seu processo de desenvolvimento. Alguns tentam minimizar esse passado comum, outros teimam em desconhecê-lo, mas isso só faz deles seres insensíveis que tentam esconder a história, por razões que não revelam.

Quando expomos as dificuldades de explicar fenômenos da civilização antiga, algumas questões se nos colocam. Mesmo se deixarmos de lado as contradições das lendas e nos atermos apenas às construções monumentais, vem-nos à mente, com insistência, a hipótese de ter existido outra civilização, ou outras, que não deixaram provas cabais de sua existência, mas indícios. Ainda não conseguimos explicar, por exemplo, as façanhas da engenharia que está por trás de grandes obras da Antiguidade. Apesar dos potentes e sofisticados equipamentos de que dispomos, não temos como transportar e colocar no seu lugar com extrema precisão as pedras gigantescas, com cerca de mil toneladas, que fazem parte do embasamento do Templo de Heliópolis, em Baalbek, no Líbano (ver Google Earth).

Apesar de nossos imensos navios e das gigantescas máquinas das mineradoras; dos aviões que cruzam os céus em todas as direções a cada minuto; da rede mundial de computadores; de termos imagens e vozes vindas de todos os recantos da Terra em tempo real; de enviarmos o homem à Lua e sondas em várias direções do espaço; da capacidade de destruição dos artefatos nucleares em estoque serem cem vezes maior que a necessária para destruir o próprio planeta, seria difícil para nós construir algumas obras do mundo antigo.

Mas quando entramos no terreno das lendas e da mitologia, as coisas ganham um grau de complexidade muito maior. É onde encontramos a crença arraigada por milhares de anos. Não é fácil dizer, apesar dos documentos cada vez mais abundantes, que a maioria das lendas do mundo antigo se origina na antiga Suméria. Os preconceitos sobre suas origens estão profundamente arraigados em algumas culturas. Mas elas podem ter origem mais antiga ainda. Mesmo as do Velho Testamento, como as de Enoque, de Noé, e até algumas passagens de Moisés, como a do peixe seco que se lança nas águas do mar e nada garbosamente. Essa é parte de epopeia de Gilgamesh na sua inútil procura pela vida eterna, na busca da Árvore da Vida, da Água da Vida ou da Fonte da Eterna Juventude.

Os mitos e as lendas que surgiram daí estão até hoje navegando pelas mentes de quase todos nós. Alguns têm seus fundamentos nas úteis lições e na apologia das virtudes que divulgam. Eles e elas têm sua lógica e não afrontam os interesses das pessoas comuns. Crer neles ou nelas não causa dano a ninguém e pode até causar prazer pelo encanto que possuem. Do contrário não resistiriam ao tempo. Mas persistem também histórias que são nocivas aos interesses mais caros das pessoas, mesmo refutadas a cada dia pelos fatos. Isso ocorre porque interesses poderosos conseguem manipular a mente das pessoas. A filosofia e a ciência não foram suficientes para desfazer crenças infundadas. Nem as pregações amorosas e a favor da verdade, dos grandes líderes religiosos da Antiguidade, como Krishna, Lao-tsé, Buda e Jesus, o foram. Jesus disse a seus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, ou seja, a liberdade pode ser alcançada pelo conhecimento da verdade. Mas quem liga para isso?

Há duas razões principais para a permanência da ilusão de alguns mitos nocivos nas mentes das pessoas. Eles são defendidos por várias instituições, em especial religiosas e financeiras, pois lhes são convenientes, enquanto ajudam a manter um manto de ignorância que sustenta hierarquias privilegiadas e classes dominantes que vivem da espoliação. Essas últimas atuam para que a educação não vá além do necessário para ensinar a executar as tarefas de seu interesse, nos termos de suas tecnologias e organizações sociais, ambas impostas sutilmente à sociedade. A escola deles não é feita para ensinar as pessoas a buscar a verdade e a viver com fraternidade. Ela o é para aceitar o status quo e para adestrar o trabalhador, em vez de libertá-lo.

Alguém pode argumentar que a ciência prosperou. É verdade, pois a ciência é instrumento fundamental para conhecer as leis da natureza, para melhor utilizá-la na produção de bens e serviços. Mas ela não é totalmente livre, pois depende de recursos para suas experiências cada vez mais custosas. Sua orientação é voltada para o desenvolvimento de tecnologias dos interesses dominantes, muitos

dos quais destrutivos. Mesmo assim a ciência avança. Mas muitas de suas descobertas são negligenciadas quando contrariam esses interesses, não importa a razão.

Mas a grave crise da civilização que se aproxima ajudará a levantar a cortina de obscurantismo que dificulta uma atitude realmente científica, ou verdadeiramente religiosa, que coloque como condição fundamental a liberdade para buscar a verdade. Sem considerar as diversas hipóteses que visam levantar o véu da ignorância, que turva a mente humana e dificulta as pessoas a trilharem o caminho da liberdade, não haverá verdade, nem liberdade. Vamos ajudar a levantar esse véu oferecendo espaço a algumas hipóteses que merecem nossa atenção.

Zecharia Sitchin, em seu livro A escada para o Céu, faz um relato interessante sobre o início da civilização, seus mistérios, contradições e mitos, e conclui que ela foi criada por povos de outro planeta, onde os humanos entravam como força de trabalho. Os deuses que vieram dos céus seriam astronautas vindos de um planeta do sistema solar, Murdok, o décimo segundo planeta, segundo ele, que teria uma órbita elíptica bastante longa. Seu ano corresponderia a 3.600 anos da Terra. Por essa razão ele seria desconhecido dos astrônomos. Seria isso verdade? Não sabemos dizer. De qualquer modo não devemos deixar de considerá-la enquanto a ciência não der explicações racionais para os fenômenos dos deuses fundadores da Suméria e do Egito, e de suas dinastias, dos feitos espetaculares da engenharia dessas civilizações e dos seus conhecimentos astronômicos. Assim como dos

diversos ciclos planetários que aparecem no calendário maia. As civilizações antigas, aparentemente, não possuíam aparelhos óticos nem conhecimentos matemáticos suficientes para detectar os ciclos dos astros e planetas e seus efeitos sobre as pessoas e a natureza, como seus escritos demonstram. Mas há outras hipóteses. A mais discutida é a da civilização de Atlântida, revelada por Platão em um dos seus escritos.

