18, setembro 2018 6:05
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A transmutação

Arnaldo Mourthé

A condição caótica que a humanidade atravessa ultrapassa a compreensão da maioria das pessoas. Tudo que parecia ter uma lógica, mesmo que ela não atendesse nossas expectativas, já nos parece confuso e contraditório. Nossa percepção está correta: tudo está confuso e contraditório. Isto é, nossa competência tornou-se insuficiente para analisar as situações, mesmo aquelas às quais estávamos habituados. Os que se consideravam sábios, são os mais confusos. Suas observações, consideradas anteriormente sábias, tornaram-se frágeis, incapazes de explicar aquilo que anteriormente eles pareciam dominar no plano teórico, da razão. Quando insistem nos seus supostos conhecimentos, tornam-se dogmáticos, autoritários e irrecorríveis, avessos ao contraditório.

O futuro parece-nos nebuloso, mesmo indecifrável. Seria o “fim dos tempos”? Essa expressão, encontrada em textos bíblicos, e repetida por muitos sem qualquer reflexão, assusta alguns. Há quem tire proveito disso “vendendo” o Céu para pobres crentes. O “Fim dos tempos” não é o fim do Mundo. Trata-se realmente de certo tempo, certa época, certa condição. O termo Apocalipse, usado como catástrofe, não tem esse significado da sua origem, que é Revelação. Um momento de revelação, onde a verdade será conhecida. Simples assim. Esse é o novo tempo do fenômeno da transmutação, a superação de uma condição para alcançar outra condição superior.

O fato é que vivemos um tempo de mudanças radicais. Alguns podem não saber, mas tudo que existe, da luz mais sutil à matéria mais densa, é energia. Foi esse conhecimento que levou Einstein a formular a relação entre matéria e energia na sua conhecida fórmula E=mc², que permitiu aos cientistas construírem a bomba nuclear, triste decisão. Sendo tudo energia, como podem existir tantas coisas diferentes? Simplesmente pelo nível de vibração da energia. A cada nível de vibração ela se manifesta de uma maneira diferente, da matéria mais inerte à luz mais sutil. Há muitas coisas que não conseguimos compreender, pois nosso saber está restrito à condição na qual vivemos e a nossas experiências. A partir de certo nível de vibração da energia é possível ocorrer a vida como nós a conhecemos, os micro organismos, as plantas, até o ser racional que é o homem. Mas há vida além dessas que conhecemos. São os espíritos nas suas mais diversas expressões. Tudo isso forma o Universo ou os universos, como formulam alguns.

Sem esses conhecimentos e outros que podemos alcançar não é possível interpretar de forma correta o que ocorre no Planeta Terra. A crise que vivemos no Brasil está em todo o Planeta, em manifestações tão diversas que alguns não percebem a crise. Isso porque ela não é só financeira, econômica, institucional, ética e moral, mas uma crise de mudanças de condições vibracionais do próprio Planeta, e mais que isso, de parte do Universo. Entretanto, isso não significa que nós não tenhamos responsabilidades na crise que vivemos, porque nossa ignorância trava sua solução. Nós fazemos parte do Planeta. Nossos pensamentos, que são vibração energética, atuam sobre a Natureza e, sobretudo, sobre as outras pessoas imobilizando-as nos seus pensamentos errôneos e dogmas, crenças infundadas. Essas pessoas mantêm a vibração da condição anterior, na qual vivíamos, impedindo que a nova condição de vibração superior se imponha alterando as conflituosas que nos mantêm indefesos diante do egoísmo dos dominadores, que fazem de nós joguetes e nos escravizam.

O caos que estamos vivendo ainda existe devido à nossa ignorância que nos leva a atitudes negativas, principalmente ao conflito com os outros, nossos semelhantes e com a própria Natureza. Hoje, no Brasil, esse conflito se manifesta na sua forma mais expressiva nos embates eleitorais. No acirramento das vontades, sem verdadeiros fundamentos, gerados por nossas ilusões. Essas nos são impostas, desde nosso nascimento quando nos deparamos com preconceitos que nos são incutidos de forma sistemática por um sistema perverso, ao qual não escapam nem as pessoas de boa vontade e nossos familiares que nos criam com tanto amor. A alienação é sistêmica. Não vou citar exemplos para não ofender a pessoas de boa fé, nas suas mais variadas crenças que incluem pensamentos errôneos inoculados nos seus cérebros, de tal forma que parecem a mais pura verdade.

Prezados amigos. Parece que o Apocalipse catástrofe chegou para nós, mas isso é apenas mais uma ilusão. O que chegou é a Revelação. É a esta que Jesus de Nazaré se referia ao afirmar conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Essa libertação implica em outro fenômeno a que ele se referiu como a separação do joio do trigo. Está apenas em nossas mãos  alinharmos com a fraternidade e conseguirmos nossa libertação, ser o trigo, ou com o egoísmo e escolher ser o joio.

Rio de Janeiro, 14/9/2018.

07, setembro 2018 10:35
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“O quinto dos infernos”

Arnaldo Mourthé

Nos primórdios da colonização do Brasil D. João III decidiu conceder a exploração do território a pessoas de sua confiança e com posses, capazes de fazer os investimentos necessários a tamanha empreitada. Isso se deu nos anos de 1534 a 1536. Assim foram criadas as capitanias hereditárias, concessões territoriais aos donatários, seus governadores, com o poder de explorarem suas riquezas, mas sem direito de propriedade das terras. Para tal ele usou dois instrumentos jurídicos, a Carta de Doação, que concedia a posse e a Carta Foral, que explicitava direitos e deveres dos donatários. Foram doze donatários para as quinze capitanias criadas. A eles foi conferido o direito de escravizar os índios, para os trabalhos na lavoura ou para enviá-los a Portugal, nesse caso em número limitado. Lhes era garantido o direito de cobrar 10% sobre as pedras e metais preciosos retirados de seu território e o dever de recolher mais 20% para a Coroa portuguesa. A liberdade do donatário era enorme. Ele administrava e explorava o território, tinha o poder de subconceder terras para exploração a terceiros e de combater os intrusos ou os índios que impedissem as ações de colonização.

No período da exploração do ouro na região das Minas, de onde veio o nome do Estado, Minas Gerais, foi mantido o tributo de 20% do valor de todo ouro ali extraído. A riqueza era enorme. Apenas a região das Minas produzia mais ouro que todo o resto do mundo. Daí a riqueza do Império português. Ouro preto era a segunda maior cidade do Império, depois de Lisboa. Era também a segunda maior cidade das Américas, depois da cidade do México,  construída sobre a capital do Império Asteca. O Brasil não apenas financiou a expansão do Império português como enriqueceu os banqueiro da Inglaterra e dos Países Baixos. Dali adveio a força do sistema financeiro mundial  que hoje invade o mundo por toda parte na tentativa de dominá-lo.

Com a redução das minas de aluvião, as catas, e o impedimento da criação de indústrias necessárias para a produção de equipamentos para a perfuração de minas e buscar o ouro nas entranhas da terra, como mais tarde se fez e até hoje se faz. Houve uma grave crise econômica nas áreas de mineração. A indignação dos mineiros produziu o momento independentista Inconfidência Mineira, que todos nós devemos conhecer. Mesmo assim o quinto do ouro foi mantido a ferro e fogo. Os catadores se arruinavam e a economia se estagnava. Quando da cobrança do tributo, o contribuinte costumava dizer: “Vai buscar o quinto nos infernos”. Daí surgiu a expressão “quinto dos infernos”, o imposto cobrado para a Corte portuguesa, título deste artigo.

Apesar dos tributos à Corte e dos 350 anos de escravidão o Brasil se fez Nação. Mas nossa nação está sendo demolida pelo novo “quinto dos infernos”, que são os juros da dívida pública brasileira. Os Inconfidentes de insurgiram contra a cobrança do quinto do ouro. Mas o Brasil continuou a trabalhar para manter-se e crescer, além de alimentar os vampiros internacionais. Não fosse essa espoliação seria uma das nações gigantes do Planeta. Mas a espoliação cresceu exponencialmente. Nós não pagamos apenas o “quinto do ouro” e dos outros metais e pedras preciosas. Nós pagamos “o quinto dos infernos” sobre tudo o que nós produzimos, mercadorias ou serviços. Essa situação fez com que nossos serviços públicos se deteriorassem e nosso patrimônio, público e privado, vendido ao capital estrangeiro. Somos hoje uma nação ocupada pelo capital financeiro, fonte da epidemia de corrupção que demole e desagrega o País. Se você duvida do que afirmei acima, informe-se sobre a dívida pública e suas consequências, e a participação do capital estrangeiro na nossa economia.

A queima do Museu Nacional não foi por omissão ou descaso de gestores ou funcionários. Pelo contrário, eles se sacrificaram durante muitos anos para mantê-lo funcionando. Ela foi produzida pela demolição do Estado e da Sociedade, de forma deliberada pela ganância dos investidores e a corrupção de políticos e formadores de opinião.

Nós já nos referimos à Inconfidência Mineira. Lembremo-nos também dos abolicionistas que combateram a escravidão. Foram muitos. Para representá-los, transcrevo abaixo pequenos trechos de dois poemas de Castro Alves, “Navio negreiro” e “Vozes d’África”.

 

Navio negreiro

Senhor Deus dos desgraçados!  
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados  
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz? 

                        *

Vozes d’África

Deus ó Deus! Onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes

Embuçado nos céus?

Há dois mil anos te mandei meu grito,

Que embalde desde então corre o infinito…

Onde estás, Senhor Deus?…

A resposta virá, embora muitos não creem. E é para já!

Rio de Janeiro, 05/9/2018.

 

03, setembro 2018 7:08
Por admin

Que o Museu Nacional seja o último patrimônio do Brasil a ser queimado!

Arnaldo Mourthé

Dia 2 de setembro. Um nova data da coleção das tragédias nacionais. O fogo devastou o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Terá sido acidental o sinistro? Não o foi. Ele era previsível, dado o descaso das autoridades para com a coisa pública. Ainda há a hipótese que tenha sido criminoso. A proliferação das chamas foi de uma rapidez difícil de ser compreendida. Basta observar o prédio do alto. Um edifício com aquela extensão não poderia ser todo alcançado pelas chamas em tão pouco tempo, considerado o relato de quem acionou o corpo de bombeiros e a presteza do atendimento à chamada: seis minutos. Mas essa é uma questão de polícia, embora seja de nossa responsabilidade investigá-la. A proporção do evento e seus significados nos impõe esse cuidado.

O Museu Nacional não é um caso isolado. Ele é um ponto de uma enorme série de eventos que visam destruir nossos patrimônios públicos, para desorganizar nossa sociedade, a fim de prepará-la para aceitar a submissão ao atual candidato a ser nosso senhor. O primeiro senhor foi a Coroa portuguesa, que o fez através das Capitanias Hereditárias, que implantaram a escravidão no Brasil, primeiro dos índios, o que não conseguiram viabilizar, depois dos africanos capturados ou comprados dos reis tribais que os capturavam de outras tribos. Instituiu-se um sistema escravista que se manteve por 350 anos. Depois foram os barões, da cana, do ouro e do café, que constituíram uma casta, que deixou como descendentes uma elite  calhorda que insiste que o Brasil é propriedade dela.

Dos senhores de engenho aos barões do café, as castas que dominavam o Brasil pela concessão ou propriedade das terras viveram da aliança com o explorador estrangeiro, cortes, traficantes de escravos e mercantilistas de toda espécie, para a espoliação do povo brasileiro e do nosso território, pródigo em madeiras, produtos agrícolas, ouro e pedras preciosas, e minério de toda espécie.

