22, maio 2017 7:41
Por admin

Não pagar a dívida pública com a fome do povo

Arnaldo Mourthé

Estamos sem governo. O Presidente que aí está não governa mais. Ele se tornou um animal coagido tentando se defender. Quando um animal está em perigo, inclusive o homem, ele reage, às vezes com violência, ou foge. No caso do Presidente, ele ainda não precisa fugir, basta renunciar. Mas, na sua mesquinha cabeça ele entende que a renúncia é confissão de culpa, o que ele não fará. Ele está na ilusão de conseguir comprovar que foi apenas ingênuo. Mas pode um ingênuo ser presidente da República? Pode um ingênuo defender uma Nação continental como o Brasil com mais de duzentos milhões de habitantes? Ingenuidade é pensar que pode.

O Presidente perdeu a condição de dirigir o País, Está fraco e desmoralizado. Pensa contar com o Congresso para voltar a si impor. Mas os congressistas não são ingênuos, pelo menos a maioria não o é. Também não é ingênuo o povo brasileiro. É ele que paga a conta de todos os desmandos que têm sido cometidos por seus mandatários, que o vêm traindo há muito tempo. A maior traição é alimentar uma dívida pública misteriosa, uma verdadeira fraude contábil, que retira dos cofres públicos uma fortuna todos os dias. Em 2016 a sangria diária foi de cerca 1,2 bilhões de reais. Para esse ano está previsto no orçamento 339,1 bilhões só para isso, o que corresponde a mais de 900 milhões de reais por dia. Temer se mantém no poder, e tentará mantê-lo o quanto puder, para continuar a pagar essa conta que é uma farsa, que está demolindo o Estado brasileiro, sacrificando enormemente a população, e esfacelando nossa sociedade. Os chefes do Presidente, que se escondem sob o codinome “mercado”, não querem que ele saia e farão tudo para segurá-lo no poder, com o seu tesoureiro Meirelles. O novo presidente poderá rever a política econômica do governo e fazer uma auditagem da dívida pública. Pode até suspender o pagamento dos juros até o resultado da auditagem que vai revelar a fraude.

Se isso acontecer o país retoma a governabilidade e pode desenvolver um projeto de desenvolvimento com soberania, e vir a ser uma grande potência mundial em uma década. Seremos o exemplo para o mundo que verá ser possível enfrentar o capital financeiro internacional e libertar-se para percorrer uma nova era de prosperidade com justiça social. Tudo isso é possível e pode começar aqui, no Brasil. Nós chegamos a uma situação dramática, mas singular. Podemos indicar o caminho para outros povos libertarem-se do poder diabólico do dinheiro sem lastro, e do lucro sem produção, geradores da grave crise que afeta quase toda a humanidade. Assim sendo, nossa crise pode vir a ser uma benção, por nos obrigar a buscar uma solução que não será só para nós, mas para toda a humanidade.

Tancredo Neves havia escrito no seu discurso de posse sua linha de conduta no governo. A mais incisiva do texto foi: …”restaurar a República e não pagar a dívida externa com a fome do povo”. Isso está no discurso que Sarney leu na sua posse. Terá sua morte sido consequência dessas palavras? No melhor hospital de Brasília, de uma cirurgia de diverticulite? Só Deus sabe. Fernando Henrique transformou a dívida externa em dívida interna e escancarou nossa fronteira ao capital especulativo. Com juros excessivos e irresponsabilidade na gestão da coisa pública, seu governo, o de Lula e o de Dilma, criaram essa situação de submissão do governo brasileiro ao capital internacional. Temer veio para completar esse serviço sujo: subordinar nossa Nação aos interesses perversos dos multibilionários do mundo. Veja só: a cada dia de Temer no poder serão pagos por nós mais de 900 milhões de reais aos “investidores”, ou seja, especuladores que são verdadeiros vampiros dos povos.

Toda essa forjada “valentia” de Temer é apoiada nessa horda de vampiros que infelicitam a humanidade. Eles querem ganhar tempo para forjar uma saída política dessa brutal crise institucional que vivemos. Eles precisam montar esquemas para que o futuro presidente seja um dos seus sequazes. É preciso que estejamos atentos às manobras que virão para continuar o sistema espoliativo a qual estamos submetidos. Se eles conseguirem seus objetivos, correremos o risco de perder o pouco que temos de independência. Essa crise que vivemos é decisiva para o futuro do Brasil, e sua solução, para nós, passa pelo equacionamento da sangria que sofremos pelo endividamento público.

Os que se intitulam especialistas em política não conseguem enxergar uma solução para a crise por uma razão muito simples. Eles não levam em consideração sua causa primeira, que é nossa dependência ao capital financeiro gerido a partir da Wall Street. Brasileiros, não caiam na discussão simplória de simples nomes conhecidos para superar nossos problemas! Estão todos comprometidos com essa mazela monumental que nos atinge. Procuremos soluções fora desses nomes. Não transformemos essa oportunidade de libertação em retaliações ou vinganças. O que passou, passou. O que não podermos é deixar que continuem a nos impor as restrições que sofremos sem necessidade. É preciso que cada criança tenha sua escola formadora de cidadãos, que cada doente seja cuidado com carinho e eficiência para recuperá-lo, que todos que queiram encontrem um trabalho para sua existência com dignidade. Afinal, que cada brasileiro se realize como ser humano. Todos merecem, a Natureza e os Céus estão a nosso favor.

Que sejamos um povo feliz em uma grande Nação de Paz e Fraternidade.