Platão teve os seus conhecimentos de Crítias, o Jovem, que, por sua vez os recebeu de seu avô, Crítias, o Velho, o qual, por intermédio de Drópides, teve ensejo de conhecer as anotações feitas por Sólon, durante a sua viagem no Egito,

 

… de um ancião, escrivão do Templo de Saís e o qual, por sua vez, se referiu a material documentário bem mais antigo, a textos em hieróglifos saíticos.

[…] Diante da foz que vós costumais chamar de Colunas de Hércules, havia uma ilha, cuja extensão era maior daquela da Ásia e da Líbia juntas e, a partir de lá, era então possível fazer a travessia para as outras ilhas e, daquelas ilhas, para todo o continente, situado defronte daquele mar e circundando-o, o qual, a justo título, leva esse nome (85).

 

Naquela época não se conhecia o continente americano referido no texto, e não se tinha referência de nenhuma travessia do Atlântico, o que vem dar credibilidade ao relato de Platão. A não ser que tomemos como verdade outra lenda, de datação desconhecida, de que os fenícios teriam aportado no norte das terras hoje brasileiras. De qualquer modo, desde o relato de Platão, dezenas de milhares de livros trataram do assunto, o que mostra quanto interesse ele despertou. Entre esses autores está Francis Bacon, que em 1638 escreveu Nova Atlantis.

            Também o famoso clarividente americano Edgard Cayce descreveu a Atlântida durante um de seus sonhos autoinduzidos.

 

A descrição de Cayce sobre a Atlântida – ou ao menos o que foi colhido de suas declarações durante o sono – é de uma civilização avançada que caiu em tentação. Empregando palavras que parecem curiosamente aplicáveis ao presente, ele indica como uma civilização tecnologicamente adiantada (aparentemente com aviões, lasers e outras máquinas modernas) virou as costas a Deus e se afundou nas delícias do materialismo. Então, em uma série de cataclismos provocados pela má utilização das forças da natureza, seu paraíso insular entrou em erupção e submergiu, como diz Platão, nas profundezas do oceano Atlântico. Esta, em resumo, é a história sobre a destruição da Atlântida como coletada por pesquisadores a partir das mensagens e publicada pelos filhos em um pequeno livro intitulado “Edgar Cayce on Atlantis” (40).

 

Há também referências em diversas publicações a que o Egito, o México e o Caribe teriam sido colônias de Atlântida, de onde teriam vindo os conhecimentos de astronomia e cosmologia dos egípcios e dos maias, cujo calendário é o mais perfeito dos conhecidos.

No conjunto dessas questões polêmicas, que não podem ser provadas nem desmentidas cabalmente, podemos destacar as mensagens de alguns espíritas e outros espiritualistas que consideram a crença no demônio uma corruptela da história verdadeira de Lúcifer. Este seria um ser de grande importância na hierarquia cósmica, que propusera e executara uma experiência de mutação genética com o ser humano, tornando-o mais agressivo, com o intuito de prepará-lo para enfrentar situações de grande adversidade. O resultado teria gerado uma humanidade violenta e, em consequência, a necessidade de mudar a sua rota. Para consertar o malfeito teriam sido enviados à Terra outros seres de grande expressão. Seria essa a razão da presença entre os humanos de alguns seres extraordinários como Buda e Cristo?

Todas essas questões são hipóteses e teses que estão por aí ao alcance de todos, em livrarias e na internet, e que são colocadas no campo nebuloso dos mitos. Elas são negligenciadas pelos poderes das mais diversas instâncias, políticas, científicas ou religiosas. Para esses notáveis, só vale o sagrado de cada um deles. Tudo o mais é blasfêmia e heresia, como o foram hipóteses científicas comprovadas, combatidas furiosamente pelos guardiões da fé, como as de Copérnico sobre a translação da Terra em torno do Sol, que levou Galileu Galilei ao Tribunal da Inquisição e Giordano Bruno à fogueira. Muito depois, Darwin passou pela penitência da heresia, já então sem fogueira, por sua Teoria da Evolução das Espécies, que a cada dia é comprovada por novas descobertas no campo da biologia.

Mas, se estamos fazendo pesquisas sobre a história da humanidade e a evolução do pensamento humano, como podemos desconhecer essas hipóteses que até hoje preocupam, entusiasmam ou encantam tantas pessoas? A cada povo pertencem suas crenças, seus mitos, suas religiões, sua filosofia, e sua ciência. Também não podemos fingir que essas questões não ocupam mentes privilegiadas. Seria ajudar a ocultar o que já se pesquisou e se descobriu. Nem desconhecer as dúvidas que açoitam os historiadores e as alternativas que eles oferecem às lendas e aos mitos que vagam por aí.

Afinal, é preciso examinar todas as possibilidades, romper o bloqueio que supostas autoridades estabelecem em relação ao que lhes desagrada. Ao mesmo tempo desmascarar a propaganda que fazem do que lhes interessa, sem qualquer compromisso com a verdade. Para nós, o objetivo deve ser apenas a verdade, no passado ou no presente. Essa postura certamente nos ajudará a encontrar as soluções que precisamos para superar esse momento nebuloso e tormentoso por que passamos. Para nós, as hipóteses devem ser consideradas, em termos, até que se prove que são verdadeiras ou falsas.

Devemos considerar até mesmo a hipótese de que o fim do mundo está próximo e que só se salvarão os 144.000 eleitos pelo Senhor, que seriam todos de um só povo ou de uma só comunidade religiosa. Esse mito provém de dois outros, o do Apocalipse, magistralmente relatado na Bíblia e atribuído a São João, e o do pecado original, advindo de Adão e Eva. Este último marcou a teologia creditada a Santo Agostinho, segundo a qual todo homem nasce em pecado que só será perdoado pela graça divina através da Igreja. Mas qual igreja? Hoje são inúmeras, com as divisões da Igreja Cristã no último milênio. Quais seriam então os eleitos? Da mesma forma que esses mitos são difundidos por pregações e em milhões de livros por todo o mundo, podemos questionar esse Senhor ou seus representantes na Terra. Como é possível tamanha discriminação que repudia toda a humanidade em prol de uns poucos eleitos, todos da mesma cultura ou religião, numa demonstração de elitismo muito além da ousadia de qualquer nobreza. Se o leitor prestar atenção, encontrará mais mitos nos dias de hoje que na Antiguidade. Os daqueles tempos, pelo menos, traziam alento e esperança, enquanto muitos dos atuais produzem graves danos à vida e à paz.