Houve um momento que a população se viu tão humilhada e espoliada, que se lembrou dos Inconfidentes Mineiros e revoltou-se. Isso foi na segunda década do século XX. Começou com a greve geral em São Paulo em 1917, onde já havia um embrião da classe operária nascida da recente industrialização e da urbanização consequente. Na segunda década do século XX, a indignação manifestou-se nas revoltas dos tenentes pelo Brasil afora, e nos movimentos dos intelectuais, cuja maior expressão foi a Semana da Arte Moderna de São Paulo, em 1922.

O Brasil amadurecera para tomar conta de seu destino. A crise econômica de 1929, que se iniciou nos EUA, faliu cafeicultores e banqueiros. Os “barões do café” desesperado tramaram manterem-se no poder para aplicar uma política financistas que os beneficiasse e os tirasse da crise, com mais sacrifícios da população trabalhadora, operários e classe média. Fraudaram a eleição a favor de seu candidato. A população se indignou e os estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais decidiram intervir. Houve a Revolução de 30, que deu um rumo ao Brasil buscando a industrialização e a proteção do trabalhador, através de uma política social, priorizando a educação, a saúde e a legislação social, através das leis trabalhistas e da Previdência Social, e da extensão às mulheres do direito ao voto.

A elite calhorda desbancada do poder não se conformou. Aliou-se a interesses estrangeiros e, juntos, investiram contra os presidentes progressistas, especialmente, Getúlio e Juscelino. Uma conspiração alimentada pela corrupção levou Getúlio ao suicídio e, mais tarde, tentou impedir a posse de Juscelino. Quando sua tentativa da elite de voltar ao poder tropeçou no rompante de Jânio, que ela conseguiu eleger contra o general Lott, mas que não conseguiu governar por contradições internas de seus apoiadores. Sobrou o governo para Jango que tentou resgatar a política social e de desenvolvimento de Getúlio. Veio o golpe de Estado com apoio ostensivo das corporações internacionais e do próprio governo dos EUA. Depois disso todos conhecem a história. A ditadura, com sua atrocidade e obscurantismo, e os governo que vieram depois, controlados pelos deputados corruptos da elite e pelo capital financeiro que financiou desde FHC à tragédia nacional de hoje. Daí para cá começou a ser queimado nosso patrimônio.

Tudo começou o ataque sistemático à Constituição de 1988, que Ulisses Guimarães via como a “Constituição Cidadão”, mas FHC como um obstáculo a seu projeto de entregar o Brasil ao controle da capital financeiro internacional, classificando todos que a apoiavam de “dinossauros”, no sentido de pré-históricos. Para ele a história deveria começar com o neoliberalismo que escraviza todos aos interesses do capital financeiro. Implantou um projeto de “queima” do patrimônio nacional, público e privado. O capital financeiro comprou tudo, como o os votos dos congressistas para as reforma da constituição, incluindo a da reeleição, e a mídia, que já era dominado em grande medida pelas corporações controladas por ele.

A corrupção torou-se endêmica, infiltrando no público e no privado, especialmente na mídia, que tornou-se dócil e manipulada para enganar a população. Criou-se condições  favoráveis para desmantelar o poder político, submetido ao corruptor, o aparelho de Estado e a economia nacional, que passou a ser fornecedora de “commodities” , minerais e alimentos, que geram os dólares que voltam para sua origem como pagamento dos lucros e juros obtidos pelo capital estrangeiro, sem fronteira e sem lastro: dinheiro falso. Foi criada uma monumental dívida pública para aprisionar os governantes ao capital financeiro e para consumir o orçamento, obtido através de impostos pagos pelo trabalho mal pago do brasileiro.  Os juros da dívida foram comendo todos os impostos e destruindo os serviços públicos. O patrimônio público se  deteriora e as pessoas ficam desassistidas. O déficit orçamentário torna-se volumoso, o que serve de argumento para vender todos os patrimônios públicos. Até o que está debaixo da terra ou do mar, como o petróleo. Querem privatizar o sistema elétrico e com ele as nossas águas fluviais. Fala-se até um privatiza o aquífero Guarani, uma das maiores riquezas da Terra. É a política da terra arrasada. Os números do desmonte espanta o mais pacato do cidadão. As pessoas não reagem porque não conhecem nossa realidade, e não têm nem capacidade para acreditar no que está acontecendo.

O desmonte vai além do patrimônio. Atinge toda a sociedade, a todas as famílias, a todas as pessoas. Mesmo os privilegiados, pois estão deixando de ter uma Pátria. Eles aceitam a condição de vassalos do dominador, o capital financeiro internacional. A saúde, a educação, a cultura,  a qualidade vida, a natureza, a moral, tudo se degrada. A ética não é mais  considerada, pois não há mais respeito ao outro. A mídia é o segundo maior instrumento dessas atrocidades, depois do dinheiro da corrupção.

Esperemos que, ao ver queimado o Museu Nacional, a população acorde de seu sono, que parece eterno, e que dê um não a tudo isso. Que a intelectualidade acomodada no seu aparente conforto acorde também. Ela não escapará ao desmonte. Não serão apenas aqueles que perderam seus empregos as vítimas do capital financeiro nacional e internacional. Seremos todos nós. Está na hora de decidir. Nós ou eles?

Rio de Janeiro, 03/9/2018

02, julho 2018 3:26
Por admin

Prezados amigos,

Realmente a situação do Brasil nunca foi pior que neste momento. Nossas instituições desmoronam. A população está perplexa diante da crise que nos assola, no poder, na moral, na economia. O Estado está falido. Não arrecada o suficiente para pagar os juros da dívida que acumulou ao longo das últimas cinco décadas, aceleradamente a partir de 1995, com o governo de FHC. Soma-se a ela a venda dos nossos patrimônios mais valiosos, desde então, e o desmonte dos serviços públicos. Os últimos governos cumpriram à risca o projeto de destruição do Estado brasileiro ali elaborado. Nenhum deles teve a coragem de resistir à entrega do país, para reduzi-lo a uma colônia do capital financeiro. Os escândalos que vemos vêm revelando isso.

O governo Temer, cria da aliança do PT com o PMDB contra o povo brasileiro, veio para decretar a falência do Brasil e entregá-lo impotente ao capital financeiro internacional que fez das nossas “elites” econômicas e políticas seus vassalos. Ele tudo corrompe, formadores de opinião, em especial, e todos que possam ser úteis a seus serviços macabros. Há uma grande indignação, mas as pessoas não sabem como encontrar uma saída. Os que poderiam resistir encolhem em sua condição de “conforto”, como se ele fosse possível no caos. Uma postura de cumplicidade. A maioria são “pobres coitados” iludidos. Grande parte deles está alienada: não têm noção da realidade pela desinformação sistemática, através dos meios de comunicação e outros.

Nesse quadro a extrema direita se mobiliza, numa atitude oportunista envolvendo caminhoneiros desavisados, para pregar a intervenção militar. São saudosistas da ditadura militar e ingênuos a serviço do que a humanidade criou de pior, o sistema financeiro internacional, dominado por uma sociedade secreta conhecida como “Cabala escura”. Seus dirigentes estão desesperados com a quebra próxima do sistema financeiro que usam para dominar o mundo. Seu projeto fracassou e seus dias estão contados. O que eles fazem são ações de desespero, que envolvem corrupção, guerras de conquistas e desmantelamento das instituições criadas pela humanidade criativa e respeitosa para com o próximo.

Não há solução para esse impasse que passe pela violência. Esta é uma de suas armas prediletas, junto com a corrupção e a desinformação, para manter a humanidade na obscuridade. Mantendo-nos ignorantes eles reinam, impondo o que querem. O grande exemplo moderno do combate a eles foi a luta de Gandhi pela libertação da Índia, baseada no apego à verdade e na não violência. O que os intervencionistas querem é o contrário disso: é o golpe violento, a desorganização da sociedade e a imposição de uma Nova Ordem Mundial, dos banqueiros, isto é, da “Cabala escura”.

Para refrescar a memória envio em anexo o capítulo de meu livro História e colapso da civilizaçãoAs ditaduras como solução para a expansão capitalista. Foi na ditadura que todo esse processo começou. FHC apenas o retomou, de forma mais sofisticada e o transferiu para Lula promotor dos governos Dilma e Temer.

Se você quer que seus descendentes tenham uma Pátria e uma vida digna, chegou a hora de informar-se para ter condições de defender nosso futuro como pessoas e como nação.

Um grande abraço,

Arnaldo Mourthé

 

Capítulo sobre as ditaduras 

As ditaduras como solução para a expansão capitalista

O êxito do golpe militar no Brasil levou os estrategistas americanos a adotar, nos países em que encontravam dificuldades para impor suas políticas de dominação, a mesma forma de intervenção. Deixaram, por uns tempos, sua máscara de arautos da democracia e da liberdade, para se associar às elites impatrióticas dos países periféricos, com o objetivo macabro de destruir seus projetos de desenvolvimento soberano. Logo depois, em 1965, foi desfechado o sanguinário golpe na Indonésia, que produziu cerca de 700 mil mortos (78). Em 1973 ocorreram os golpes do Chile e do Uruguai e, em 1976, da Argentina. Para melhor compreender a natureza dos regimes militares implantados por toda parte, sob inspiração e ajuda direta dos Estados Unidos, vamos analisar sumariamente o que foi a ditadura militar no Brasil.

Nós vimos que o golpe de Estado de 1964 foi executado por uma aliança do capital estrangeiro, das classes sociais brasileiras mais retrógradas e privilegiadas, e de um grupo de oficiais golpistas da forças armadas, que haviam estabelecido uma ligação privilegiada com os comandos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. As alegações do perigo vermelho (comunismo) contra nossos valores cristãos, para justificar o golpe, foram analisadas e desmoralizadas, da mesma forma que as das armas de destruição em massa de Sadam, mais recentemente. Mas, no poder, os militares precisavam algo que justificasse tamanha iniquidade.

As primeiras ações do governo foram de repressão, muito além de qualquer justificativa de segurança do poder usurpado. Em 9 de abril de 1964, a junta militar, composta pelo general Artur da Costa e Silva, tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo e o vice-almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald, editou o Ato Institucional que concedia ao governo militar o poder de alterar a Constituição, investindo-se de Poder Constituinte. O mesmo ato convoca eleição indireta para a Presidência da República para 11 de abril, e se autodenomina Revolução, um acinte à verdade histórica com o uso da semântica como instrumento de fraude linguística. No dia seguinte foi publicada a primeira lista de cassações com 102 nomes, 41 deles deputados federais. Estavam ali as mais proeminentes figuras políticas, militares e intelectuais da sociedade brasileira. Essa brincadeira continuou por mais de cinco anos. Até 14 de outubro de 1979 foram editados dezessete Atos Institucionais, que destruíram a Constituição, atingindo profundamente os princípios republicanos de segurança, liberdade e equidade. A prática política passou a ser aos amigos tudo, aos inimigos a Lei tirânica, feita especialmente para eles. Foi um período negro da história do Brasil. Vejamos como isso ocorreu.

Os meses de abril e maio de 1964 foram de prisões em massa, arbitrárias e clandestinas. Mesmos os atingidos, como eu, não havíamos apreendido o alcance de todas aquelas brutalidades e aberrações. Aos poucos, foi-se desenhando para nós o quadro da tragédia nacional, dirigida por uma brutal interferência estrangeira nos assuntos internos do nosso país, cujo objetivo era moldar o mundo aos seus mesquinhos interesses. Até poucos anos atrás, muitos brasileiros quase nada sabiam sobre o que havia acontecido no Brasil no período da ditadura. Isso nos impõe algumas revelações pessoais e a rememorar alguns fatos que não deixam dúvidas sobre a natureza desumana e antinacional da ditadura. Vamos a eles.