Rio de Janeiro, 2/5/2017

21, maio 2017 9:33
Por admin

A prostituição da alma

Arnaldo Mourthé

 O que  estamos assistindo nesses dias na televisão, sobre a promiscuidade do Presidente e seu governo com o  interesse privado, é algo aterrador. Se tentarmos encontrar uma explicação sobre tudo isso na história da humanidade não teremos êxito. Pelo menos eu não tive. Rememorando tudo que aprendi sobra a história, não encontrei nada que se comparasse com isso.

A história registra muitos desacertos dos homens, sobretudo dos seus chefes, mandatários ou não: engodos, injustiças, terror, espoliação, tirania, impostura e muitas outras mazelas. Mas nada que pudesse chegar ao nível do que vimos: a prostituição da alma de dirigentes de uma Nação, que se vangloriam com supostos êxitos ridículos do seu governo, enquanto aplicam uma política de cumplicidade com uma falsa elite, que se julga tudo poder pelo dinheiro que acumula.

Essa prática de associação criminosa de empresários e mandatários – que usufruem também dessa acumulação de riqueza – extermina a autoridade do Estado e mina a sociedade. Os métodos são a corrupção, pressões descabidas sobre autoridades nos mais variados níveis da Administração Pública e chantagem.

Não se trata apenas de prejuízos ao erário público. Os atos de corrupção e subordinação de autoridades de alto nível aos interesses pecuniários particulares, de eventuais poderosos, são terríveis para a Nação e para seu povo. Esses senhores têm o poder de fazer leis e administrar o dinheiro público, arrecadado de uma população trabalhadora carente e sofredora. Isso nos ajuda a compreender como um país tão rico como o Brasil, com uma população gigantesca de pessoas de boa índole, trabalhadoras e criativas, pôde chegar à situação vergonhosa em que nos encontramos.

O Brasil, desde o desembarque dos colonizadores portugueses em nossas terras, vem padecendo de um processo de espoliação severo e cruel. Até pouco tempo atrás esse processo era parte de sistemas espoliativos injustos, mas inseridos num processo civilizatório penoso, mas compatível com a evolução da humanidade naquele momento. Hoje, o que assistimos é a capitulação vergonhosa de nossos governantes diante de interesses mesquinhos e criminosos de pessoas sem qualquer compromisso com o destino da Nação e de seu povo. O pior é que essa capitulação não é apenas a subordinação a uma classe social de brasileiros, mas, principalmente, a interesses externos ao país. Nossos últimos governos capitularam diante do poder financeiro mundial. Nós nos tornamos submetidos aos senhores do capital do mundo, através de seus sócios menores internos e de dirigentes sem o mínimo de dignidade, de sensibilidade social e de patriotismo. Isso pode ser chamado de prostituição da alma.

Procurei acontecimentos históricos no mundo que pudessem ser comparados com o que estamos vivendo, mas não encontrei. Algo inusitado e grave está ocorrendo conosco. A única referência que encontrei foi na Bíblia, na profecia do Apocalipse de São João Evangelista. Será que estamos vivendo o “fim dos tempos”, ou a “revelação”, segundo o significado latino da palavra? O fato de aventar essa possibilidade revela, pelo menos, que estamos vivendo uma grande enrascada que precisa  ser consertada.

Rio de janeiro, 19/5/2017.

18, maio 2017 5:01
Por admin

Falta agora abrir a caixa-preta do Bacen-Copom

Arnaldo Mourthé

A Sociedade e a Nação estão doentes. Os escândalos de ontem, somados a todos os outros já apurados e ainda em investigação, evidenciam isso. O sintoma maior dessa doença é a corrupção. Esse é o diagnóstico de nossos clínicos, jornalista, comentarista, e ditos cientistas políticos, além de ser um sentimento geral. E estão todos corretos. Mas de onde vem essa doença, a corrupção?

Os médicos que praticam a clínica geral diagnosticam as doenças por sintomas. Cada doença produz uma reação orgânica característica, mas pode ser provocada por mais de um agente capaz de produzir no nosso organismo os mesmos sintomas. Quando isso ocorre, a medicina conta com outros recursos além de observação direta do paciente. São eles os exames laboratoriais e a visualização do interior do corpo humano através da tecnologia do raio X, do ultra som, ou da radiografia computadorizada. São muitos os casos que só podem ser diagnosticados com esses recursos de alta tecnologia.

A corrupção tem seus sintomas e seus agentes. Os sintomas são às vezes aparentes, luxo, casas suntuosas, barcos e outras propriedades incompatíveis com a renda da pessoa. Pode ser também favorecimento de pessoas físicas ou jurídicas por parte do poder público. Este é o que mais ocorre nos casos de corrupção que estão sendo revelados. A origem do dinheiro da corrupção, que pode também existir sem dinheiro aparente, como favores a empresas com isenção de tributos, etc.

O fato mais recente revelado pelos proprietários da JBS, uma das maiores empresas do Brasil, e que se espalha pelo mundo, vendendo seus produtos para dezenas de países e com fábricas no exterior, cinquenta delas só nos Estados Unidos, é um sintoma de corrupção revelador.

A JBS faz parte de um setor empresarial que mais cresce no país, o agro negócio. Mas sua produção é mais voltada para a exportação, como a das grandes empresas do setor. Elas recebem do governo benesses desconhecidas pela população, como isenções fiscais e farto financiamento privilegiado. No caso do JBS sua principal fonte de financiamento é o BNDES.

Isso se viu em outros inquéritos da Lava Jato como, por exemplo, os da Odebrecht e do Eike Batista, mas também da indústria automobilística e outras, mesmo sendo de capital estrangeiro. Observe-se que o epicentro da corrupção se situa na Petrobrás que, apesar de ser controlada pelo Estado, tem suas ações na Bolsa de Nova York, e vem sendo assediada pelas grandes petrolíferas que querem, não apenas o Pré-sal que esta descobriu, mas sua desnacionalização.