No final deste livro voltaremos a falar dessa questão, em abordagem feita à luz do avanço das experiências da humanidade, da filosofia, da ciência nos campos da física e do cosmos, e dos novos fenômenos que intrigam ou que ameaçam as populações. Destacam-se os cataclismos naturais, cada vez mais frequentes e mais graves, que os cientistas procuram compreender, mas ainda não sabem explicar. Mas há também as obras do homem no campo da economia e das instituições, feitas à imagem e semelhança dos novos magos dos séculos XX e XXI. Esses não transformam ferro em ouro, mas fazem dinheiro do nada, enquanto transformam em nada nossas vidas e nosso trabalho. Em lugar da civilização do nada deveríamos pensar na civilização do todo. Naquela que fará uso da abundância para a felicidade e não para conflitos e sofrimentos. Que fará da fraternidade e do respeito ao próximo o cimento para tornar as relações humanas mais harmoniosas e construtivas.

O futuro da humanidade depende do nosso nível de conhecimento e de compreensão de tudo que se passa, seja na natureza ou no cosmos, seja na sociedade ou na mente das pessoas. Mas o que mais nos preocupa é a história tortuosa que o homem constrói. Suas deformações produzem a destruição da sociedade e da vida que a natureza produz e sustenta. Os mitos dos antigos consolavam e davam segurança. No seu íntimo eles pensavam que seus deuses os protegiam contra o destrutivo e o desconhecido. Isso lhes dava alento, esperança e capacidade de resistência às hostilidades. Os mitos de hoje são fraudulentas ilusões para submeter vontades e aniquilar o amor-próprio e a esperança no futuro. Os de ontem foram conquistas, precárias como tudo que é humano, mas conquistas. Os de hoje são grilhões, que escravizam, ou armas, que destroem.

 

25, agosto 2017 1:45
Por admin

Esculhambação geral

Arnaldo Mourthé

            Deu a louca no governo. Agora, a esculhambação é geral. Eu já havia escrito um artigo, com o título A que veio o governo Temer?, de 05/10/2016, publicado depois no meu livro O poder no Brasil. Ele representa a minha visão sobre esse governo que está ai, e começa dizendo:

            1 – Matar o Estado com o bloqueio de gastos com serviços públicos.

            2 – Demolir a República, através da priorização dos interesses privados sobre os             públicos (do cidadão), e o descaso com a soberania nacional.

            3 – Alienar o patrimônio nacional para transferir riqueza para o setor financeiro, já        dominado pela banca internacional.

Mas a desfaçatez dos senhores do poder que, diga-se de passagem, é formado de impostores, ultrapassou em muito minha “profecia”.  O que está ocorrendo, e como está ocorrendo, não poderia passar por minha cabeça. Afinal, eu acredito ser uma pessoa normal.

Por mais que me esforce, não consigo lembrar-me de nenhum fato histórico que possa servir de paralelo a tamanho desatino. Parece um reclame, de meus tempos de infância, de “salvados do incêndio”, de loja que pegou fôgo. Quem sabe essa seja a imagem do Brasil na cabeça desses tresloucados? É o caso de convocar uma junta médica para examiná-los.

O fato, de nossos dias, que mais se assemelha ao que o governo Temer está fazendo, é de um grupo de crianças abandonadas e drogadas, vendendo na beira da estrada os frutos de um assalto, ocorrido na véspera, a um caminhão de entrega de mercadorias. praticado pelo crime organizado,

Realmente os homens de plantão no poder parecem drogados. A aparição (palavra sintomática) de Meirelles na televisão assusta. Uma cara amarrotada, cheia de sestros e rompantes, digno de alma penada, dizendo: “tem que ser feito”, “se não for agora, daqui a dois anos”, “senão o Estado vai falir”. Assim ele se refere à Reforma da Previdência. Ele só esquece que o Estado já faliu, e ele foi o principal responsável por isso, quando chefiava o Banco Central, multiplicando a dívida pública, que hoje é mãe de todas as crises no Brasil.

O mestre de cerimônia, travestido de presidente, é o mais cômico. Não sei se posa de prestidigitador, escondendo cartas do baralho, ou de mágico, tirando coelho da cartola. Mesmo um coelho tão grande quanto a Eletrobrás, que vendida daria a ele o dinheiro para devolver ao comprador, através de juros da dívida pública. Os 20 milhões de reais, que não passam de três semanas de juros pagos pelo governo.

O terceiro membro da trinca tenebrosa é o “gato angorá”, com cara de bebê chorão, cuja função é buscar com sua patinha travessa o patrimônio público da vez para  ser vendido a preço de banana. Tudo para manter aberta a sangria que mata o Estado brasileiro, do pagamento dos juros da dívida pública de mais de 400 bilhões de reais por ano.

Mas, qual é a jogada da vez? Vender 14 aeroportos, 11 linhas de transmissão, 15 terminais portuários, duas rodovias, a Casa da Moeda, 18 rodadas de licitação de petróleo e gás, a Companhia de Armazéns e Silos de Minas Gerais e a Companhia Docas do Espírito Santo. Não escapa nem a Rede de Comunicações Integrada da Aeronáutica. Tudo para apurar R$ 44 bilhões que corresponde ao pagamento de um mês e meio dos juros da dívida pública. O interessante é que nunca mencionam a dívida pública. Ela parece não existir. Será ela outro fantasma. Talvez tenham medo dos portadores dos títulos do Tesouro Nacional. Disso o Meirelles entende, pois teve uma longa escola no BankBoston.

Porque tanta pressa? Virá outra acusação comprometendo o Presidente? Terá o lobby da Wall Street falado mais grosso?            Talvez saibamos algum dia. É importante lembrar que a intervenção americana no golpe de 1964, ficou de conhecimento geral depois que os EUA abriram o sigilo sobre o papel de seu governo no golpe. Lá a Lei limita o segredo de Estado a 20 anos. Quem sabe daqui há 20 anos tudo isso seja de conhecimento público. Mas o que  seremos  de nós então, se não tomarmos medidas urgentes para impedir a destruição de nossas instituições e a derrocada de nossa Nação? A resposta a essa pergunta fica para você, caro leitor.