Quando eu preparava um dossiê para solicitar minha anistia, nos termos do artigo 8° das Disposições Transitórias da Constituição, não consegui obter junto às autoridades de Minas Gerais um único documento que comprovasse minha detenção em abril de 1964. A alegação era de que os arquivos haviam desaparecido. Consultando todos os jornais de Belo Horizonte, no período de 1° de abril a 15 de maio, não encontrei nenhuma notícia sobre prisões em Belo Horizonte. Nesse período foram publicadas apenas duas notas sobre a matéria. Uma se referia a um ex-militar, que teria sido preso sob suspeita de ser ligado a Leonel Brizola. A outra tratava de especulações sobre o paradeiro do próprio Brizola. Como o documento que eu procurava tornou-se uma exigência da Comissão de Anistia, sob a alegação de que “qualquer ato de prisão deve ter uma decisão judicial” – seria isso ingenuidade? –, voltei às autoridades, dessa vez ao próprio secretário de Segurança Pública. Ele foi sincero. Afirmou que os documentos relativos às prisões haviam sido queimados por alguns policiais, ainda sob a proteção da ditadura, para evitar futuros processos das vítimas contra o Estado pelas arbitrariedades cometidas. Ele também disse haver um documento que listava os nomes das pessoas detidas, que fora feito para comunicação às autoridades militares.

Mediante um requerimento consegui receber parte do documento, que continha os nomes iniciados pela letra “A”. Datilografado com certa competência, no seu cabeçalho vem escrito:

 

RELATÓRIO, 30-7-1964. Relação dos esquerdistas e agitadores detidos pelas autoridades revolucionárias em BELO HORIZONTE, de 1° de abril até a presente data, todas registradas no DOPS.

 

Nele constam 51 nomes com inicial “A”. São profissionais liberais, comerciantes, professores, estudantes, operários, funcionários, sindicalistas, etc. Alguns de renome na cidade, mas nenhum deles mereceu uma linha sequer dos jornais de Belo Horizonte. Tudo se passava como se a vida transcorresse na mais absoluta paz e normalidade. Para mim, apesar de acostumado aos desmandos ditatoriais, à prisão, à tortura e ao exílio, foi um choque. Mas como? A imprensa não disse nada? Onde estava a tão decantada liberdade de imprensa?

Houve exceções, como foi referido no capítulo anterior. Assim como a bravura do Correio da Manhã, cujos proprietários, diretores, editores e jornalistas, pagaram o preço de perderem o jornal, o emprego e a liberdade. Mais tarde, alguns deles puderam ser encontrados no exílio, como a proprietária Niomar Moniz Sodré Bittencourt, seu irmão Edmundo Moniz e outros. Quando eu ainda me encontrava preso no Dops do Rio de Janeiro, um grupo de prisioneiros conseguiu passar para fora da prisão depoimentos sobre suas prisões e torturas sofridas. Esses depoimentos, de próprio punho, foram fotografados e publicados pelo Correio da Manhã de 18 de setembro de 1964. Os autores das denúncias foram: Raul Alves do Nascimento Filho, ex-diretor da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil; Avelino Capitani, fuzileiro naval; José Lima de Azevedo, estudante angolano; Antônio Geraldo Costa, cabo da Marinha; Arnaldo de Assis Mourthé, engenheiro; Severino Vieira de Souza, marinheiro; Leo Gomes de Oliveira, coreógrafo; Guido Afonso Duque de Norie, bancário do Banco do Brasil e estudante da Faculdade Nacional de Direito; Cosme Alves Ferreira Neto, industrial. Na apresentação das denúncias o Correio da Manhã fala da intenção do advogado de alguns desses prisioneiros, Ekel Luis Sérvio de Souza, de recorrer à Justiça,

 

[…] e coloca as fotocópias desses documentos à disposição do general Ernesto Geisel, chefe do Gabinete Militar da Presidência, que está investigando as denúncias sobre tortura nos estabelecimentos militares do país (22).

 

A tortura não foi contida, mas reduzida por um período de acomodação da opinião pública. Mais tarde ela voltaria mais brutal, quando os assassinatos políticos tornavam-se rotina para os órgãos de repressão da ditadura.

 

* * *

 

O Ato Institucional n. 2, editado em 27 de outubro de 1965, desbaratou os partidos políticos, abrindo caminho para a criação do sistema bipartidário, com a Arena e o MDB, popularmente apelidados de “partido do sim” e “partido do sim senhor!”. Os sindicatos estavam sob intervenção; o movimento estudantil entregue aos asseclas dos golpistas; a maior parte dos líderes políticos mais expressivos presos, exilados ou na clandestinidade. Abriu-se assim o caminho para a política econômica entreguista dos golpistas udenistas.

O ministro do Planejamento, Roberto Campos, conhecido defensor do capital estrangeiro, coordenou o projeto da reforma econômica. Suas principais medidas foram:

 

  1. a) Eliminar a estabilidade do trabalhador e criar o FGTS.
  2. b) Limitar o reajuste dos salários dos trabalhadores a 50% da taxa de inflação.
  3. c) Incentivar o mercado de capitais com a aplicação plena da correção monetária no cálculo de rendimento das Letras de Câmbio.
  4. d) Criar para o contribuinte do imposto de renda a opção de investir parte desse tributo devido, 10% para pessoa física e 5% para pessoa jurídica, recolhidos ao fundo 157, para aplicação em ações de “empresa de capital aberto”, nova figura jurídica também criada pela ditadura.
  5. e) Criar o Banco Central, para centralizar o controle do sistema bancário, e fazê-lo operar de acordo com a política econômica oficial.
  6. f) Criar o Banco Nacional de Habitação, para gerir os recursos do FGTS e, posteriormente, da caderneta de poupança.
  7. g) Permitir às empresas, nacionais e estrangeiras a captação no exterior de empréstimos em moedas conversíveis (84).

 

Vejamos os resultados dessas medidas, através das estatísticas do IBGE, da FGV e do Bacen.

– A concentração de renda aumentou. Em 1960, a metade mais pobre da população detinha 17,4 % da renda nacional. Em 1980 essa participação caiu para 12,6%. Um por cento da população mais rica ficou com 11,9% da renda nacional em 1960, que aumentou para 16,9% em 1980.

– A dívida externa líquida brasileira, que era de 2,5 bilhões de dólares em 1964, passou para 85,4 bilhões em 1985.

– O fluxo do capital estrangeiro para o Brasil, que vinha crescente com as vantagens oferecidas pelo governo, alcançou 1.794,7 milhões de dólares em 1981. Com a crise cambial que se iniciou naquele ano, ele foi caindo até chegar a 793,9 milhões em 1985. As remessas de capitais cresceram de 369,6 para 1.051,3 milhões de dólares, no mesmo período. Em 1981 o saldo do fluxo de capital foi positivo, de 1.425,1 milhões de dólares. Já em 1985 ele foi negativo, de -257,4 milhões de dólares.

– A Renda Líquida Enviada ao Exterior (serviços da dívida, lucros de empresas estrangeiras, etc.) passou de 1% do PIB em 1974 para 6,3% em 1983.

– A inflação medida pelo IGP acelerou de 41,2% em 1976 para 225,5% em 1985.

– Segundo o Dieese, o salário mínimo real caiu 38,9% entre 1964 e 1976.

A partir dessas estatísticas, e de outros dados não reproduzidos aqui, eu já havia chegado a algumas conclusões na década de 1980, que reproduzo a seguir.

 

Dessas medidas, resultou a mobilização da poupança privada, produzindo a concentração de capitais nas sociedades de capital aberto, dinamizando os investimentos industriais. O consumo cresceu com o crédito fácil. As construções, financiadas pelo BNH, se expandiram, atuando como principal motor da economia.

Dessa forma, o país saía da crise iniciada em 1959, com o esgotamento do modelo de substituição das importações, com maior concentração e centralização de capitais, com distribuição de renda mais injusta, com fluxo crescente de capital estrangeiro buscando os favores governamentais e a mão de obra cada vez mais barata. Deu-se início assim ao período do chamado “milagre brasileiro”, nascido no biênio 1967-68.

A crise de crescimento da economia foi superada, mas se manteve o latifúndio improdutivo, a miséria agravou-se no campo expulsando o camponês, que veio inchar as cidades; surgia a figura do “boia-fria”; a exportação de lucros das empresas estrangeiras aumentou; a devastação das matas acelerou-se; a poluição grassou; a qualidade de vida nas cidades maiores deteriorou-se; a dependência do petróleo importado aumentou com a industrialização acelerada; o trabalhador empobreceu com a redução de seu salário real, passando a viver do salário familiar, ajudado pela mulher e os filhos; as crianças e jovens abandonados vieram engrossar a delinquência juvenil e fornecer mão de obra para o crime organizado (84).

 

* * *

 

Vimos que a ditadura não passou no teste da política econômica e na sua prática social. Mas sua ação política foi mais desastrosa ainda. Ela criou uma ruptura na nossa história, cerceando a liberdade e bloqueando o processo de formação da nossa consciência de nacionalidade. O período anterior à ditadura foi demonizado, pintado com as cores preconceituosas da ideologia engendrada para justificar a guerra fria. A repressão foi o instrumento mais usado para alcançar seus objetivos, quando não faltaram a coação, a violência desnecessária, a tortura, a chantagem e o assassinato político. Nós vimos que a repressão dos primeiros dias da ditadura fora desproporcional à resistência ao novo regime. A população não estava satisfeita, mas os militares obtiveram um confortável apoio das camadas mais ricas da sociedade, e dos partidos que representavam os interesses dos empresários e dos proprietários de terras. A Igreja, através de seus setores mais reacionários, havia apoiado o golpe, na sua visão mesquinha do combate ao comunismo satanizado. Esses setores da sociedade levaram consigo parte significativa das classes médias no apoio à ditadura, que a imprensa alardeava ser uma revolução redentora.

As ações contra a ditadura, nos seus primeiros anos, foram praticadas por setores mais radicais da juventude e por militares punidos e perseguidos. Apesar de algumas ações armadas, esses grupos não ofereciam perigo para o poder. A mais importante dessas ações talvez tenha sido a do capitão Carlos Lamarca, ao retirar do quartel onde servia um caminhão de armas leves. Os revoltosos não tinham poder de fogo para enfrentar as forças armadas e não conseguiram o apoio necessário da população para ações mais eficazes. O crescimento da economia estava levando grande parte da classe média que se opôs ao golpe de Estado a acomodar-se, por seus bons salários e para evitar complicações com inimigo tão poderoso. Isso reduziu o espaço dos grupos de resistência nas cidades, o que os levou a agir a partir do campo. Entretanto, grupos poderosos dos quartéis e do governo viam, ou fingiam ver, inimigos por toda parte. Afinal, era preciso justificar tão brutal repressão.

Em março de 1968, militares radicais invadiram o restaurante estudantil do Calabouço para reprimir uma manifestação contra o aumento das refeições. O aspirante Aloísio Raposo, que comandava a tropa, disparou sua arma à queima-roupa contra o estudante Edson Luís de Lima Souto, de 17 anos, matando-o. No dia 2 de abril foi celebrada a missa de 7° dia em intenção a Edson Luís, na Candelária. A cavalaria da polícia investiu contra os que saíam da igreja, estudantes, populares, padres e jornalistas. Os movimentos de protesto se espalharam, tendo Edson Luís como bandeira. Numa assembleia estudantil na UFRJ foram presos 300 estudantes. A revolta ampliou-se. Para tentar contê-la as autoridades permitiram uma manifestação de estudantes na Cinelândia. Foram às ruas dezenas de milhares de pessoas, representando os setores mais dinâmicos da sociedade, estudantes, intelectuais, artistas, políticos. O ato de protesto ficou conhecido como a Marcha dos Cem Mil. A palavra de ordem abaixo a ditadura ecoou pelo centro do Rio e repercutiu por todo o país.