Se juntarmos todas as informações dos exames para o diagnóstico da causa de nossa doença, a corrupção, e todos os transtornos que ela causa no nosso organismo, a Nação. Vamos diagnosticar a causa dela, o capital estrangeiro, em especial o capital financeiro internacional. Há o interesse comum dos investidores, e seus bancos, em dominar nossa economia. Se observarmos com atenção verificamos que toda ela, nossa economia, está voltada não apenas para satisfazer as necessidades internas de nossa população, mas para a exportação de riquezas do Brasil para os centros financeiros do mundo.

Qual o papel principal da indústria automobilística, das mineradoras e de muitas outras empresas estrangeiras sediadas no Brasil. Certamente não é atender às nossas necessidades internas, mas explorar uma mão de obra barata, para obter altos lucros que podem ser enviados para o exterior. Mas para isso é precisa exportar, para criar divisas que permitirão a exportação de seus lucros. Isto é, com a exportação de automóveis que elas fazem a transferência de riqueza criada no país para fora dele, para as metrópoles onde estão suas sedes. O agro negócio de exportação e as mineradoras têm o mesmo objetivo: produzir divisas que são transferidas para o exterior, sob a forma de lucro e de juros, obtidos através da produção, como é o caso da indústria automobilística, da especulação financeira sob diversas formas, e, o mais substancial, os juros exorbitantes de nossa dívida pública.

Há aquela história de se saber que bicho era aquele que saía do rio e tinha boca e dentes de jacaré, couro de jacaré, olho de jacaré e rabo de jacaré? Poderia ser um peixe? Não, é jacaré mesmo. Assim é a causa de nossa doença. Muitas questões podem ser avocadas para explicá-las. É isso que fazem economistas, políticos, jornalistas, responsáveis pela formação da opinião pública. Difundem uma “teoria” confusa para enganar as pessoas, falando de necessidade de investimentos, das reformas trabalhistas e previdenciária, de corte nos gastos públicos que atingem a saúde, a educação, os sistemas de transportes, a segurança pública e impõem ao nosso povo os maiores sacrifícios para superar uma crise que não foi resultado dessas alegações, mas de uma brutal espoliação e da desinformação das pessoas, para que elas possam aceitar pacificamente sua tragédia cotidiana.

Se quisermos recuperar nossa saúde temos de combater nossa doença. Chamem-na como quiserem: corrupção, crise, incompetência, irresponsabilidades de homens públicos. Diagnosticada como o fizemos acima, precisamos ministrar os medicamentos corretos. Para isso é preciso uma investigação mais minuciosa. Precisamos saber quais os micróbios e como eles nos atingiram. Tudo indica que encontraremos a resposta abrindo a caixa preta do Bacen-Copom. É lá que está o principal foco da doença. É ali que o remédio deve ser aplicado para sua eficácia.

Rio de Janeiro, 18/5/2017.

 

16, maio 2017 1:39
Por admin

O autor Arnaldo Mourthé recebeu os amigos para um coquetel na Livraria Argumento no Leblon, no dia 12 de maio de 2017.

08, maio 2017 1:19
Por admin

“Ir com muita sede ao pote”

Arnaldo Mourthé

Essa expressão era corrente nos tempos de minha infância e juventude. Ela se refere à pressa e à afobação no fazer, para obter algo que muito se deseja. Seu significado era algo como “cuidado, porque você pode quebrar o pote”, enquanto a água que se quer escorre por terra.

Talvez os mentores do governo, que aí está, não tenham tido esse ensinamento. Um, filho de migrantes, portanto criado, um pouco ou muito, à margem de nossa cultura. Outro, embora filho da terra, mas viveu sua vida profissional no mundo hermético das finanças. Grande parte dela no exterior, a serviço de grandes banqueiros internacionais, chegando a ocupar cargos de escalão em suas corporações.

Eles são, portanto, dois quadros desprovidos da cultura fundamental do povo brasileiro. Assim não têm, nem um nem outro, os conhecimentos nem a sensibilidade necessários para tratar dos problemas de nossa sociedade. São como extraterrenos recém-chegados à Terra, empolgados talvez com tanta beleza e com sua grandiosidade, mas incapazes de senti-la.

Talvez essa premissa explique porque eles fazem o que estão fazendo, desconhecendo a vontade do povo, e o porquê  foram escolhidos para fazê-lo. Mesmo assim é preciso considerar  que eles não têm muita noção das consequências de seu trabalho, independentemente das questões colocadas acima. Eles não sabem nem mesmo o que significa uma Nação, nem suas instituições da nossa sociedade subordinada ao modo de produção capitalista, onde a hegemonia política é detida pela burguesia capitalista. Deixamos de considerar nessa observação nossa posição relativa no concerto das nações, de mais ou menos desenvolvidos, para não misturar conceitos precisos com definições fajutas, que classificam as nações pelo seu grau de industrialização ou desenvolvimento tecnológico.

Eles parecem não saber que nossa sociedade, dita democrática, precisa de certo tipo de instituição e de definição de direitos daqueles que a constituem. Por isso estão tentando destruir os direitos trabalhistas e previdenciários, necessários para que o Brasil chegasse à condição de nação moderna com instituições republicanas, embora geridas por forças políticas subordinadas à hegemonia da burguesia capitalista, associada ao capital estrangeiro produtivo.