Não esquecer que se completam hoje 63 anos do suicídio de Getúlio Vargas, consequência de perseguições sobre ele por  sua política em defesa da soberania nacional, dos direitos sociais e de nossas fontes energéticas e minerais. Ao lembrar isso, resolvi juntar  a este texto a Carta Testamento desse grande patriota.

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o povo seja independente. Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

Getúlio, sim, era um estadista e um patriota. Ele comandou uma revolução. Contra os ‘barões do café” e a fraude eleitoral. Venceu, sustentado nos governos do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, da Paraíba, e do nosso povo por todo o país.  Pôs-se a construir uma República, que foi derrubada pelo golpe de Estado de 1964. Caso este não houvesse ocorrido, talvez fôssemos uma grandiosa e justa nação, sustentada por nosso povo generoso e trabalhador. Mas a história foi outra. Tudo isso me impele a uma pergunta:

Prezado leitor, você aceitaria ser membro de uma boiada? Mesmo que ela tivesse sendo conduzida para o abatedouro?

Rio de Janeiro, 24/08/2017.

24, agosto 2017 2:19
Por admin

Por que privatizar a Eletrobras?

Arnaldo Mourthé

            O Governo Federal prepara um novo golpe contra nossa soberania de Nação, a privatização da Eletrobrás. Essa ação não chega a ser uma surpresa, pois já analisamos o que vem a ser esse governo, que chamamos de Governo das Trevas. Ele não passa de um governo que foi colocado no poder por manobras legislativas e jurídicas para recolonizar o Brasil. Nem governo é. É uma quadrilha de impostores que estão destruindo tudo que a sociedade brasileira construiu ao longo de cinco séculos, a duras penas. Ele visa, principalmente, destruir as conquistas da Revolução de 30, que instituiu uma República possível dentro do sistema econômico em que vivemos, com vistas a uma Nação soberana voltada para seu desenvolvimento com justiça social. Mas esa República foi liquidada pelo golpe militar de 1964. Depois disso começou o processo que desemboca na mais escandalosa corrupção que a história mundial conhece, e atinge seu ápice no Governo das Trevas, que quer fazer do Brasil uma colônia do capital financeiro internacional.

O governo pretende privatizar a Eletrobrás com a desculpa de que necessita de recursos para equilibrar o orçamento. A arrecadação prevista para esse ato, de irresponsabilidade, é de R$ 20 bilhões, por coincidência o rombo do seu Orçamento. Mas não ficará só nisso. Quer vender nossos aeropostos, estradas e muitas outras coisas. Não devemos esquecer que a Petrobrás vem sendo fatiada e vendida aos pedaços. Até para exploração de petróleo sobre o coral da Amazônia, com prejuízo ambiental de repercussão mundial e jamais visto ou imaginado. Estamos vivendo o caos.

Mas nós seremos tão pobres a ponto de termos que vender nossos patrimônios para sobrevivermos? Pelo contrário, nós somos o país que tem a maior riqueza natural do Planeta. O governo não vende nosso patrimônio porque somos pobres. Ele está agindo sabendo o que está fazendo: destruir a Nação brasileira. Esse é o plano da Besta do Apocalipse, o capital financeiro internacional, com sede na Wall Street, em Nova Iorque. Algum leitor, que não conheça minhas publicações anteriores, poderá pensar que isso é exagero.  Porque na mídia dizem  “que o Brasil está em crise porque houve governos irresponsáveis, especialmente do PT, que construíram esse caos que nos sufoca”, como num labirinto. Mas, essa versão da história foi construída para imobilizar os brasileiros, enquanto a tropa de ocupação do capital financeiro toma o Brasil, com sua quinta coluna, o governo Temer e seus deputados corruptos. Houve, sim, governos irresponsáveis. Eles o foram, porque nos ocultaram a verdadeira situação da infiltração do capital estrangeiro em nossos assuntos e negócios internos, para concretizar seu projeto macabro indicado acima. Ao invés de contrariar o projeto, de FHC, de redução do Estado e privatizar as empresas estatais e serviços públicos, Lula e Dilma mantiveram a linha da capitulação e acabaram de encalacrar o Brasil.

Voltemos à questão da Eletrobrás, que não é uma empresa qualquer. Ela tem 37 hidrelétricas, 114 termoelétricas, duas usinas nucleares, 69 eólicas e uma solar próprias ou em sociedade. Isso representa 31% da geração de energia elétrica do Brasil. Sua privatização pode nos esclarecer sobre os desmandos e a traição do governo. E é preciso fazê-lo, porque o tempo corre contra nós enquanto esse governo age de forma desavergonhada contra o Brasil e seu povo. Comecemos pelos valores financeiros em jogo. A venda da Eletrobrás produziria uma arrecadação de R$ 20 bilhões. Comparemos esse valor com o que os governos brasileiros gastaram nos últimos anos em despesas questionáveis.

A Copa do Mundo, em 2014, custou R$ 26 bilhões aos cofres públicos. A Olimpíada, de 2016, custou ao todo R$ 38,26 bilhões, dos quais R$ 14 bilhões públicos. Em 2013 houve subsídios do governo federal à indústria automobilística de R$ 19,31 bilhões, o dobro do que foi investido no transporte público. Nem vamos falar nas vendas de licenças de exploração de petróleo, que todos conhecem, nem do fatiamento da Petrobras, para enfraquecê-la e depois privatizá-la totalmente.

Mas, o mais grave não é nada disso, São os juros da dívida pública, que faliu a União e destrói os serviços públicos, saúde, educação, segurança, transportes, proteção ambiental, etc. Seus números são estarrecedores. Vamos a eles.

A União pagou de juros em 2016 R$ 407 bilhões. No orçamento da União para 2017 cabe aos juros R$ 339,1 bilhões. O governo solicitou ao Congresso um crédito suplementar de R$ 20 bilhões, o que eleva a previsão de juros para R$ 359,1 bilhões. 50% do orçamento da União é gasto com os juros da dívida pública. É por essa razão que não há dinheiro para o mínimo de serviços necessários à população. Mem para pagar funcionários. Os gastos com os juros aumentam os problemas sociais. Faltam escolas o que condena jovens ao analfabetismo. As pessoas morrem por falta de assistência à saúde. Abre-se espaço para o crime organizado. Aumenta o tempo de viagem do cidadão nas cidades.