O ano de 1968 foi pródigo em manifestações em várias nações do mundo. Nos Estados Unidos Martin Luther King foi assassinado e grandes multidões se reuniram para protestar contra a guerra do Vietnã. Na França, manifestações estudantis multiplicaram-se contra a política repressiva do governo. A Universidade de Nanterre foi fechada depois de grandes conflitos entre estudantes e policiais. Elas ocorreram também na Espanha, Polônia, Bélgica, Itália, Alemanha ocidental. Na América Latina houve agitações no Uruguai, Argentina, Venezuela, México e Colômbia. Era um sinal do fim do Estado de Bem-Estar Social, e do agravamento da guerra fria. A euforia do pós-guerra dava lugar a uma dura luta pelo domínio econômico do mundo e de concorrência entre países, que se desdobraria no projeto neoliberal de dominação do mundo pelo capital financeiro internacional.

No Brasil, o Congresso foi contaminado pela agitação social. Pronunciamentos dos deputados Maurílio Ferreira Lima, Márcio Moreira Alves e Hermano Alves irritaram sobremodo os militares. Em 13 de dezembro de 1968, foi editado o Ato Institucional n. 5, que decretou a recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores. Os três deputados citados foram cassados imediatamente e a eles se seguiram mais de uma centena de outros deputados federais e ainda maior número de deputados estaduais e vereadores em diversos estados da Federação.

 

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O AI-5 foi a ruptura dos militares com a sociedade civil. A partir daí a repressão seria muito mais dura, assim como a resistência da população contra a ditadura. A frente política, representada pelos parlamentares, envolvia um grande leque da sociedade. A ditadura que se dizia defensora da democracia e da liberdade havia deixado cair sua última máscara com o fechamento das casas legislativas. Os grupos de resistência clandestina à ditadura, impiedosamente reprimidos pela simples razão de negarem sua legitimidade e pedirem a restauração do regime democrático e de direitos sociais, foram colocados diante de um impasse. Acomodar-se a uma clandestinidade passiva ou reagir. Alguns, os mais jovens e mais radicais, optaram pela ação de guerrilha, alguns no campo, outros na cidade. Eles eram formados na sua grande maioria por estudantes, funcionários e operários, com seu natural vigor e destemor juvenil.

A gênese desses movimentos de ação armada está magistralmente relatada no livro Uma tempestade como a sua memória, a história de Maria do Carmo Brito, contada por ela mesma e pela escritora Martha Vianna (120). O livro é uma epopeia sobre os jovens colocados diante da iniquidade e submetidos aos mais brutais constrangimentos. Seus dramas, suas dúvidas, seu sentimento de responsabilidade social, sua dignidade, os levam a reagir, da forma que lhes foi possível, buscando a superação para salvar os princípios e defender os direitos nos quais acreditam. Do grupo de Maria do Carmo foram mortos seu marido, Juarez Brito, Carlos Alberto Soares e muitos outros. Os relatos recentes, publicados sobre as torturas e a tentativa de assassinato de Inês Etienne Romeu, que denunciou o médico Amílcar Lobo e a Casa da Morte de Petrópolis, mantida pela repressão militar, onde teria sido morto Carlos Alberto Soares (Beto), mostram o lado macabro da ditadura (19). Carlos Alberto mereceu uma menção especial da presidente Dilma Rousseff no seu discurso de posse.

Além do aumento da resistência política, os grupos de ação armada tornaram-se audaciosos e praticaram atos de ampla repercussão. As guerrilhas, do vale da Ribeira, em São Paulo, e do Araguaia, são exemplos dessas ações no campo. Nas cidades os atos de maior repercussão foram os sequestros de embaixadores. Do americano, em setembro de 1969, do alemão, em junho de 1970, e do suíço, entre dezembro de 1970 e janeiro de 1971. Os sequestros dos embaixadores tiveram um duplo objetivo para seus autores: liberar seus companheiros presos e divulgar a resistência interna no Brasil à ditadura. Eu assisti ao desembarque, em Argel, dos 40 presos políticos libertados em troca do embaixador alemão. Apenas as autoridades argelinas, das Nações Unidas, diplomatas brasileiros e imprensa, tiveram acesso a eles no aeroporto. A mídia internacional estava representada ali através de dezenas de enviados. Os franceses, especialmente, tinham um objetivo bem definido, seu herói da Resistência contra a ocupação nazista, Apolônio de Carvalho, elevado ao posto de coronel do Exército francês. No dia seguinte, grande parte do mundo podia conhecer a outra face do governo brasileiro de então, uma ditadura sanguinária.

Cumprido o protocolo de exames médicos e assistência psicológica, pudemos visitar os ex-prisioneiros. Eu tinha um objetivo especial, saudar minha amiga Maria do Carmo Brito. Na oportunidade conheci muitos deles. Alguns vieram a ser amigos diletos, como o capitão Altair Luchesi Campos, Fernando Gabeira, Apolônio de Carvalho e Ângelo Pezzuti. Este perderia a vida em um acidente de moto em Paris. Muitos daquele grupo viriam a ser figuras proeminentes da política e do jornalismo no Brasil, por méritos próprios e ajudados pela grande projeção internacional que tiveram a partir daquele evento. A luta armada não prosperou, nem foi decisiva no desenvolvimento do processo, mas mostrou para o mundo a natureza repressiva da ditadura e seu desgaste junto à população brasileira. A repressão tornou-se mais cruel e mais sanguinária, demonstrando a incapacidade política para buscar o diálogo com a sociedade civil e para dirigir o país. A partir do AI-5, o Brasil ainda viveria uma década de impasses e de agravamento do conflito político interno, até que o desgaste irremediável do governo e o medo de uma revanche levaram os militares mais lúcidos a buscar o caminho da anistia.

O AI-5, além de incentivar a ação de grupos armados, também ampliou a denúncia dos desmandos e da violência da ditadura. O jornalista e deputado cassado Márcio Moreira Alves foi para o Chile. Lá ele criou um boletim de notícias sobre o Brasil com o nome de Frente Brasileira de Informação. Necessitando ir para a França, país de sua esposa, ele teve a colaboração de Miguel Arraes para manter a edição do boletim a partir de Argel. Com o nome francês Front Brésilien d’Information, essa publicação ganhou corpo e era enviada regularmente a mais de novecentas personalidades formadoras de opinião de países da Europa, das Américas e de outros continentes. Ela ganhou credibilidade pela seriedade e qualidade das matérias publicadas, e passou a incomodar o governo brasileiro. Muitas de suas matérias foram publicadas em vários jornais de diversos países, com destaque para o jornal Le Monde, de Paris. O governo militar dizia haver um grupo de exilados denegrindo a imagem do Brasil no exterior. Entretanto, a questão era outra. Para a imprensa e políticos da Europa, os exilados representavam melhor o Brasil que seu governo ditatorial. A queda de braço da ditadura com a sociedade civil abrira diversas frentes de luta que minariam as forças do governo militar.

 

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Os casos escabrosos de violência gratuita chegaram à população, através da imprensa, em alguns casos que se tornaram clamorosos. Em 25 de outubro de 1975, Wladimir Herzog, jornalista, professor e dramaturgo, diretor do departamento de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, foi convocado para um depoimento na polícia política. Ele era suspeito de ter relações com o Partido Comunista. No dia seguinte foi encontrado morto, enforcado com sua própria gravata, na cela onde estivera preso. A imprensa analisou os fatos e concluiu que ele fora assassinado, provavelmente durante a tortura a que fora submetido. O fato gerou uma enorme indignação na opinião pública. Em 16 de janeiro de 1976, o operário da empresa Metal Arte de São Paulo, Manoel Fiel Filho, preso por distribuir o jornal Folha Operária, foi morto sob tortura. Defender interesses trabalhistas era risco de vida naquele período negro da nossa história.

A Arquidiocese de São Paulo passou a atuar junto às autoridades governamentais pedindo aplicação das leis de defesa da pessoa, e dando apoio às famílias de prisioneiros e de cidadãos mortos pela repressão governamental. Naquele mesmo ano, Dom Eugênio Sales, arcebispo do Rio de Janeiro e cardeal, começou a receber e dar auxílio a refugiados dos países vizinhos, que procuravam a sobrevivência no Brasil, fugindo da Operação Condor. Ele conseguiu enviar muitos deles para fora do país, na condição de refugiados, com cobertura das Nações Unidas e até do governo dos Estados Unidos. A matéria publicada pelo jornal O Globo, de 2/3/2008, com uma longa entrevista do arcebispo, refere-se a milhares de pessoas atendidas pela Cáritas, pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Eles eram argentinos, chilenos, uruguaios e paraguaios fugitivos de ditaduras em seus países, vitimados por golpes de Estado, na Bolívia em 1964, no Uruguai e no Chile, em 1973, e na Argentina, em 1976. A do Paraguai surgira bem antes, em 1954, iniciando o reinado de 35 anos de Stroessner.

A Operação Condor foi um acordo entre as ditaduras do Cone Sul, com participação do Brasil, para coordenar suas ações repressivas contra seus opositores. Ela mostraria sua face no Brasil em 1978, quando do sequestro de Universindo Rodríguez Díaz, sua esposa Lilian Celiberti e seus dois filhos, em Porto Alegre. A operação foi descoberta por jornalistas da sucursal da revista Veja no Rio Grande do Sul que, ao chegarem ao apartamento do casal para entrevistá-lo, encontraram os dois presos por agentes. As crianças já haviam sido levadas para o Uruguai. O casal ficou preso no Brasil por cinco anos, tendo sofrido torturas na prisão. Há também a grave suspeita de que o ex-presidente João Goulart fora morto por troca de medicamentos pelos serviços secretos argentinos, em 1976. Da mesma forma há suspeição que o “acidente” que matou Juscelino Kubitschek fora provocado, assim como a morte de Carlos Lacerda não fora natural. Esses três homens públicos, apesar das divergências dos dois primeiros com Lacerda, estavam discutindo uma forma de unir forças, a Frente Ampla, para substituir a ditadura por um regime democrático.

A Operação Condor produziu uma grande chacina nos países do Cone Sul, comparável a uma guerra de porte entre nações. Por ordem crescente, foram centenas de mortes no Uruguai e no Brasil, milhares no Paraguai, no Chile e na Argentina. Nesta última, há registros de cerca de 30.000 mortes, muito mais que os números de mortes produzidas pelos terroristas atuais, que serviram de justificativa para longas e dolorosas guerras. Mas para as elites dos países onde se instalaram essas ditaduras, os latino-americanos não contam tanto quanto os europeus ou americanos do norte.

Outro fato clamoroso foi a morte da estilista Zuzu Angel Jones, em 14 de abril de 1976, em “acidente” também provocado, o que foi provado em perícia técnica e reconhecida pela Justiça brasileira. Zuzu era mãe do militante Stuart Angel Jones, preso em 14 de junho de 1971, e dado como desaparecido. Zuzu, mãe zelosa, mulher de princípios, de fibra e corajosa, buscou saber sobre o ocorrido, descobrindo que seu filho fora preso e assassinado pelos serviços de segurança do governo. Ela exigiu o corpo do filho, que os militares negavam conhecer. Estilista de talento e original, Zuzu havia conquistado muitos admiradores nos Estados Unidos, pátria de seu ex-marido, Norman Jones. Entre eles havia personalidades da política e do cinema. Ela tinha a figura de um anjo como símbolo das suas criações. Como sinal de protesto contra a violência do governo militar, seu anjo passou a ser estampado acorrentado e amordaçado. Em um desfile no consulado brasileiro de Nova York, ela usou estamparia com motivos violentos, manchas vermelhas, pássaros engaiolados e guerra. Em uma visita de Henry Kissinger ao Brasil, ela conseguiu furar a segurança e entregar a ele uma carta com informações sobre a morte de seu filho. A reação do regime militar foi mandar matá-la. O corpo de Stuart jamais foi encontrado. A vida de Zuzu foi motivo do filme Zuzu Angel, de Sérgio Rezende, de extraordinária beleza e sensibilidade.