Esse sistema só ganhou corpo com a Revolução de 30, que, reconhecendo os direitos de cidadão aos trabalhadores, criou as condições para o desenvolvimento das forças produtivas no Brasil, portanto favorecendo à nossa burguesia da cadeia produtiva. Para tal foi preciso que o Estado investisse nas indústrias fundamentais, as indústrias de base, e na infraestrutura de transporte e da produção de energia utilizável no processo produtivo. E, também, nos bancos de fomento da atividade produtiva. Esse sistema, conquistado sob a batuta de Getúlio Vargas, fez com que o Brasil se transformasse de um simples país “subdesenvolvido” – como dizem os intelectuais das metrópoles – em um país industrial e produtor de energia, alimentos e produtos minerais. Nesses dois últimos itens ele tem presença forte no mercado mundial, já subordinado aos interesses das grandes potências.

Esse processo foi penoso, pois a ganância das castas sociais internas e do capital estrangeiro, conspirou todo tempo contra o avanço do Brasil para a condição de potência econômica. Fizeram de tudo para assumir o controle do País. A primeira coisa foi liquidar Getúlio Vargas. Depois pressionar e desestabilizar os governos que pretendiam um desenvolvimento com soberania e justiça social. Como consequência, implantaram uma ditadura militar, que durou vinte anos e os atendeu enquanto existiu.

Mas eles queriam mais. Os militares, apesar de ditadores cruéis, resistiram a entregar o País à aventura do capital estrangeiro, então já sob a forma de capital financeiro, buscando o lucro sem produção. Facilitou-se assim a queda da ditadura para que o poder pudesse ser administrado por oportunistas e grotescos líderes políticos, que só viam seus interesses menores, mesmo sob a roupagem de projeto intelectual ou popular, como foram os casos de FHC e Lula.

Mas, apesar do estrago que esses governos fizeram no país para benefício do capital financeiro, eles querem ainda mais. Agora querem transformar o Brasil em colônia, como se fosse fácil nos subordinar a seus mesquinhos interesses. Colocaram no poder figuras ridículas e desprovidas de qualquer grau de patriotismo, para alcançar seus objetivos: subordinar o País a seus interesses pecuniários e de dominação. Mas o Brasil está reagindo. Essa reação exige da parte deles pressa no processo de dominação, enquanto manipulam um Congresso corrupto e desfibrado, impondo, através de legislação vergonhosa, o esfacelamento do Estado e de nossa Sociedade.

Daí a pressa definida neste artigo, como “ir com sede ao pote”: investir na urgência para alcançar seus objetivos. É por isso que estamos assistindo a essa tragicomédia da liquidação dos direitos trabalhistas e previdenciários, a toque de caixa. É assim que eles tentam liquidar com a capacidade da população reagir, submetida aos mais mesquinhos interesses do patrão. Sem a Lei que o proteja, o trabalhador será conduzido à condição de pedinte nas suas relações com o patrão, que poderá despedi-lo a seu bel-prazer, o que o levará ao desespero por não poder mais atender às necessidades mínimas de sua família. Para completar esse quadro de horror é providencial um grande número de desempregados que terão de aceitar condições miseráveis de trabalho, no lugar daquele que tentou defender sua dignidade.

Chegamos a um momento crítico do nosso processo histórico. Ou derrotamos esse inimigo terrível ou seremos submetidos à sua dominação, em um processo de regressão histórica, jamais visto. Não há como tergiversar em relação ao governo Temer, um agente do capital financeiro internacional com a missão de nos transformar em colônia. Simples assim.

Rio de janeiro, 07/5/2017

05, maio 2017 10:13
Por admin

O poder no Brasil – Apresentação

 

            Nós vivemos momentos difíceis. Abate-e sobre nós problemas que pensávamos superados. Não que vivêssemos em um mundo de maravilhas. Pelo contrário. Os relatos deste livro sobre a história do poder no Brasil, nos mostram que nunca nos faltaram problemas, e sempre tivemos que superar muitas dificuldades. Mas era um processo de desenvolvimento social, que se assemelhava aos que víamos na história da humanidade. Pouco a pouco a sociedade avançava. Às vezes lentamente, mas em certas ocasiões havia mudanças significativas, como na vinda da família real portuguesa para o Brasil, a independência, o fim da escravatura, a proclamação da República, a Revolução de 30. Também tivemos em 1964 um grande retrocesso quando do golpe militar que instituiu uma ditadura e maculou algumas conquistas sociais. Depois foi o fim da ditadura, a Anistia, a nova Constituição.

Parecia que tudo havia sido colocado em seu devido lugar, mas não foi assim. O aventureirismo tomou conta do quadro político. Parecia que os políticos já não sabiam mais qual era o seu papel na sociedade, e tinham perdido o sentido da institucionalidade. Os princípios republicanos já não faziam parte da sua formação cultural. Eles haviam sido, na sua maioria, alienados pelo trabalho meticuloso dos ideólogos e marqueteiros da ditadura. As consequências disso ficam bastante claras na sequência dos artigos que se transformaram neste livro em capítulos.

Para evidenciar que a sociedade não havia evoluído no seu conceito de poder, a série de artigos referida foi intitulada Os novos barões do café. Eu buscava chamar a atenção do leitor para o fato que nossa política continuava sendo feita como nos tempos da República Velha, sob o domínio dos “barões do café”. Mas os tempos eram outros e os atores políticos no plano mundial também eram. Os novos barões do café adotam uma política muito mais nociva para o Brasil, que aquela dos velhos barões, porque submeteram o país aos interesses e às regras do poder do capital financeiro internacional, sediado na Wall Street. As consequências disso ficam claras na parte final deste livro que fala sobre a involução da chamada Nova República, que se formou após a queda da ditadura militar.