Nosso povo empobrece e a miséria cresce. A fome retorna aos lares dos mais pobres. A economia é freada por falta de investimentos. O dinheiro, que poderíamos investir no nosso desenvolvimento, é desviado para os juros que se transformam em dólares e são transferidas do país.  Para esses dólares, exportamos bens que nos faltam aqui, sobretudo alimentos.  O dinheiro dos juros serve também para comprar nosso patrimônio público. O dinheiro que entra da privatização, volta ao comprador através dos juros. É uma brincadeira de mágico ou de prestidigitador. Aumenta nosso empobrecimento, e toda a Nação é atingida Não há mais Ordem, nem Progresso. O governo gera a desordem e no lugar do progresso temos a recessão e o desemprego.

Mas não é só isso. Estamos perdendo nossa soberania e nossa dignidade. Os mineiros reagiram para defender parte de seu território, ocupado pelas usinas que seriam privatizadas, e de seus rios, que passariam para o controle de operadores estrangeiros. O caso da Samarco que poluiu o Rio Doce, mostrou-nos o descaso do capital estrangeiro em relação ao meio ambiente. Vivemos uma regressão histórica. Tudo isso faz lembrar-me dos Inconfidentes Mineiros que buscaram nossa independência do Reino português. Eles lutaram contra “o quinto do ouro”, do qual resultou a expressão “o quinto dos infernos”. Essa condição retorna com os 50% do Orçamento para pagar juros.

Os Inconfidentes devem ser nossa inspiração para resistirmos contra a traição de um grupo de aventureiros a serviço do capital financeiro, através da corrupção mais deslavada. Será possível que nós, brasileiros, fiquemos apenas assistindo a tantos desmandos e traições à Pátria?  Se assim for não teremos futuro. Seremos simplesmente fracassados. Que dirão de nós nossos descendentes?

Rio de Janeiro, 23/8/2017.

 

17, agosto 2017 9:17
Por admin

Estaremos no Pavilhão Verde no Estande EL3.

Aguardamos vocês!!!!

16, agosto 2017 8:25
Por admin

Na beira do abismo

Arnaldo Mourthé

            O Ministro da Fazenda se apresentou ontem na televisão, com pompa e circunstância, para informar sobre o aumento do déficit do orçamento da União para este ano. São mais 20 bilhões de reais a serem acrescentados aos 139 bilhões já previstos. Ele passa, assim, a ser de 159 bilhões, valor a ser acrescido à dívida pública federal, já impagável, de mais de três trilhões de reais. Esta torna o povo brasileiro escravo de um compromisso que não assumiu e do qual nada usufruiu.  Com isso sobem os juros a ser pagos no próximo ano, que já consomem cerca de 50% do orçamento da União. Essa é a razão pela qual falta dinheiro para tudo, para a saúde, para a educação, para pagar o funcionalismo e para os investimentos essenciais ao bom funcionamento da sociedade e da economia.

Quando ainda criança, eu ouvia dizer, em momentos de dificuldades diversas, em especial quando os preços dos produtos essenciais subiam no armazém, que o Brasil estava a beira do abismo. Mas, ao lado do pessimismo que gerava essa expressão, havia a contrapartida bem humorada de dizer que não havia abismo tão grande que coubesse o Brasil.

O tempo passou e junto com ele as idas e vindas das condições das pessoas e do seu humor. Até que, naquele tempo de minhas infância e adolescência, as coisas se  acomodavam de uma forma aparentemente natural. As escolas se multiplicavam e o nível cultural das pessoas ia subindo. O país se industrializava e as oportunidades de trabalho se diversificavam e aparentemente ganhava-se em qualidade de vida. Mas nem em todos os aspectos. Também ocorria uma urbanização acelerada sem os devidos cuidados de quem parece não saber bem o que fazer e como fazer. Mas tudo em um ritmo que permitiria no futuro, na medida de novos conhecimentos adquiridos, consertar os erros reduzindo suas consequências.

Mas veio o tempo do Brasil grande, apregoado pelos militares. Tudo precisava ser grande a qualquer custo. O ministro Delfin amenizava as consequências de sua política anti-social, de arrocho salarial, com outra expressão de marqueteiro: é preciso fazer crescer o bolo para depois dividi-lo com todos. De engodo em engodo, não sem uma brutal repressão para frear os mais ousados, foi-se levando o Brasil, cada vez mais próximo do abismo tão temido por nossos antepassados.

O projeto dos militares não deu certo. Criaram mais problemas que soluções. Permitiram a intromissão de potências e corporações estrangeiras nos nossos assuntos internos. Mas a população, que conheceu o lado repressivo da ditadura, não chegou a perceber que o seu fim não seria uma solução para o caminho tortuoso pelo qual empurravam o Brasil. A chamada Nova República, não era nova, nem República, mas um arremedo de democracia de fachada para um projeto maior de espoliação do Brasil. Montou-se um sistema partidário e de financiamento das eleições que afunilava o acesso ao Congresso dos que defendiam os direitos do cidadão. Formou-se um poder corrompido, que só poderia servir a quem pode corromper. Aquele que dispõe de dinheiro ou poder político. As coisas foram se ajeitando a favor de elites inescrupulosas e seus sócios estrangeiros, donos do grande capital.

Um esnobe senhor, com ar de nobreza, título universitário e conhecido com FHC, assumiu o poder como um barão do café, com soberba e desprezo pelo país e seu povo. Sua tese era a da dependência: desenvolver o capitalismo dependente das nações metropolitanas. Uma forma nova de colonialismo ensinado pelos neoliberais, com o título de globalização.

A partir daí foi a festa do investidor estrangeiro. Para afagá-los foi elaborado um modelo econômico que oferecia todos os favores ao capital estrangeiro, inclusive o endividamento público, com juros muito acima do razoável, para permitir a entrada de capitais especulativos, gerando divisas para a exportação de juros e lucros das multinacionais.

A população reagiu e elegeu o candidato da oposição, Lula. Mas esse e seu partido caíram em tentação, diante de um poder jamais visto por eles, e mantiveram o modelo suicida de FHC. O caos que daí decorreu todos nós conhecemos e amargamos hoje. Lula e sua sucessora, Dilma, serviram de bode expiatório para todos os desmandos que vinham sendo construídos e praticados ao longo de décadas, nos moldes modernos, e séculos sob o colonialismo e o escravismo.

Hoje temos no poder um governo que representa a culminância desse processo perverso, o Governo das Trevas. Este sabe muito bem da gravíssima situação do país e administra a sua liquidação, se é que seja possível.