Os horrores da ditadura eram ocultados pela mordaça à imprensa, mas havia formas de comunicação entre pessoas de confiança e organizações civis, que as divulgavam. Os fatos não chegavam a ser conhecidos por grande maioria da população. Mas as pessoas mais esclarecidas sabiam o que ocorria, embora não fizessem alarde delas. Todas temiam as consequências de enfrentar o monstro que ocupava o poder. Mas isso mudou, na medida da maior conscientização das pessoas. A opinião pública internacional, as posições da Igreja Católica, e principalmente o destemor das mães dos prisioneiros e desaparecidos, induziram as pessoas mais destemidas a tomar posição. Famílias de vítimas da ditadura criaram a organização Tortura Nunca Mais, que fez história. Em 1976, um grupo de mulheres de São Paulo, lideradas por Terezinha Zerbini, advogada e mulher do general Euryale de Jesus Zerbini, publicou um manifesto a favor da anistia ampla e geral, que foi distribuído em São Paulo e enviado a pessoas de confiança em outros estados. Logo depois elas registraram em cartório o Movimento Feminino pela Anistia, que floresceu em vários estados. Sua repercussão maior foi no Rio Grande do Sul, onde a corrente republicana era vanguarda no Brasil. Em 1978 o movimento pela anistia alcançava a quase totalidade da sociedade brasileira, invadia a universidade, que se mobilizou, o mesmo ocorrendo com os sindicatos e organizações profissionais. Em fevereiro daquele ano, ele recebeu um grande impulso, a criação do Comitê Brasileiro pela Anistia, fundado por advogados de presos políticos, com apoio da OAB. Mas a reação de setores militares era ainda muito forte, enquanto muitos parlamentares vacilavam entre o poder de pressão da sociedade civil e a força física do governo.

 

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Em 1978 surgiram indícios da proximidade da anistia e de nossa volta ao Brasil. Eram eles: a mobilização da oposição no Brasil, o apoio dado à anistia por inúmeros partidos e veículos de comunicação europeus e o esgotamento político e do modelo econômico do governo militar. Em consulta ao meu advogado, Oswaldo Mendonça, através de familiares, ficou esclarecido que minha condenação pela 1ª Auditoria da Marinha havia prescrito. Mas era necessário requerer o pronunciamento do Superior Tribunal Militar para minha volta segura antes da Lei da Anistia. Enquanto esperava a decisão do Tribunal, iniciei minha volta. Viajei de Maputo para Roma, no primeiro dia de 1979, onde aguardaria o desfecho do processo.

Quando ocorreu, em 1979, o Encontro dos Parlamentos Europeus e Americanos, no qual havia uma delegação brasileira, Marília e eu ainda estávamos em Roma. Assistimos a uma das sessões desse Encontro, acompanhados do nosso amigo e jornalista Araújo Neto, do Jornal do Brasil, na época decano dos correspondentes estrangeiros em Roma. Ali fomos convidados para uma reunião reservada de parlamentares italianos e brasileiros que ocorreria à noite no Hotel Colonna Palace. Os italianos queriam a presença de exilados, que nós representaríamos. Nessa reunião, o senador Franco Montoro fez uma exposição sobre a questão política da anistia, na qual insistiu sobre a rigidez dos militares para que os líderes políticos Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luís Carlos Prestes não fossem anistiados. Ficou claro que os militares não queriam os líderes das correntes políticas que representavam os trabalhadores, o trabalhismo, o socialismo e o comunismo. Eles queriam uma anistia de faz de conta, sem lideranças populares fortes, para que continuassem a mandar as mesmas forças políticas, entreguistas e antidemocráticas. Os grandes líderes ficariam de fora, enquanto os que rasgaram a Constituição, os exterminadores e os torturadores seriam beneficiados. O pior é que ficou também claro que os parlamentares pensavam em aceitar essa hipótese, sempre em nome de um “êxito”.

Eu observava com preocupação o rumo da conversa, quando Marília voltou-se para Montoro e lhe perguntou:

– Vocês estão pensando que nós passamos o que passamos, inclusive quase dez anos no exílio para aceitar essa vergonha? Ou a anistia é para todos ou para ninguém!…

A intervenção foi como uma bomba. Nas entrelinhas todos entenderam. Se fosse preciso, nós passaríamos mais dez anos no exílio. O difícil seria os militares sustentarem-se no poder. Sem a anistia, como eles iriam responder por tantos desmandos e tantos crimes? A senadora socialista presente, da qual não me lembro mais o nome, pediu a palavra, dizendo que os parlamentares italianos estavam apoiando a anistia ampla, geral e irrestrita, a pedido de exilados, e que eles haviam refletido muito sobre isso. Mas se o apoio deles fosse inconveniente para os parlamentares brasileiros, eles se afastariam da questão. O clima ficou mais tenso. Os parlamentares brasileiros presentes, Montoro e Fernando Coelho, tomaram a palavra para dizer que não haviam sido bem interpretados. Aquela seria a posição dos militares, que pressionavam o Congresso a aceitar suas restrições. Apesar da hipótese de imprecisão de linguagem, por terem usado uma língua estrangeira, eles não convenceram. Mas havia uma certeza para eles, seria melhor enfrentar os militares.

 

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A Lei da Anistia de 1979 inicia oficialmente o processo de transição da ditadura para um regime democrático. Mas estávamos longe de conseguir recuperar o que fora destruído pela ditadura. As mentiras e a repressão alienaram a população. Sua memória política foi-se apagando, com a censura e a escamoteação da verdadeira história do Brasil. Havia a considerar também que aquela vitória era do povo brasileiro, mas sua liberdade seria ainda limitada. O imperialismo financeiro também era interessado na queda da ditadura. Seria mais fácil manipular um governo civil dócil, para difundir novos conceitos, quebrar resistências à desregulação do mercado e fazer vistas grossas à perda da soberania nacional, medidas necessárias à nova etapa de sua aventura da conquista do mundo. É importante observar que esse foi um fenômeno não apenas brasileiro, mas mundial.

Apesar de vinte anos de sofrimento e frustrações, sob o tacão da ditadura e do capital estrangeiro, nós, os anistiados e a maioria do povo brasileiro, tínhamos esperanças. Acreditávamos na retomada do projeto de desenvolvimento do Brasil com soberania e justiça social. Mas as elites e seus acólitos ainda dispunham de um coelho na cartola, o neoliberalismo. Poucas pessoas sabiam do significado dessa palavra no Brasil na década de 1980. As que sabiam ficaram caladas, pois, quando escrevi meu livro O capitalismo enlouqueceu, em 1998, não encontrei quase nada publicado no Brasil sobre esse assunto. O pouco que existia era incipiente. Não fossem os documentos obtidos por participantes da Semana Internacional de Iniciativas e Ações contra o AMI, Acordo Multilateral de Investimentos, ocorrida em Paris de 21 a 28 de setembro de 1998, meu livro seria muito mais pobre, por absoluta falta de informações. Mas no governo Sarney, em 1987, tentou-se aplicar medidas com base nessa política completamente desconhecida dos nossos ilustres intelectuais. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

 

30, maio 2018 6:02
Por admin

Prezados amigos,

O documento abaixo foi extraído do livro de minha autoria: Manifesto – por uma sociedade de Paz e Fraternidade, lançado em 16 de março deste ano. Ele é minha contribuição inicial para uma ampla discussão sobre a sociedade que deverá nascer da superação do estado de calamidade em que nos encontramos.

Rio de Janeiro, 30/5/2018.

Arnaldo Mourthé

 

Movimento Paz e Fraternidade

Associação para fazer do Brasil um país soberano e de justiça social

 

  1. Princípios
  • O amor ao próximo: a fraternidade
  • Defender a Soberania do Cidadão e da Nação
  • A Liberdade e a Igualdade são inatas no homem.
  • Reconhecer que somos todos iguais, independentemente do gênero, raça, cor, etnia, nacionalidade, grau de instrução ou atividade profissional. A diversidade é parte da essência da vida. Ela não é um defeito, mas uma virtude.
  • Garantida nossa Soberania, que é sagrada, nossa Nação estará aberta a todas as pessoas do mundo.
  • Todos os brasileiros têm direito a uma vida digna. A Sociedade é obrigada a fornecer-lhe condições de trabalho para sua sobrevivência, garantindo-lhes alimentação, educação de qualidade, assistência à saúde e moradia adequadas. O instrumento principal para a garantia dos direitos do Cidadão é o Estado.
  • Além de direitos, o Cidadão tem como deveres respeitar os princípios aqui definidos e contribuir com seu trabalho, desde que capacitado para tal, para o bem de todos e da Nação.
  • Todas as pessoas que tiverem impossibilitadas de trabalhar por qualquer razão, deficiência, vítimas de catástrofe ou violência, terão seus direitos garantidos pela Sociedade.
  • A educação é um instrumento para formar Cidadãos, pessoas conscientes de seus direitos e deveres.
  • . Respeitar a Natureza, não praticando ou promovendo atividades predatórias.
  1. Objetivos
  • Superar o caos produzido pelas crises econômica, social, institucional, moral e ética em que vivemos, respeitando os princípios definidos acima.
  • Criar condições de vida com dignidade para todos os cidadãos e instruí-los para uma convivência pacífica com seu semelhante.
  • Extirpar do Brasil a fome, o analfabetismo e o desemprego. Todo brasileiro terá oportunidade de trabalhar para atender às suas necessidades e as de sua família.
  • Reduzir a criminalidade e a mortandade das pessoas vítimas de violência e da irresponsabilidade, especialmente no trânsito.
  • Definir uma política econômica condizente com os princípios aqui definidos, com a consciência de que só o trabalho humano confere valor às mercadorias.
  • Por em prática uma política externa de respeito à soberania das nações, sem discriminação de qualquer natureza.
  • Toda nossa atividade diplomática será a favor da Paz e do entendimento entre as nações. O papel de nossas Forças Armadas será o de preservar a Soberania Nacional, garantir a Liberdade dos cidadãos e a defesa das nossas instituições.
  • Tornar o Brasil um país exemplar, modelo para a superação dos problemas internos das nações.
  1. Ações políticas imediatas
  •  Convocação imediata de uma Assembleia Nacional Constituinte.
  • A eleição dessa Assembleia ocorrerá em substituição às eleições para Presidente da República, Deputados Federais e Senadores, em outubro de 2008.
  • Logo que empossada, essa Assembleia elegerá um Presidente da Republica por um mandato temporário, até que sejam empossados os eleitos pela eleição que a ela determinará, e que se realizará após a promulgação da nova Constituição que será elaborada no prazo máximo de um ano.
  • Para restabelecer a paz social e a governabilidade, a Assembleia Constituinte revogará todas as reformas constitucionais que modificaram a Constituição de 1988, restabelecendo sua integridade até a promulgação da nova Constituição que a substituirá.
  • O Governo Provisório fica autorizado a rever todos os atos executados a partir da vigência da Constituição de 1988, que atentaram contra os interesses da Nação ou do Cidadão nos termos daquela Constituição, visando seu cumprimento estrito. 
  1. Programa emergencial
  •  Sustar o pagamento dos juros da dívida pública e realizar sua auditagem.
  • Anular todos os dispositivos legais do governo Temer contrários aos interesses dos brasileiros, especialmente dos trabalhadores, ou que alienaram ou alienem o patrimônio público ou da Nação, por vício de origem: a corrupção de membros do Poder Legislativo que lhes deu origem.
  • Submeter à revisão todos os atos dos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, praticados sobe pressão de forças externas ao Brasil, ou com o uso da corrupção.
  • Utilizar os recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida pública para pagar os salários atrasados dos servidores do serviço público dos estados e dos municípios, e para desenvolver os projetos prioritários nas áreas de educação, saúde, cultura e infraestrutura. 
  1. Programa de desenvolvimento da Nação brasileira.