O grau de submissão do atual governo, de Michel Temer, fica evidente quando ele, alegando resolver um problema financeiro que nos vem submetendo desde o tempo da ditadura – mas que intensificou com o governo de Fernando Henrique Cardoso – nos impõe o remédio amargo do arrocho salarial, e da redução de direitos do trabalhador, para pagar juros de uma dívida pública feita sob o comando dos próprios bancos credores e que está levando o país à insolvência. Ao contrário de tratar da questão da dívida – esclarecendo sobre o que ela representa e como foi feita, seus desacertos e suas ilegalidades – para sanarmos o problema, ele agrava a crise que essa dívida criou, com uma política de proteção do credor e de demolição dos serviços públicos. O governo Temer está impedindo a solução dos problemas criados pela crise econômica mundial e pelos  governos irresponsáveis que tivemos nos últimos anos, para salvar os promotores dessa crise financeira, os investidores e bancos dos países mais capitalizados.

No decorrer deste livro o leitor verá o quadro onde tudo isso se desenrolou e terá informações sobre a grande crise que afeta a humanidade e que coloca o mundo diante de uma opção radical: submeter-se ao grande capital e escravizar a grande maioria da população, ou reagir rompendo os laços com esse sistema perverso construindo uma nova Sociedade, uma nova Civilização.

 

02, maio 2017 12:54
Por admin

Um dia sabático

Arnaldo Mourthé

Muitos profissionais deixam sua atividade por um tempo, para reflexão. Querem saber se aquilo que fazem é o melhor para eles. Alguns voltam ao seu trabalho rotineiro, outros mudam completamente de vida. Muitas universidades dos países mais ricos concedem a seus professores um período de férias remuneradas para reflexão. São os períodos sabáticos, que podem ser até de um ano. E não se arrependem disso. Afinal elas querem estar seguras que seus professores estejam adaptados às funções que exercem. Há, portanto, um reconhecimento por parte das elites intelectuais da necessidade da reflexão. Caso contrário elas perdem sua condição, sua razão de ser.

Essa forma de entendimento não existe em muitas pessoas que aparentemente são instruídas e que, até mesmo, ocupam funções importantes dentro da sociedade. Isso eu constatei em algumas manifestações nas redes sociais. Pessoas ilustradas e consideradas por sua condição social e de instrução, atacando as manifestações dos trabalhadores do último dia 28, com um argumento curioso, aparentemente correto:  “Eles podem até ter razão, mas não têm o direito de impedir que as pessoas cheguem ao trabalho bloqueando os meios de transporte.” Será isso verdade?

Algumas coisas eu aprendi na minha experiência de 80 anos, 45 deles trabalhando na minha atividade profissional, inclusive no exterior. Durante cinquenta anos militei na política, aos quais incluo meus quase dez anos de exílio e minha prisão com tortura nos porões da ditadura. Uma dessas coisas é o direito à liberdade de todo ser humano, assim como o do povo de rebelar-se contra a opressão. Independentemente de minhas experiências, está escrito na Declaração de Independência dos EUA, de 4 de julho de 1776, o seguinte:

Nós temos por evidências por elas mesmas as verdades seguintes: todos os homens são iguais; eles são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis; entre esses direitos se encontra a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Os governos são estabelecidos entre os homens para garantir esses direitos, e seu justo poder provém do consentimento dos governados. Todas as vezes que uma forma de governo ameace esse objetivo, o povo tem o direito de mudá-lo ou de aboli-lo, e estabelecer um novo governo, fundado sobre os princípios e organizado na forma que lhe parecerão os mais adequados para lhe oferecer a segurança e a felicidade”.

Alguns de nossos cidadãos ainda não assimilaram esses conceitos, que são pilares da nossa civilização, consagrados há 240 anos. É de se preocupar, porque nosso governo atual está aí para destruir grande parte das conquistas do povo brasileiro em mais de 500 anos de trabalho e sacrifício. Eles manifestam sua intolerância para com um protesto de um só dia, feito em paz, apenas perturbado pela polícia assassina do Rio de Janeiro, em uma administração falida, herança da mais escabrosa história de corrupção de um governador de Estado.

Essas pessoas, no seu “conforto’ de alienados, usufruindo de alguns pequenos privilégios, atacam os desesperados, ou quase, que lutam apenas para manter direitos já conquistados a duras penas, depois de massacrados por uma elite canalha por mais de quatro séculos, período que se encerrou com a Revolução de 30 que veio dar guarida aos legítimos donos desse país, os trabalhadores que o construíram.  A mesma elite, agora se intitulando moderna, quer restabelecer o período de escravidão, aliada à maior desgraça produzida pela humanidade, o voraz capital financeiro internacional. Essas pessoas deveriam tirar seu período sabático, para uma profunda reflexão, antes que sejam deixados à margem da história, lamentando passar pelos mesmos problemas que nossos trabalhadores passam hoje.

O pior de tudo é que eles retardam a retomada de um processo de libertação do nosso país, o que vai custar muito caro a todos, sobretudo a eles mesmos, que certamente perderão muitos dos privilégios que desfrutam hoje, restando-lhes a lamentação.

Rio de Janeiro, 30/4/2017.

27, abril 2017 12:47
Por admin

O plano da Besta para o Brasil

Arnaldo Mourthé

O capital financeiro tem agido como a Besta do Apocalipse, na sua tentativa de dominar o mundo. Ele tem um plano especial para o Brasil, o país mais rico em recursos naturais do Planeta, e com mais de duzentos milhões de habitantes. Ideal para sua espoliação sob uma nova forma de servidão, ou escravidão. Para isso contam com uma casta de nossa sociedade que nasceu e prosperou explorando a mão de obra escrava.