Voltando à metáfora do abismo, podemos considerar que eles acreditam que não há abismo tão grande que caiba o Brasil. Só que eles têm um abismo pela frente. Seu projeto além de macabro é inviável, está condenado à morte. Mas na sua loucura, ou desespero, devem estar imaginando usar o Brasil para aterrar o abismo que seria menor do que ele. Nesse caso ainda sobraria um pedaço do nosso país para o usufruto da elite perversa que assaltou o poder. São impostores, capazes de trocar o Brasil por sua salvação, no caso, talvez, uma gorda conta bancária em algum dos bancos que sugam nosso dinheiro através da dívida pública. A sua intenção pode ser representada pelo apelo do rei impostor inglês Ricardo III, “Meu reino por um cavalo”

Se há um abismo, quem cairá nele serão eles, os representantes da elite calhorda que os apoia. Quanto ao Brasil será uma poderosa, livre e justa nação, exemplo para o mundo. Quem viver verá!

Rio de Janeiro, 16/8/2017.

04, agosto 2017 3:14
Por admin

Após a Primeira Guerra Mundial, o embate social

Arnaldo Mourthé

            Em 1917 o desânimo que afetava as populações dos países em conflito já era enorme. As baixas nas tropas atingiam a todas as famílias, com seus milhões de mortos e feridos. Os esforços de guerra eram desesperados. As mulheres foram mobilizadas para atender à produção e aos feridos, o que lhes daria força política para conquistar direitos civis. O uso maciço dos canhões destruiu tudo em torno das frentes de combate, praticamente imóveis. A destruição da região das linhas de defesa foi total, especialmente pequenas cidades, fortes e fortalezas. No campo político o desânimo se transformou em revolta. As organizações socialistas e comunistas, que defendiam os trabalhadores, identificaram a guerra como de interesse capitalista e não das nações em conflito.

Na França, durante os meses maio e junho, houve diversas greves com grandes manifestações que chegavam a reunir 100 mil pessoas. A reivindicação principal era o combate ao custo de vida que havia subido enormemente. O consumo das tropas não deixava grande coisa para o comércio corrente, e os preços subiam além da capacidade de compra do operário. Por causa disso os governos caiam. Na Inglaterra, ocorreram grandes greves, mas sem mudanças políticas. O gabinete de Lloyd George manteve-se. Na Itália, em agosto, ocorreram revoltas que pediam a neutralidade do país. Na Alemanha, 125 mil operários das indústrias de munição entraram em greve, e houve motins de marinheiros. Na Áustria esgotada, o próprio imperador Carlos I tenta negociações secretas para pôr fim à guerra, mas é malsucedido. O núncio apostólico em Munique, monsenhor Pacelli, mais tarde papa Pio XII, vai ao papa Bento XV em prol de uma mediação da Santa Sé para buscar o fim da guerra.

Mas o impacto maior ocorreu na Rússia. O descontentamento geral criou condições favoráveis para a vitória da Revolução de Outubro, (ocorrida em 17 de novembro de 1917, conforme o calendário gregoriano), com a queda do czarismo. Em 15 de dezembro a Rússia decide unilateralmente pela paz, o que seria mais tarde ratificado pelo tratado de Brest-Litovsk. A Alemanha poderia reforçar a frente oeste com seus 700 mil soldados da frente leste.

As classes dominantes, em todos os países, careciam da confiança da população. Mas os EUA estavam intactos. Sua economia esbanjava vigor. Nada do seu país fora destruído. As perdas humanas foram relativamente pequenas. Numa guerra onde os principais protagonistas foram destroçados, a presença americana fez a diferença. Naquele momento eles eram vistos como os campeões da paz, que eles teriam trazido para uma combalida Europa. Esta precisaria ser reconstruída e para isso os EUA seriam fundamentais.

Nessas condições o presidente Wilson pôde ditar os princípios do Tratado de Versalhes, que deu fim oficial ao conflito e definiu a política com a qual a Europa se comprometeria a partir de então. Tudo foi feito nos termos dos Quatorze Pontos do discurso que ele fez no Congresso americano em 8 de janeiro de 1918. Ali estavam expressos os princípios do liberalismo que deveriam nortear a política internacional nas próximas duas décadas. Entre eles destacamos: liberdade dos mares; abolição das barreiras econômicas entre os países; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas. E mais, a demolição do Império Austro-Húngaro, assim como a do Império Otomano, e a independência dos países deles dependentes, e, por fim, a criação da Liga das Nações. Numa só tacada, os EUA retiraram da Inglaterra qualquer presunção de hegemonia sobre a navegação, abriram para si os mercados da Europa industrializada e dos novos países independentes.

Eles, que já haviam superado a produção industrial inglesa, na primeira década do século XX, passaram a exercer uma liderança mundial incontestável nos planos diplomático e econômico. Mas, no seu discurso dos Quatorze Pontos, o presidente Wilson não tratou das causas da guerra, a posse desproporcional dos territórios coloniais em relação às economias das nações europeias. Não faltavam, portanto, motivos para uma nova guerra que viria em futuro próximo. A Conferência de Paz que deu origem ao tratado foi conduzida por Georges Clemenceau (1841-1929), presidente do Conselho de Ministros francês e pelo presidente Wilson. Dessa conferência a Alemanha e a Rússia não participaram, mas apenas os países vencedores. À Alemanha foi imposta uma indenização de guerra para cobrir todos os prejuízos de seus inimigos. O economista e financista inglês John Maynard Keynes (1883-1946), que participava da Conferência como delegado, ao lado do ministro inglês Lloyd George (1863-1945), opôs-se aos termos da indenização por sua inviabilidade, mas foi desconsiderado e retirou-se da reunião. Suas razões foram expostas no documento As consequências econômicas da paz, de 1919.

Keynes sabia que a guerra já não era mais um jogo de vontades. Ela se tornara um remédio amargo para o tratamento da contradição principal do sistema capitalista, a diferença entre os recursos aplicados pelo capitalista na produção e o preço das mercadorias produzidas. Ou seja, o lucro entesourado pelo capitalista, que gera estoques de mercadorias sem mercado. Os fatos históricos viriam comprovar que ele tinha razão: a crise de 1929; a revolta contra as imposições do Tratado de Versalhes aos alemães; a ascensão do nazismo ao poder; e a Segunda Guerra Mundial.