         Observação: Esta questão fica em aberto. Nosso programa será elaborado  através de ampla discussão entres as pessoas que aderirem ao Movimento Paz e   Fraternidade.

 

 

5:56
Por admin

Construindo o caos

Arnaldo Mourthé

A mídia e o governo se esforçam em nos convencer que a crise de abastecimento que estrangula o Brasil é uma questão setorial da nossa economia, que se manifesta através de um movimento de paralisação das atividades dos transportadores de carga. Essa é uma simplificação que não resiste à mais rudimentar das análises. A grande maioria da população percebe isso. Sua conclusão em geral é que a crise decorre da irresponsabilidade que impera no governo, além de ressaltar aspectos comportamentais como a corrupção de seus membros. Mas a questão é muito mais extensa e profunda. Há, nitidamente, a esgarçadura do tecido da sociedade pelo agravamento dos conflitos sociais. Esse fenômeno ocorreu em várias fases da história da humanidade, produzindo mudanças profundas nas coletividades e nas civilizações.

Essa minha visão se reforça com o próprio discurso dos governantes e da mídia mercenária. Eles ressaltam os “prejuízos” econômicos provocados pela paralisação. Fazem um grande alarde sobre a mortandade de aves os seus criatórios, onde são criadas em condições  que horrorizam os naturalistas. Elas são confinadas aos milhares, umas junto às outras, como em baladas de jovens. Só que por toda a curta vida, até terem o peso necessário para o abate rentável, para serem vendidas para o exterior, trazendo lucros para eles e dólares para serem exportados como lucros dos investimentos estrangeiros na produção de mercadorias questionáveis e na especulação, que inclui os juros da dívida pública, a sangria que está levando o Brasil ao caos.

Não são os caminhoneiros os responsáveis pelo caos. Ele vem sendo construído há muito tempo por uma elite calhorda, com cultura  escravista, e pelo capital financeiro predador e vampiro das nossas riquezas naturais ou produzidas por nosso trabalho, inclusive dos próprios caminhoneiros responsáveis pela  circulação da maior parte de nossas riquezas através do território nacional, para o consumo interno ou a exportação que nos escraviza.

No seu discurso os homens do poder lamentam a morte de pintinhos, não pela vida deles, que apenas foi antecipada em 45 dias do seu abate, com sua cabeça cortada. Mas, em nenhum momento consideram o sofrimento do nosso povo, sua morte precoce por desnutrição, descaso do poder público ou pela violência gerada pela sociedade perversa que eles criaram e cultivam

Vivemos hoje, no Brasil, um quadro de tensão social que ultrapassa todas as outras  registradas na nossa história. É muito maior que a do fim do sistema escravista, da proclamação da República ou da Revolução de 30. Ela não representa apenas uma mudança nas relações de poder entre classes sociais. É muito mais do que isso. Daí a perplexidade dos analistas, que não encontram instrumental teórico para compreendê-la, nem classificá-la nos conceitos restritos conhecidos por eles.

Venho, há muito tempo, tentando compreender os fenômenos novos que vêm ocorrendo na nossa sociedade. Fui buscar na história, e nos ensinamentos dos mestres do passado, explicações para questões que ultrapassam os pensamentos dominantes na sociedade que são, no campo político, representado pelas ideologias. Desse esforço de pesquisa resultaram três livros de minha autoria: História e colapso da civilização (2012), A crise (2016), O poder no Brasil e A perplexidade (2017), todos pela Editora Mourthé. Eles tratam respectivamente da história da humanidade, da economia, do poder e das instituições e, finalmente do pensamento e do comportamento humano incluindo questões da espiritualidade. Esses livros espelham o meu pensamento sobre as questões da evolução da humanidade, com seus altos e baixos, no mundo da dualidade. Não cabe em um artigo tratar dessa questão.

Essa introdução me permite avançar a análise que faço do fenômeno que ocorre agora no Brasil sob a forma de crise múltipla, econômica, moral e institucional, mas que atinge também todo o Planeta, nas mais variadas formas e intensidades, em função da cultura de cada povo e de seu desenvolvimento tecnológico.

Minha conclusão é que estamos vivendo um momento de ruptura da sociedade, que ultrapassa tudo que a história da humanidade registra. Isso ocorre pelo salto de consciência do ser humano, que passa a ter uma visão do mundo mais ampla do que aquela regida pelas leis da dualidade que a dialética estudou, permitindo a compreensão da evolução da sociedade pela contradição dos contrários, ou seja, dos interesses opostos nas relações entre as pessoas, classes sociais ou comunidades, inclusive  entre as nações.

É por isso que as classes dominantes já vêm, há algum tempo, se afastando do diálogo para resolver as pendências com o restante da população pelo equilíbrio, mesmo precário, dentro da sociedade. É por isso que o apelo pelas guerras se esgota nas relações entre as nações. Não há mais campo de manobra para a convivência desigual entre pessoas, classes sociais e nações. A consciência coletiva da humanidade tende a se opor às condições da dualidade. Não há mais espaço para discutir se é melhor a liberdade ou a igualdade. As duas condições são direitos inatos do ser humano, que passa a ter essa compreensão. A sociedade das disputas, da competição pela posse de bens ou de regalias, cede lugar à sociedade da fraternidade, da solidariedade, da cooperação, entre pessoas, grupos sociais e nações. Esse é o novo mundo que os grandes pensadores anteriores à nossa Era pregavam como o mundo real, da verdade, em contraposição ao mundo da ilusão criado pela mentira. Esse fenômeno pode ser sentido no descrédito das autoridades públicas prepotentes e dos meios de divulgação que escondem a verdade e difundem a ilusão.

De nada adianta o esperneio dos governantes, dos marqueteiros da ilusão e dos homens do poder que tudo buscam controlar a partir do dinheiro, contra as reivindicações legítimas dos cidadãos. Estes são movidos, a cada dia com mais vigor, pela consciência de seus direitos e deveres, e de suas necessidades. Todo o aparato ideológico, midiático ou repressivo torna-se ineficaz diante da consciência expandida do ser humano.

Dito isso, o que nos resta é agir no campo de nossas responsabilidades individuais e sociais, e esperar que esse crescimento da consciência coletiva produza a demolição das estruturas arcaicas, que não mais servem ao ser humano, com a limpeza do terreno para a construção de uma nova sociedade que corresponda às novas condições de nossa consciência coletiva.

De nada adianta o esperneio dos que detêm e se beneficiam do poder em detrimento da dignidade do ser humano. As condições que permitiam o homem cruel e tirânico ter seu lugar de destaque na história estão se dissolvendo. O fim da prepotência e da mentira já está decretado. Surgirá uma nova sociedade de Paz e Fraternidade.

 

 

 

No mundo da dualidade só sobreviveu aquele que interessava aos que tudo dominavam e os que se negavam a submeter-se, seja por seu recolhimento na obscuridade, seja utilizando a dialética para combater os opressores. Mas a dualidade engana muito, até àqueles que se consideram sábios, como bem compreendeu Sócrates. No confronto dos contrários há a possibilidade do avanço ou do retrocesso. Este aconteceu sob a égide do neoliberalismo. A humanidade que se afundou no abismo não está mais obrigada a viver o dualismo que favorece o mais forte. Isso é possível pelo despertar da sua consciência. Vivemos esse momento crítico. Nele os conceitos anteriores não funcionam. O homem está assumindo seu destino libertário. Isso já era previsto pelos grandes pensadores da antiguidade. Nós ainda precisamos da dialética para derrotar o opressor, mas sem as amarras da luta de classes. A questão deixou de ser escolher entre liberdade ou igualdade. Mas conquistar as duas condições. E para tal é preciso que assumamos outra condição, a fraternidade.

Chegou a hora de nos organizarmos sob essas três condições que os iluministas não criaram, mas nos revelaram. Portanto, chegou a hora também de revermos nossos pensamentos estreitos. Isso é difícil para o acadêmico, enquadrado por uma superestrutura autossuficiente e restrita. Chegou a hora da grande reflexão, a hora da verdade.

Rio de Janeiro, 30/5/2018.

26, maio 2018 12:17
Por admin

Chegou a hora: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”

Arnaldo Mourthé

Parabéns caminhoneiros do Brasil!

Vocês tiveram a coragem de denunciar a mentira e de enfrentar a prepotência. É isso que faz a história dos países e da humanidade. Vocês têm nossa plena solidariedade na sua luta a favor da vida e da dignidade. Sua ação é justa, em defesa de sua família, e de todas as famílias brasileiras humilhadas, espoliadas e oprimidas. Todo o povo brasileiro deve, hoje, a vocês pela sua ação e pelo seu despertar para sua liberdade.

O governo, seus patrões – os donos do dinheiro -, e a mídia mercenária mentem para incriminá-los. Dizem não poder atender suas reivindicações. Talvez não, mas por que? Porque venderam grande parte do Brasil e estão vendendo o que sobrou.

Os impostos que pagamos são suficientes para todas nossas necessidades atuais e para investimentos para um futuro melhor. Mas metade do dinheiro arrecadado pelo governo federal é doado, de bandeja, aos milionários através dos bancos. São os juros da dívida pública que ninguém sabe como foi forjada. Esse é um tabu, que é a chave de tudo. Perguntam como podem reduzir o preço dos combustíveis se não têm dinheiro para subsidiá-lo. Mentira! O preço é falso. Ele não é fruto do custo do combustível, mas dos interesses dos acionistas da Bolsa de Nova Iorque. É também do interesse das empresas privadas importadoras de diesel. O Brasil importa 80% do diesel que consome, enquanto as refinarias da Petrobrás são fechadas para serem vendidas para o capital estrangeiro. Eles estão fatiando a Petrobrás para vendê-la, empresa fundamental para nosso desenvolvimento. Os bilionários do mundo querem comprá-la para dominar nossa energia. Fazem o mesmo com a Eletrobrás.

            O governo paga por dia um bilhão de reais de juros em dinheiro aos chamados credores de uma dívida falsa, porque forjada. Emitem mais de um bilhão de títulos da dívida para pagar os juros para os quais não dispõem de recursos financeiros. A soma do que pagam com o aumento da dívida soma mais de dois bilhões de reais por dia, mais que a arrecadação federal.

Amarraram o Brasil ao sistema financeiro internacional para nos colonizar. Logo nós, a nação mais rica do mundo em recursos naturais, com seu povo generoso e trabalhador, formando uma população de mais de duzentos milhões de habitantes. Estão zombando de nós, enquanto nos vendem de várias maneiras, formas e cores, um mundo de ilusão através da mídia vendida ao capital estrangeiro. Ela não diz uma palavra a respeito da verdade que está explícita aqui. Mas você, leitor, pode verificar agora na internet. Basta querer e apertar a tecla de seu computador.

Mais uma vez, obrigado caminhoneiros e a suas famílias sofridas! Vocês serão glorificados pela Nação brasileira. Vamos em frente. A vitória é nossa, do povo brasileiro. Com nossa verdade e nossa coragem derrotaremos a mentira e a prepotência.

            “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”

Rio de Janeiro, 26/05/2018

17, abril 2018 7:41
Por admin

Introdução à História e colapso da Civilização

 

A sociedade moderna está repleta de contradições, sob a forma de paradoxos e de omissões no atendimento das necessidades das pessoas. Comecemos pelos paradoxos.

 

Primeiro paradoxo:

 

A união das pessoas é uma necessidade. É sobre ela que a civilização foi construída. Mas essa união tem sido cada vez mais precária nos tempos modernos.