Mas o Brasil é mais que isso. Tem cem anos a mais de história que a sede da Besta, os EUA. Somos plurirraciais, pluriculturais e desenvolvemos uma cultura própria exclusivamente nossa, que tem como principais fundamentos a tolerância e a convivência cordial com todos os outros povos. Temos sim, uma casta canalha que ainda não se identifica com o nosso povo, apesar dos nossos quinhentos anos de história.

Essa casta é o ponto fraco da nossa sociedade, que é utilizado pelos agentes da Besta, agindo através do uso abusivo do dinheiro, que corrompe para formar seu exército civil de mercenários. Além de corromper ele divide drasticamente a sociedade entre ricos e pobres, proprietários e não proprietários e elite e povo. Para a elite tudo, para o povo a Lei tirânica obtida através da corrupção.

No processo da formação de nossa Nação, as castas comandaram o processo político e econômico, que começou com a escravidão e continuou com o trabalho servil até que a sociedade se conscientizasse e revoltasse contra a tirania, a alienação e a espoliação exacerbada, praticadas por elas.

Foi feita a Revolução de 30 e, a partir daí, viemos construindo, a trancos e barrancos, uma República. Essa estabeleceu direitos sociais, dentre os quais as Leis do Trabalho e a Previdência Social. Também ampliou os direitos de cidadania, como o do voto dos alfabetizados e das mulheres, até então sem direitos políticos. A industrialização ganhou corpo com a intervenção do Estado na economia, especialmente criando as empresas estatais e implantando uma rede viária para integrar o desenvolvimento econômico, que ela promoveu com o objetivo de alcançar conquistas sociais em uma Nação soberana.

Mas esse projeto foi bombardeado e solapado pela casta dos barões, já então fortemente aliada ao capital financeiro internacional. Depuseram Getúlio em 1945 e o impediram de concorrer às eleições que ele mesmo havia convocado. Mas o candidato que ele apoiou, general Dutra, foi eleito presidente. Getúlio voltou ao poder em 1950, nos braços do povo, mas foi levado ao suicídio pelos barões por sua política desenvolvimentista, especialmente a criação da Petrobrás.

Os barões também tentaram impedir a candidatura de Juscelino e, depois dele vitorioso, sua posse. Não o conseguiram pela ação enérgica de um militar legalista e patriota, general Lott. Tentaram um governo favorável ao capital estrangeiro, com Jânio, ao qual impuseram uma política econômica favorável ao capital estrangeiro, mas ele tentou uma política externa independente e foi pressionado, a ponto de levá-lo a renunciar ao cargo.

Jango, vice-presidente de Jânio, tentou retomar a política de Getúlio, de desenvolvimento com soberania e justiça social. Enfrentou uma grande conspiração com o objetivo de denegri-lo através de uma imprensa mercenária e da corrupção eleitoral para eleger deputados favoráveis ao projeto do capital estrangeiro e das castas. Foi por fim derrubado por um golpe militar que contava com o apoio dos ricaços e dos grandes proprietários rurais, com apoio ostensivo dos norte-americanos, que chegaram a mobilizar sua marinha para um eventual apoio aos golpistas, caso houvesse resistência de Jango. Este, porém, julgou melhor não levar o país à guerra civil.

Instituiu-se uma ditadura militar por 20 anos, para aplicar a política financeira de interesse do capital estrangeiro e das castas apátridas do país. Ela foi tirana e cruel, mas foi superada por nova conjuntura internacional e pela resistência da população.

Foi costurada uma transição para a democracia, mas com objetivo de abrir o Brasil para o capital financeiro internacional, através da aplicação da política econômica neoliberal. Houve resistências. Mas elas foram vencidas. Da primeira vez, por acaso ou não, com a morte de Tancredo Neves, eleito pelo Congresso. Tancredo havia definido sua posição política escrevendo no seu discurso de posse, lido por José Sarney, seu substituto: restaurar a República e não pagar a dívida externa com a fome do povo.

Sarney ensaiou trocar a dívida externa por patrimônios nacionais inaugurando o ciclo de privatizações, mas a Constituinte vetou a iniciativa por meio de Projeto de Resolução. Mas com a eleição de Fernando Henrique Cardoso a tese do capital financeiro venceu. Não sem a corrupção de parlamentares para aprovar suas reformas. Ele adotou tanto quanto pode a política neoliberal que amarrou o Brasil ao capital financeiro internacional. Ali começou o desmonte do Estado que o governo Temer, totalmente dominado pela banca internacional, está tentando por em prática, com suas apelidadas reformas que não passam de demolição do Estado Republicano.

Lula, apesar de eleito contra a política de FHC, adotou-a por acordo com a Besta, com a contrapartida de mantê-lo no poder e realizar suas políticas sociais compensatórias, para socorrer os miseráveis, que assim deixaram de revoltar-se para ser seu curral eleitoral.

Toda a generosidade de Lula e Dilma, desmontando a Petrobrás já não era suficiente para a Besta. Ela quer mais. Quer a submissão do Brasil para ajudá-la na sua enrascada na gigantesca crise mundial, que não tem fim previsível. Para tal, era preciso derrubar o PT, já desgastado por seu envolvimento na corrupção. Esta também foi parte do projeto de dominação como instrumento de liquidação da Petrobrás, do enfraquecimento da engenharia nacional e desculpa para demolir o Estado.

Criaram o Governo das Trevas com Temer como boneco de ventríloquo tendo como “primeiro ministro”, controlador de tudo, do dinheiro e das reformas, uma cria da banca internacional que serviu por trinta anos ao BankBoston, Henrique Meirelles, o mesmo que levou o governo Lula à desgraça e o Brasil à maior crise de sua história.