Na Inglaterra o clamor da população, que tanto sacrifício fez durante a guerra, levou-a a conquistar o sufrágio universal em 1918, a partir dos 21 anos para os homens e de 30 anos para as mulheres. Em 1928 as mulheres ganharam também o direito de votar aos 21 anos.

Desde 1919 as greves se multiplicaram, o que obrigou o governo a criar o seguro-desemprego em 1920. Em 1922 foi fundado o sindicato dos trabalhadores dos transportes. Em 1924 os trabalhistas, Labour Party, assumem o poder e levam a Inglaterra a reconhecer a URRS. Mas, onze meses depois, os trabalhistas perdem as eleições para os conservadores e Stanley Baldwin torna-se primeiro-ministro. Ele fez uma reforma monetária para restabelecer o padrão ouro para a libra esterlina, em 1925, elevou os preços dos produtos de exportação e também o desemprego. Em 1926, ocorre a greve geral dos trabalhadores. Em 1929 o Labour Party retorna ao poder com a crise econômica.

Os danos sofridos pela França foram maiores que os da Inglaterra. Ela teve 1.380.000 soldados mortos, dez por cento dos homens em idade de combater, e 4.270.000 feridos. Entretanto, a conquista territorial da Alsácia e Lorena consolou a população. Sua economia manteve-se estável, diferentemente do ocorrido na Inglaterra, e passou a crescer a partir de 1920. A força da agricultura foi decisiva para sua recuperação mais rápida. Mas no plano político a instabilidade foi muito grande. Entre 1918 e 1940, o governo francês mudou 42 vezes. O Tratado de Locarno, de 1925, garantiu as novas fronteiras da França, mas os franceses desconfiavam da recuperação econômica alemã e temiam uma nova invasão. Para aumentar sua segurança foi projetado um monumental sistema de defesa na fronteira dos dois países, a Linha Maginot. Sua construção começou em 1929 e terminou em 1936. Entretanto, por razões diplomáticas, essas defesas não cobriam a fronteira com a Bélgica, o que viria a ser desastroso quando da nova guerra de 1939.

Logo após a guerra a situação na Europa continental era caótica. Mas a reconstrução da Europa, apesar das frustrações dos perdedores, criou otimismo na população. A situação da Alemanha melhora a partir de 1924 e ela restabelece as boas relações com os países vizinhos.  Em reação às mágoas da guerra produz uma explosão artística no cinema com Fritz Lang e Marlene Dietrich. No teatro aparece a primeira peça de Bertold Brecht. O movimento expressionista se manifesta poderoso na pintura. Berlim concorre com Viena e se coloca como principal centro cultural Europeu. A revolução bolchevista também influenciou nesse processo. A simpatia pelo socialista aumentava e os comunistas se fortaleceram.

No Brasil também houve muitas mudanças, mesmo distante do cenário da guerra. Os trabalhadores já havia mostrado sua força na Greve Geral de 1917. Os industriais já se incomodavam com o poder dos barões do café. A movimentação na área política influenciara na formação de partidos de esquerda, contra a pressão social discriminatória e repressiva. Ocorreram revoltas militares importantes, como os Dezoito do Forte, em Copacabana, e a Coluna Prestes, que percorreu milhares de quilômetros no interior do Brasil. Os intelectuais de vanguarda realizaram a Semana de Arte Moderna em São Paulo, ali no principal centro de poder dos barões do café.

Mas falou mais alto a realidade econômica. Os conservadores voltaram ao poder com força na Europa. Nos Estados Unidos um boom de desenvolvimento gerou grande euforia. Mas tudo isso iria durar pouco. A prosperidade dos anos dourados daquela década terminaria com uma brutal crise econômica em 1929.

Rio de Janeiro, 03/8/2017.

 

 

 

02, agosto 2017 4:43
Por admin

Artimanha perigosa do Impostor

Arnaldo Mourthé

            Assistimos hoje na televisão uma cena de soldados do exército parando caminhões de carga na Avenida Brasil, para revista. Segundo o noticiário, tratava-se de ação de controle à procura de armas de uso exclusivo das forças armadas, que abasteceriam o crime organizado no Rio de Janeiro. Esperamos que seja para o bem da sociedade, como mencionou o apresentador do noticiário.

Essa ação está inserida no acordo entre governo do Estado e a União para combater o crime organizado, com o suporte das Forças Armadas. Segundo o Ministro da Defesa seria uma colaboração de “inteligência” para descobrir as origens das armas e os arsenais clandestinos. Se o crime organizado usa armas pesadas, de uso exclusivo das Forças Armadas, nada mais justo que elas cuidem dessa questão.  Mas precisariam elas de um acordo formal entre União e Estado para cumprir essas tarefas? Evidentemente que não. Basta o Ministro determinar que elas sejam executadas. Tudo indica, portanto, que o acordo vai mais além da questão do crime organizado e suas armas ilegais.

Tramita na Câmara de Deputados um pedido de autorização do Supremo Tribunal Federal para processar o Presidente, por crimes praticados no exercício do poder. Há uma grande movimentação do governo e de seus acólitos para evitar a aprovação da investigação, embora sejam necessários apenas 172 votos, um terço mais um, dos 513 deputados federais, para parar a investigação. Seria fácil para um governo que teve maioria para aprovar a Reformas  da CLT. Acontece que uma pesquisa de opinião da semana passada mostrou que 81% dos entrevistados é a favor da sua continuidade, e que apenas 5% apoiam seu governo. Esse dado nos indica a fragilidade do governo, não apenas na opinião pública, como no próprio Congresso Nacional, apesar das benesses concedidas a deputados e senadores por seu apoio.

A administração pública, nos Estados e na União, está caótica. Funcionário sem receber salários, entidades sem recursos para suas atividades, prédios caindo aos pedaços, pessoas morrendo na porta de hospitais por falta de assistência médica, a educação pública na maior precariedade, a infraestrutura de transportes deteriorada, quatorze milhões de desempregados e outro tanto de subempregados. A fome e a morte batem à porta de dezenas de milhões de brasileiros. Essa situação não é normal e nunca ocorreu no país tamanha calamidade. Por muito menos o povo foi para as ruas exigir providência do governo, ou para pedir seu fim. Foi isso que aconteceu nos impeachments de Collor e de Dilma. Não me cabe especular sobre o porquê de não ter havido algo parecido para a saída de Temer. São mistérios da política, ou falta de perspectiva sobre a sua substituição. Não há grande coisa a escolher para governar o País, onde os poderes Legislativo e Executivo caíram no descrédito pelos desmandos e pela corrupção, e os discursos políticos tornaram-se vazios, incapazes de apontar caminhos, e de mostrar à população as origens e as consequências desses desatinos que estão sendo praticados.