Foi em prol da segurança que as pessoas se reuniram em grupos familiares, em tribos, em nações e na criação da República. Foram essas diversas formas de união que garantiram a sobrevivência da humanidade. Por que então o paradoxo? As pessoas se unem por afeto ou interesse. Quando a afetividade e o interesse coletivo são negligenciados essa união ocorre apenas por interesse pessoal. É o que acontece com a sociedade moderna. Ao dilapidar a ética e os valores morais e sentimentais, a união das pessoas torna-se frágil e instável, pronta a se romper. Impera o egoísmo que leva à desconfiança, à corrupção, à deterioração da sociedade e ao colapso da civilização.

 

Segundo paradoxo:

 

Tudo que compõe o universo é energia; entretanto a humanidade está em permanentes conflitos e guerras por sua causa. A energia se manifesta em várias formas e condições, luz, calor, ondas eletromagnéticas, matéria, mas é una. Tudo é energia. Ela é tão abundante quanto é grande o universo. Assim, fazer guerra por ela é um paradoxo.

Dizer que há falta de energia é falsidade ou ignorância. O que há são seu mau uso e seu desperdício, ambos pela visão mesquinha do homem. Fala-se muito em produzir energia. Essa expressão é uma impropriedade, pois a energia é o fundamento de todo o mundo material. Ela não é criada, apenas transformada.

 

Terceiro paradoxo:

 

Há na natureza uma profusão de riquezas que atendem a todas as necessidades básicas do homem. No entanto as carências de toda natureza e a fome atingem um bilhão de seres humanos, o que é um paradoxo.

Ao homem foi concedida a prerrogativa de criar instrumentos e aumentar a produção natural através do seu trabalho. Assim fazendo, ele incorpora valor àquilo que produz. Como as riquezas da natureza, as criadas pelo homem deveriam ser dirigidas para sua sobrevivência e engrandecimento. Mas não é assim. A apropriação da riqueza por poucas pessoas não gerou apenas o progresso e o conhecimento, mas também relações de dependência e de conflitos que estagnaram um grande contingente humano na miséria e na ignorância.

As disputas pela riqueza, que fazem parte do cotidiano da humanidade, geram guerras e situações de submissão que resultam em sofrimento e infelicidade. A corrida pela hegemonia econômica e bélica trouxe a destruição de riquezas naturais, a miséria e o genocídio. A dependência do ser humano imobiliza sua criatividade e a própria produção social. Essas disputas são resultado de um comportamento humano egoísta, que transforma a abundância em miséria e sofrimento.

 

Quarto paradoxo:

 

As leis da natureza são para todos. Qualquer infração a elas, de onde quer que venha, terá a resposta adequada e predeterminada. As leis dos homens já não são assim. Só excepcionalmente elas se aplicam com equidade. Esse é outro paradoxo.

Nossas leis são produzidas pelo grupo hegemônico da sociedade para a defesa de seus interesses e o constrangimento dos outros, os subalternos. Além disso, o sistema de poder cria instrumentos para defender os membros privilegiados das castas sociais do rigor da lei, quais sejam, a manipulação do poder, a pressão política e o uso da força. Os meios para isso são o dinheiro e o poder do Estado, ambos com grande potencial de coação.

Quando não se consegue a impunidade dos membros das castas por meios institucionais, usam-se outros métodos, como a corrupção, a chantagem e o uso privado da força. Essa desigualdade é a negação do princípio republicano de que todos são iguais perante a Lei, além de permitir a manipulação do poder, o que faz da democracia uma farsa. As representações políticas refletem o poder real dos grupos sociais, não da maioria da população, como se divulga. Isso compromete outro princípio republicano, a soberania da vontade dos cidadãos. O poder nas mãos de uns poucos leva à concentração de renda e aumenta os conflitos sociais, tornando-se obstáculo ao desenvolvimento humano.

É preciso ter sempre em mente que só há democracia verdadeira quando imperam os princípios republicanos, a soberania popular, o respeito às leis, a igualdade de oportunidade, a liberdade, enfim, a cidadania plena para todos. Não há democracia verdadeira sem República, não há República sem soberania nacional.

 

Quinto paradoxo:

 

O modo de vida consumista praticado nos países mais ricos e as tecnologias destrutivas que o possibilitam estão em contradição com a capacidade da natureza de recuperar-se. Sua expansão para todos levaria ao colapso da natureza, outro paradoxo.

Há falsidade quando as nações mais capitalizadas querem impor aos outros povos sua cultura, seus hábitos e costumes, sua arte, sua língua, sem que haja possibilidade de oferecer-lhes o padrão de vida que suas populações usufruem. Como a cultura de um povo é, sobretudo, sua adequação às condições concretas de sua existência, essa exportação cultural é uma farsa, um engodo. O fato a ressaltar é que as nações do consumismo não podem ser modelo para os povos, porque sua cópia representaria o colapso da natureza. Visto por esse ângulo, só uma nova civilização preservará a humanidade.

 

* * *

 

Somam-se a esses paradoxos uma série de omissões, relativas a questões que exigem soluções imediatas, mas que são proteladas ou tratadas com descaso. Isso mostra que estamos atravessando um período de grandes contradições na sociedade que se mostra incapaz de resolver os problemas que afligem as pessoas. Esses problemas são:

O mau uso dos recursos naturais, que produz poluição e escassez. O descaso com as pessoas, que mostra que nossa sociedade foi incapaz de superar o elitismo e a prática escravista do colonialismo. A violência, que a mídia banaliza e expõe de forma irresponsável em enlatados de mau gosto, postura que revela uma aberração: preparar as pessoas para aceitar as guerras e sua desumanidade. Ela corrói a sociedade e as instituições e está contribuindo para o colapso da própria civilização.

Nossa sociedade ainda trata as diferenças com discriminação. Ela ignora que a diversidade biológica é necessária à preservação da espécie e a cultural é um recurso para superar o colapso das civilizações. Quando se discrimina, vê-se uma qualidade como defeito, um trunfo como uma desvantagem. Os colonialistas agiam dessa maneira para desqualificar os povos que colonizavam, ou escravizavam. A discriminação é um instrumento das nações mais ricas na sua investida para submeter governos, com o objetivo de impor suas políticas que visam sempre espoliar os povos e as pessoas mais pobres.

 

* * *

 

Para que tudo isso possa ocorrer, há um processo em curso de alienação da população, preparando-a para aceitar todos esses paradoxos e as omissões em relação à satisfação de suas necessidades humanas. A alienação coroa as contradições da sociedade e acentua o descalabro que se torna rotina na sociedade e nos governos que a representam. Ela tem como finalidade maior impedir que a população reaja às políticas impatrióticas das elites dominantes e às intervenções externas que elas apoiam. Tudo isso leva o país ao marasmo, à perda de sua identidade, de sua autonomia, tornando-o instrumento e vítima da dominação externa. Nesse quadro, não se pode esperar uma superação da condição de subordinação em que nos encontramos.

Dentre essas políticas danosas estão, a depredação da natureza, fonte de lucros para seus exploradores, e o esquecimento dos valores que norteiam toda coletividade para seu desenvolvimento e preservação. Mas a natureza não é passível de alienação. Suas leis são imutáveis e implacáveis. Suas respostas são contundentes, o que aumenta o risco das pessoas e da própria civilização, pois as pessoas se esquecem rapidamente dos desastres naturais. Mas haverá um momento em que a natureza dará seu basta a tudo isso.

Essas contradições são um desafio para todos nós. Foram elas que balizaram as pesquisas e as interpretações dos fatos históricos aqui relatados. Esse cuidado visou buscar na história informações e inspirações para a análise dos acontecimentos atuais e a tomada de consciência dos problemas que o homem moderno enfrenta. Entretanto, cada leitor pode ter uma visão diferente da do autor. Isso deve levá-lo às suas próprias pesquisas e interpretações. Além disso, a história é dinâmica. Ela está sempre em marcha. Cabe, portanto, a todos buscar compreender as causas e efeitos que movimentam a história, e tentar evitar novos impasses. Isso se faz através da superação de nossos pensamentos e nossas práticas sociais. Façamos isso!

 

 

15, abril 2018 4:47
Por admin

A Lei e a Ordem – III

As máscaras estão caindo

Arnaldo Mourthé

Nós vimos falando em mudança, em Lei e em Ordem. Isso porque há três naturezas de leis que temos a considerar, as leis do Homem, as da Natureza e as Espirituais. As dos Homens nos condicionam na nossa vida em sociedade. As da Natureza regulam nossas relações com ela própria. Entretanto, estas não dependem de nós, representam condições externas a nós e para aplicá-las devemos conhecê-las. Esse conhecimento pode ser empírico ou científico, mas é necessário. O filósofo inglês Francis Bacon, que conceituou o método experimental, dizia: A natureza só é comandada se é obedecida. Isto é, se quisermos usufruir da Natureza, além do que ela já oferece a todos, é preciso conhecer suas leis.

As leis Espirituais disciplinam toda a existência, incluindo as leis da Natureza. Elas regulam todas as relações do Universo, físicas ou espirituais. Entretanto, nós só as vemos como normas de disciplina do nosso comportamento, porque essa é a leitura que as religiões fazem delas. Elas vão muito atém disso, pois regulam tudo que existe, todo nosso Universo e outros universos. Para haver um Universo é preciso um ordenamento segundo leis imutáveis, envolvendo todas suas partes, pelo menos segundo o alcance de nossa inteligência limitada. Do contrário, seria o caos, o nada. Com a visão estreita das religiões, por mais sinceras que sejam elas, não podemos conceber a transição por que passa o Planeta Terra, da mesma forma que não se concebia que a Terra fosse esférica, e se transladava em torno do Sol, há pouco mais de 500 anos. Colombo penou para convencer o Rei de Portugal, que o recusou, e à Rainha Isabel da Espanha, que confiou nele e, assim, fez da Espanha o maior império da Terra por mais de um século. Defensor da Teoria de Copérnico, depois amplamente confirmada, o frei dominicano Giordano Bruno foi condenado por heresia e queimado vivo em Roma, em 1600.

Essas leis imutáveis regulam todo o Universo, a vida e as relações humanas, incluindo nossos sentimentos. Elas foram feitas para construir e fazer evoluir tudo que já foi e está sendo construído. Nelas não há espaço para a destruição, senão para a transformação do que existe para criar no seu lugar algo superior. A Lei de Lavoisier é um exemplo disso. Ela pode ser resumida na expressão: No mundo nada se cria e nada se perde, tudo se transforma.

Alguém pode contestar, dizendo: “Como isso é possível? Nós assistimos a destruição da Natureza e da vida humana nas guerras e nas disputas pessoais”. Acontece que essa destruição que vemos é feita por nós mesmos, apesar de sermos criados para construir, como seres criativos, enquadrados pelas leis Espirituais. E por que nem sempre o fazemos? Porque, para criar, é preciso do livre arbítrio. É esse atributo que nos permite ser criativos. Mas, ao aplicá-lo nós quase sempre erramos, porque estamos sempre investigando e a investigação acaba por destruir aquilo que é investigado. O texto acima, entretanto, parece contraditório. Fomos criados para construir, mas nossa ação destrói. Esse fenômeno é o da aprendizagem. Tudo que se aprende passa pelo fazer, e para isso é preciso conhecer as leis que permitem a criação. A destruição que vemos é apenas no plano material. No espiritual tudo se conserva ou mesmo tempo que evolui. A evolução se refere ao grau de vibração do ser, cada vez mais sutil.

A Lei da criação é a do Amor. Isso quer dizer, do respeito às leis espirituais e ao outro ser, humano ou não. Isso explica porque as doutrinas budista e cristã se assentam sobre o amor incondicional, que os católicos chamam de amor ao próximo. Toda a existência humana é voltada para sua evolução através do desenvolvimento de seu poder criativo, não de uma coisa qualquer, mas daquilo que favorece a vida e à sua evolução até que possamos chegar à perfeição existencial, enquanto espírito. Mas é difícil – podemos dizer impossível – compreender isso se acreditarmos nos dogmas que enquadram nossos pensamentos através de preceitos, ditos sagrados, mas que são apenas humanos, pois são demolidos sistematicamente pela evolução do conhecimento humano. Para admitir ser correto o que está escrito acima é preciso admitir, pelo menos, duas coisas basilares: a vida eterna do espírito, e a reencarnação como forma de obter experiência gradualmente para sua evolução. Não quero convencer ninguém de nada. Apenas julgo ser meu dever informar sobre o “Evento” que irá acontecer brevemente, no processo de nossa evolução que envolve todo o Planeta, que já saiu do espaço da 3ª. Vibração para o da 4ª. Vibração.