Essa dupla, assistida por mercenários e corruptos, empreende a destruição da República e o avassalamento do Brasil através do crime de corrupção de parlamentares, que o grande filósofo iluminista francês, Rousseau,  considerou o pior dos crimes, porque faz as leis que submetem toda a Nação. Essa ação criminosa visa tornar permanente a sangria do Brasil através do pagamento dos serviços da dívida pública, destruir a cidadania retirando direitos do trabalhador com as “reformas” da CLT e da Previdência Social. Mas qual é seu objetivo final?

Visa-se conduzir o trabalhador, totalmente desamparado e pressionado pelo pavor do desemprego, a aceitar condições indignas de trabalho e baixos salários, depois de perder o amparo da Lei, que é preterida por um acordo entre desiguais, entre ele e o poderoso patrão multinacional. O empregado que não aceitar as condições do patrão perde seu emprego, e a condição de sustentar sua família, que abraçará a miséria, a fome e o desamparo. A reforma da Previdência só facultará a aposentadoria integral aos campeões da maratona da vida, que não despedaçarem seu coração na corrida. No máximo, 10% da população conseguirá preencher as condições exigidas para uma aposentadoria digna. Os outros morrerão antes.

O dinheiro da contribuição do trabalhador para a Previdência fica com os banqueiros para emprestá-lo a juros exorbitantes, ou aplicá-lo nos títulos da dívida pública surrupiando a maior parte dos impostos arrecadados. O FGTS será liberado para o espólio do trabalhador defunto.

Toda essa história parece filme de terror, mas é a realidade que tentam criar para nós. Mas qual o objetivo final de tudo isso. Usar nossa força de trabalho, que para nós é nossa vida, como combustível para produzir mercadorias baratas para a exportação. Elas serão muitas, porque nós não teremos dinheiro para comprá-las todas.

O dinheiro vindo de fora servirá para comprar peças no exterior, produzidas pelas fábricas dos próprios importadores em diversos países, para criar divisas que são enviadas ao exterior como seus lucros, satisfazer seus vassalos internos com importação de artigos de luxo e viagens ao exterior.

O projeto deles é transformar o Brasil em uma grande fazenda, tocada por servos ou escravos, disciplinados por seus bate-paus. Será se vamos aceitar isso? Então meu amigo, comece a se mexer porque o tempo exige.

Rio de Janeiro, 26/4/2017.

24, abril 2017 1:17
Por admin

A Lava Jato e o poder no Brasil

Arnaldo Mourthé

A Operação Lava Jato mudou a imagem do poder no Brasil. Mas ela não mudou o poder e não poderá fazê-lo. Ela apenas desnudou-o. Mas falta mostrar a natureza dele e o cerne da crise, a verdade nua e crua sobre o poder e a crise que estamos vivendo.

O rei ficou nu, como na história que revela a verdade camuflada pela propaganda da Corte. Diziam que o Rei mostraria uma nova roupa magnífica em seu desfile pela cidade. Mas ela só seria vista pelas pessoas inteligentes e sábias. Os pouco inteligentes ou ignorantes não conseguiriam vê-la.

O Rei desfilava galhardamente pela cidade. Todos aplaudiam, pois ninguém podia admitir sua pouca inteligência ou sua ignorância. Mas havia uma criança que não fora influenciada pela propaganda. Ela observava atentamente o desfile, que se transformou em um espetáculo intensamente aplaudido. Disseram-lhe que aquela manifestação era pela beleza da nova roupa do Rei. Mas, quando o Rei passou na sua frente, a criança não viu nenhuma roupa e gritou: o Rei está nu. A verdade veio à tona. Toda a mistificação, que hoje chamaríamos de propaganda enganosa. foi por terra. Todos se deram conta que a criança tinha razão. O Rei estava nu.

No caso do Brasil, o Rei tratou de recompor-se e continuou no poder. Agora trajando as vestes da modernidade sob a bandeira do neoliberalismo. E voltou feroz, afrontado, pois sua máscara fora arrancada no meio da rua por uma criança. Na sua nova mensagem, com a cobertura da mídia, ele investe contra a população, em nome da Nação que ele parece não conhecer. Buscou de fora auxílio de um mágico das finanças para justificar a situação de subordinação em que a Nação se encontra, escolhendo justamente o mesmo personagem que produziu a política que levou o país ao desastre. A crise se agrava e a sociedade se esgarça em conflitos sem fim, enquanto prevalecer o poder do Rei, exercido por um impostor.

Aquilo que podemos chamar de “a mãe da crise” permanece no cerne do governo Temer e seu séquito de ministros e parlamentares invertebrados que o apoiam. A mãe da crise no Brasil é a dívida pública. Há outra crise, a do sistema capitalista, que é internacional e é responsabilizada pela recessão e o desemprego. Mas a situação do Brasil é muito mais grave que a de qualquer outro país. Isso porque mantemos uma sangria permanente dos recursos do Tesouro Nacional, para despesas de uma dívida de origem misteriosa e inflada por juros exorbitantes. Esses recursos fazem falta aos serviços públicos que atendem nosso povo carente. Eles estão sendo, cada vez mais, drenados para as carteiras dos mais ricos através dos bancos que recebem dinheiro do Tesouro, criado pelo trabalho dos brasileiros, desviando-o para aqueles que nada produzem. Esse desvio está sacrificando o funcionalismo por atrasar o pagamento de seus salários, produzindo cortes nos investimentos públicos e aumento do desemprego.