Nesse quadro, os governantes tentam de tudo para manterem-se no poder. Este pode escapar-lhes se o povo for à rua, como o fez em 2013, com reivindicações precisas e sem rótulos políticos. Eles não têm nem mesmo a segurança de ter a polícia para fazer o serviço sujo como fez naquela época. Os próprios policiais não confiam mais no governo federal nem no do Rio de Janeiro. Esse quadro talvez explicque a mobilização das Forças Armadas para o dito “combate ao crime organizado”. O governo Temer busca na verdade desencorajar a população de usar o seu direito de protestar e, também de derrubar o governo. Por que não?

Há mais de trezentos anos o filósofo liberal inglês John Locke (1632-1704) admitia o direito do povo de derrubar os governos que não cumpram com sua obrigação de respeitar as leis, especialmente, quando enveredam no caminho dos desmandos e da prevaricação. Ele disse: (…)  tem-se o direito não somente de livrar-se da tirania, mas também de evitá-la.” Mais tarde, os Pais Fundadores dos Estados Unidos escreveram:

(…) Nós temos por evidentes por elas mesmas as verdades seguintes: todos os homens são iguais; eles são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis: entre esses direitos se encontram a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Os governos são estabelecidos entre os homens para garantir esses direitos, e seu justo poder provém do consentimento dos governados. Todas as vezes que uma forma de governo ameace esse objetivo, o povo tem o direito de mudá-lo ou de aboli-lo, e estabelecer um novo governo, fundado sobre os princípios e organizado na forma que lhe parecerão os mais adequados para lhe oferecer a segurança e a felicidade […]

A grave crise que o Brasil atravessa está servindo de oportunidade para que um grupo de aventureiros a serviço de interesses externos ao país possa manipular de forma cínica as instituições, por meio de trapaças e da corrupção. Eles se consideram intocáveis, pois foram colocados lá pelo poder financeiro internacional. Desafiam o Poder Judiciário e aquele que é realmente o poder, o nosso povo, o cidadão brasileiro. Para tanto agora se dão o direito de colocar as Forças Armadas cumprindo papel de polícia. Ultrapassaram todos os limites já conhecidos de um poder de impostores.

Há que fazer uma reflexão profunda sobre tudo isso. Especialmente aqueles, como eu, que conheceram as tramas que levaram à ditadura militar, e os atos lesivos dela, que até hoje refletem de forma negativa na nossa vida de pessoas e de Nação. Vamos falar apenas de dois casos, que são oportunos: o crime organizado, e a crise financeira da União. Todos os dois têm reflexos em toda a sociedade brasileira.

O crime organizado começou com a ditadura. Antes delas os bandidos eram individualistas. No máximo atuavam com alguns parceiros, sempre poucos, pois sua atividade podia ser considerada de subsistência. Nesse quadro ficaram famosos alguns destemidos, com Lúcio Flávio, no Rio e Sete Dedos em Minas Geias. Havia traficantes, mas a droga da época era a maconha. Seu consumidor era chamado “maconheiro”, uma expressão pejorativa. Os que traficavam não tinham armas pesadas. Eram oportunistas e usavam o subterfúgio. Nem chegavam a preocupar a sociedade.

Com a ditadura, os jovens que se rebelaram, tidos como “subversivos”. eram “torturados” e levados à prisão comum, onde se encontravam com os criminosos de todos os tipos. Os prisioneiros políticos eram respeitados. Não haviam praticado nenhum crime e haviam demonstrado destemor. Todos os bandidos queriam conversar com eles. Assim aprenderam a se organizar, pois a clandestinidade exige organização e disciplina. Depois de liberados, alguns desses criminosos transformaram-se em chefes de quadrilha poderosos. O mais conhecido do Rio foi o Escadinha. Mas isso não aconteceu apenas no Rio. Vê-se que  foi a política repressiva da ditadura que criou o crime organizado, que hoje domina o tráfego de drogas. Será a repressão o instrumento que irá destruí-lo?

A crise financeira começou com “o Brasil grande”. Investimento em massa com recursos externos que gerou a dívida externa, que depois, por obra e graça de Fernando Henrique Cardoso, se transformou na dívida pública, que financiou a ascensão desse governo de impostores. Sobre esse assunto já nos discorremos longamente. Para aqueles que têm interesse em conhecer mais sobre o assunto, recomendo buscar na internet o documentário “Dívida pública: soberania na corda bamba”.

Não há nenhuma política pública válida que possa justificar o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. As funções delas são outras e muito mais nobres: defender a Soberania Nacional e as Instituições republicanas. Um governo sério as deixaria com seus deveres e as ajudaria a se prepararem para a Nobre Missão de defender o Brasil, quando esse tiver que tomar as medidas contra os espoliadores internacionais que estão abusando de todos nós. Usam-nos como instrumentos para satisfazer seus interesses mesquinhos. No caso do Brasil querem que nos tornemos uma grande zona industrial, sob seu controle, para concorrer com os produtos chineses. É um projeto tresloucado, mas que pode nos transformar em uma colônia e nossos trabalhadores em servos.

O objetivo de Temer, é usar as Forças Armadas contra o nosso povo. As experiências dessa natureza foram trágicas, e não foi apenas a da ditadura. Não há nada que justifique um conflito entre Forças Armadas e o povo. Elas foram constituídas para defender a Nação, e esta não existiria sem o povo que a construiu. Na República verdadeira todos do povo são cidadãos, origem de todo o poder do Estado Republicano. Sendo assim, a artimanha do Presidente é um golpe contra toda a Nação. A intenção é destruí-la. Transformá-la em uma colônia de novo tipo, sob a tutela do poder financeiro, cuja seja está na Wall Street, em Nova Iorque.

Chegou a hora de nós, povo brasileiro, acordarmos e passarmos a trabalhar em um projeto para a grande Nação que nós somos. Para isso nossa unidade é necessária, enquanto brasileiros. Esqueçamos a luta entre “coxinha” e “mortadela”, que nos desune e cria as condições ideais para sermos dominados. A humanidade nos agradecerá.

Rio de Janeiro, 01/8/2017.

 

 

 

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