Tudo que venho dizendo de uns tempos para cá visa despertar as pessoas de um grande sono, produzido pelo estabelecimento na Terra de um modelo de sociedade que aliena e escraviza o ser humano. Entretanto, isso é apenas um alerta. A verificação de sua veracidade pode ser encontrada em mensagens espirituais. A Editora Mourthé vem publicando os livros Mensagens de Maria, que trata das Leis espirituais, contendo mensagens de pura ética. Eles são sete, quatro dos quais já editados e os outros em edição. Há muitas outras editoras que vêm fazendo isso há muito tempo, mas são discriminadas. Há dezenas, talvez centenas de mensagens no you tube que podem ser acessadas pela internet ou pela televisão. Quem quiser conferir o que está dito neste texto que o faça.

Já ocorreram, e continuam ocorrendo, grandes eventos relacionados à transição planetária. Muito se fala a respeito, mas a maioria das pessoas prefere não acreditar. Eles mexem com a condição de “conforto” que elas pensam que têm. Por isso a maioria delas não sabe que nosso Planeta já vibra na 4ª. Vibração. O mundo físico, o vegetal e o animal das florestas e águas já estão na nova vibração. A maioria da humanidade ainda não. Isso porque nós somos racionais e nossa razão está equivocada em relação à verdade desse fato e de muitos outros. Nós estamos submetidos a um bombardeio de falsidades para continuarmos em baixa vibração, o que permite a manutenção de uma ordem perversa que desconsidera o ser humano. Tudo isso eu venho revelando ao longo dos últimos vinte anos. Mas as pessoas fazem “ouvido de mercador” e ficam instaladas no seu falso conforto, porque desconfortável é o que ele é. A advertência está feita e minha obrigação cumprida. Agora é com vocês. Cada um por si e Deus por todos.

Mas falta uma questão, o grande EVENTO, que definirá tudo. Ele é um fluxo de Luz Violeta que envolverá todo o Planeta por um pequeno período. Ele elevará a consciência de todas as pessoas de boa vontade para a 4ª. Vibração, que já vigora na Terra, ou mesmo para a 5ª. Vibração, a da consciência plena. A partir daí todo esse arcabouço social, econômico e institucional se desmanchará, por exigência da nova consciência coletiva. Antes disso haverá uma brutal crise no sistema financeiro que liquidará com a farsa do dinheiro sem lastro e daquele falso, obtido fora da produção e originário principalmente dos juros da dívida pública e da agiotagem. A limpeza do sistema institucional já começou com o combate contra a corrupção e contra as leis fraudulentas nocivas aos interesses da população e da Nação. Não se trata de julgar pessoas, mas de combater suas condutas nefastas ao processo evolutivo da humanidade.

Esse processo, naturalmente, não é tranquilo. As reações daqueles que querem manter a velha ordem, ou torná-la mais cruel com a “Nova Ordem Mundial”, produzem conflitos por toda parte: políticos, sociais, institucionais e até entre países, com graves questões diplomáticas, ameaças bélicas e até guerras. Vejam o que ocorre no Brasil através das ações nefastas de seu governo impostor, e dos conflitos dos EUA com a Coreia e com a Venezuela, e ainda a guerra da Síria, essa com o apoio de seus aliados da OTAN. Todas essas questões e muitas outras são consequências da inadequação dos valores da Nova Era da 4ª. Vibração com a baixa vibração   relativa ao comportamento perverso inerente ao sistema que vem imperando no Mundo há alguns séculos.

Diante de tudo isso, uma questão fica clara: há um desmantelamento da sociedade que regula nossas vidas e suas manifestações nos setores da economia, da política e das instituições. Essas não são questões que possam ser resolvidas com essa ou aquela pessoa no poder, independente de quem seja, enquanto cidadão ou como portador de uma ideologia. É preciso esclarecer que tipo de sociedade nós precisamos criar para as novas condições de consciência da nossa população. Pois já há um despertar de consciência que se transformará em uma explosão de consciência com o Evento.

Nesse sentido eu editei um livro que aborda essa questão: MAMIFESTO – Por uma Sociedade de Paz e Fraternidade. Ele conclama as pessoas a pensar uma alternativa a tudo isso que está aí. Não se trata de especulação, mas de conclusões que podemos chegar a partir das experiências da Humanidade relatadas na nossa história. Especialmente as recomendações que nos deixaram os grandes pensadores e líderes religiosos da antiguidade e dos mais recentes, através da filosofia e das lutas sociais que buscaram resgatar a dignidade humana, especialmente as legendas adotadas pela Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.

Não podemos dizer que fomos surpreendidos com os eventos que estamos assistindo. Há dois mil anos Jesus de Nazaré, disse: Amai uns aos outros como vos amei, e Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. A limpeza que se opera, não apenas no Brasil, como no mundo, pode ser entendida através da expressão bíblica: A separação do joio do trigo.

Que assim seja, e será.

Rio de Janeiro, 14/4/2018.

12, abril 2018 10:12
Por admin

A Lei e a Ordem – II

Arnaldo Mourthé

É chegada a hora de tratarmos das mudanças que virão, ou melhor, que já estão acontecendo. Não em um futuro próximo, como as pessoas esperançosas acreditam, mas agora. Comecemos por buscar definir as condições em que vivemos.

Tudo que existe no mundo é uma forma de representação da energia. Desde a luz à matéria mais densa. Essas formas são variadas: ondas eletromagnéticas, como o pensamento, e eletromagnéticas, como a eletricidade, som, plasma, etc. Até nosso sentimento emite uma forma especial de energia. Nós vivemos em um mundo complexo, mas formado de um só elemento fundamental, a energia.

Planck constatou que a simples observação do átomo da matéria provocava sua mudança, pois o foton da luz, que permitia vê-lo, ao chocar-se com um elétron mudava sua órbita. Essa descoberta revolucionou a física e permitiu a compreensão da natureza da luz. Daí surgiu a física quântica e permitiu que Einstein formulasse a equação da conversão da matéria em energia, E=mc². Isso criou a possibilidade da construção da bomba nuclear, que é a maior ameaça para a humanidade, sobretudo pela natureza do poder nas mãos de pessoas egoístas e sem qualquer humanidade. A humanidade, por seus desvios de conduta, chegou a um ponto de se autodestruir. Esse é um fato irrefutável. Antes disso, ela já está destruindo a Natureza, que nos gerou e nos sustenta, para que possamos cumprir com o nosso destino, ou vocação, dependendo da interpretação de cada um.

Tudo no Universo está condicionado a um nível de vibração da matéria que é diferente em função de sua localização no Cosmos. Essa localização muda, pois tudo se move. Sem o movimento não é possível o equilíbrio dos astros, nem a vida. Esse é um principio básico da filosofia e da ciência. Cada local do Universo tem um grau de vibração, que depende do fluxo de radiação da Luz para ele. A terra ocupava até pouco tempo atrás uma posição de 3ª. Vibração. De alguns anos para cá essa vibração foi se elevando, ficando mais sutil, e hoje estamos mergulhados na condição da 4ª. Vibração.

A nossa Natureza elevou sua vibração acompanhando o fluxo vindo do núcleo de nossa Galáxia, mas nem todas as pessoas seguiram esse fluxo. Em algumas ele ocorreu,  em outras não. Isso porque nós estamos condicionados por nossos pensamentos, nossa compreensão ou não das coisas do mundo e da vida. E eles foram manipulados para que nós aceitássemos uma realidade perversa nas relações entre as pessoas. Um grupo de pessoas, que os espiritualistas denominam “das trevas”, semeou a obscuridade para que nós não compreendêssemos a realidade que nos cerca. Aquilo que nós consideramos uma realidade social possível, embora perversa, não é a realidade que poderíamos ter. Daí a existência de correntes filosóficas e religiosas divergentes, que confundem nosso pensamento. Assim como sistemas econômicos e culturas permissivas que discriminam e impedem que todos nós sejamos livres e conscientes que todos os homens são iguais na sua essência e que a fraternidade nos une e fortalece.

Isso foi possível porque na 3ª. Vibração é tolerada a dicotomia, que os religiosos chamam da luta entre o bem e a filosofia de contradição entre opostos. Em torno dessa questão há muita mistificação e dissimulação. Quem se interessar sobre esse assunto deve buscar informações juntos aos espiritualistas que lhes pareçam mais simpáticos ou confiáveis, ou aos grandes filósofos. Elas estão por toda parte. Mas, nós somos tolhidos por uma cortina que esconde os fatos e os destorce, para manter as pessoas na ignorância e passíveis de manipulação. Esse é o papel da grande imprensa financiada pelos interesses financeiros, mas também de outras organizações que se beneficiam da alienação das pessoas, tirando proveitos dessa situação. Não vamos apontar nenhuma delas. Cabe a cada pessoa descobrir por conta própria aquelas que são confiáveis e as que nos mantêm na escuridão.

Tudo que está acontecendo no mundo, e que nós vemos com espanto, está relacionado com essa mudança de vibração do Planeta Terra. Desde os governos perversos que negam direitos aos cidadãos, geram crises, discriminam e tomam medidas contra o povo, e de proteção de atividades econômicas predatórias, enquanto alimentam o desemprego e a marginalizam a população, até aqueles que produzem as guerras genocidas pelo controle das riquezas dos países mais fracos.

Soma-se a tudo isso uma questão extremamente grave. O nosso conhecimento científico e tecnológico foi mais além da nossa capacidade de administrá-las para o bem dos homens e da Natureza. O conhecimento científico do homem superou o espiritual, tornando-nos potenciais suicidas, pela capacidade destrutiva acumulada em um mundo dominado pelo egoísmo mais sórdido. Isso foi possível acontecer porque nossa civilização desenvolveu-se em uma condição de dualidade, alimentada pelo nosso livre arbítrio. Felizmente, essa situação já não pode acontecer na condição da 4ª. Vibração. Nela as respostas às nossas ações são imediatas, o que não acontecia antes. Essa resposta, na cultura espiritualista, chama-se Lei do Retorno, que corresponde à Lei da Natureza que Newton enunciou assim: A cada força (ação) corresponde outra força igual e oposta (reação). Uma agressão ao outro, seja qual for, reverte contra o agressor. É esse fenômeno que estamos presenciando a cada dia, da forma mais variada, pela televisão.

As discussões dos partidários de cada líder, não importa seu carisma, são apenas manifestações do desconhecimento da realidade que estamos vivendo. Não há mais condições para a impunidade persistir. A punição virá de uma forma ou de outra, nos termos da Lei do Retorno segundo os espiritualistas. Tudo o mais faz parte do jogo de ocultação da verdade, criado pelos sofistas (marqueteiros), de todas as cores, contratados para nos enganar e que funciona a todo vapor, graças à televisão mercenária.

Ainda voltaremos com mais informações sobre essas questões relevantes. Elas são fundamentais para o nosso despertar para a Nova Era que já existe na Terra, mas que não alcançou a todos nós, pois muitos estão mergulhados na obscuridade, administrada em nós todos os dias como um psicotrópico pernicioso, tornando-nos pessoas desinformadas, alienadas. É preciso ter muito cuidado com as “informações” dos noticiários de televisão e das idiotices divulgadas na rede social.

Rio de Janeiro, 12/04/2018

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Que o Museu Nacional seja o último patrimônio do Brasil a ser queimado!