Essa é uma trama internacional que, no Brasil, criou o caos que estamos vivendo, graças à submissão de autoridades brasileiras aos ditames dos chamados investidores, representados por alguns bancos instalados no Brasil, mas sobre controle direto ou indireto (associados) da banca internacional. A sangria a que somos submetidos tende a destruir não apenas os serviços públicos que geram empregos – e ajudam as famílias a subsistir na pobreza-, mas nossas instituições, nossa própria sociedade e a soberania do Brasil.

Alguns podem pensar que isso que está dito acima é exagero, mas não é. O governo tenta esconder a verdade, insistindo em convencer a população que sua fraude é algo grandioso. Para tal, usa seus ventríloquos e uma mídia mercenária, através de uma estratégia do medo para paralisar a população.

O que a Lava Janto revela é a ponta do iceberg que é constituído pela ação danosa do capital financeiro internacional, sangrando a Nação através da administração da dívida pública e da compra do nosso patrimônio público e privado. Essa parte mergulhada do iceberg que tentam esconder, alienando-nos, deve ser o nosso alvo principal. Aqueles que estão sendo desmascarados são apenas coadjuvantes: figurões da política, empresas de engenharia e a Petrobrás que o capital financeiro intenta destruir.

Se a ação de limpeza da Lava Jato não for ampliada ao sistema financeiro, continuaremos enrascados do mesmo jeito e desiludidos com a possibilidade de salvarmos o Brasil e seu povo da submissão aos poderosos do mundo. Mas como fazê-lo? Conscientizando-nos.

O meu novo livro O poder no Brasil contém informações preciosas sobre o nosso poder político através da sua história e a da República desde suas origens remotas. Em outro livro, A crise, você encontrará informações para compreender a crise mundial e seu reflexo no Brasil. Eu fiz o que pude para enfrentar o monstro que tenta nos levar para o desastre. Mas, é preciso muito mais do que a ação devotada daqueles que hoje buscam resistir à recolonização do Brasil, nos seus vários campos de atividade. Daqui pra a frente é preciso que cada brasileiro assuma seu dever. Continuo à disposição de todos para maiores informações e colaboração.

Que sejamos todos nós iluminados para vencermos essa grande batalha que não é só nossa, mas de toda a humanidade. Boa sorte a todos.

Rio de janeiro, 22/4/2017

 

 

14, abril 2017 9:31
Por admin

A Páscoa poderá ser nossa Ressurreição

Arnaldo Mourthé

O dinheiro é simplesmente a representação do valor que o trabalho confere a uma mercadoria.

Mas o dinheiro que gira no mercado financeiro tem outras origens: a sua emissão sem lastro; a especulação de toda ordem; os juros da dívida pública; a ilusão dos lucros presumíveis que dita os preços das ações nas bolsas de valores e dos títulos do mercado futuro.

É preciso separar o dinheiro que tem origem no trabalho, que é verdadeiro, daquele criado por maquinações intelectuais que contaminam a economia mundial e as instituições do Estado Republicano. O dinheiro falso produz crises, miséria e sofrimento, e submete nações. A dívida pública é o seu principal instrumento de dominação. Isso se dá porque os juros dela obtidos não tem origem no trabalho, são falsos valores que no mercado produzem inflação, o que obriga que parte deles seja capitalizada, fazendo a dívida crescer sem limites.

Em torno desses artifícios, criados pela corrupção dos poderes Legislativo e Executivo, o Estado passa a ser dominado pelo poder do capital financeiro, que dita a política econômica. Esta drena recursos do Tesouro que seriam para a prestação de serviço à população ou investimentos na infraestrutura do país: em transporte, em energia ou com outras finalidades. Depois de pagar os tributos o cidadão ainda é penalizado pela falta dos serviços públicos que degradam sua vida e geram toda sorte de conflitos que são revelados no caos em que nos encontramos.

O dinheiro falso tornou-se uma fonte de poder aparentemente inesgotável, mas que esbarra na reação do ser humano contra s submissão ao poder fraudado e impostor, exercidos pelos senhores do capital financeiro.

O país que não reverter esse quadro de submissão perde sua condição de Nação. Perde sua Soberania. Torna-se apenas um território habitado por não cidadãos submetidos à sangria dos dominadores, verdadeiros vampiros, a uma condição de servidão, senão de escravidão. Chegou a hora de dar um basta a esta situação absurda de sermos submetidos por uma fraude contábil, o que é o caso da dívida pública. Tida como uma obrigação prioritária ela tornou-se um paradigma que define nossa existência de submissão enquanto pessoas e Nação.

Nós temos valores culturais para nos orientar e critérios objetivos para nossas ações. Dentre eles ressaltamos a Ética, que é o respeito ao outro, definida pelo cristianismo como “amor ao próximo”, que nas palavras de Jesus aparece sob a expressão “amar ao próximo como a si mesmo”, deixando claro que todos são iguais e que para o outro você é “o próximo”. Buda já ensinava o “amor incondicional” que é outra forma de expressar o mesmo conceito. Esse é o paradigma fundamental para a superação do caos em que o poder do dinheiro falso nos levou. Mas só o alcançaremos se tivermos imbuímos de uma virtude fundamental, que é a Fraternidade entre as pessoas. Esta é a palavra chave da Ressurreição da Humanidade.

Aproveitemos o próximo domingo para levarmos à prática nossa ressurreição enquanto pessoas e povo. Façamos uma profunda reflexão sobre esse tema e iniciemos uma pesquisa efetiva para sua compreensão, em termos materiais e espirituais.

Boa Páscoa para todos.

Rio de Janeiro, 14/4/2017.

22, maio 2017 19:41

Não pagar a dívida pública com a fome do povo

21, maio 2017 21:33

A prostituição da alma

18, maio 2017 17:01

Falta abrir a caixa-preta do Bacen=Copom