06, dezembro 2017 9:48
Por admin

Quem é o maior responsável por nossa tragédia nacional?

Arnaldo Mourthé

A resposta é simples; a nossa omissão.

Quem se sentir ofendido, que me desculpe. Não quero ofender ninguém.  Mas é de meu dever alertar a todos da gravidade da nossa situação. Até mesmo àqueles mais empenhados em buscar saídas desse caos, com seu próprio sacrifício. Afinal, me foi dado o privilégio de  viver 81 anos, intensamente, conhecer muitos países, os mundos da técnica, do esporte, da literatura, da política, até dos porões da ditadura, da vida enfim, com sua grandiosidade e seus percalços. Não tenho o direito de omitir o que me foi revelado, por minhas experiências, meus estudos e meus contados com personalidades que  fizeram história.

Não posso apenas guardar para mim tudo isso, e viver a minha aposentadoria, adquirida aos 70 anos de idade, quando milhões de patrícios não têm nem o direito ao trabalho para sustentar sua família, muito menos para se aposentar. Não o fiz, não o faço e não o farei. Vou colocando tudo para fora. Digam o que quiserem aqueles que se deleitam em criticar e colocar sobre os outros a responsabilidade das nossas mazelas. As redes sociais então cheias deles. Não os culpo. Não culpo ninguém, especialmente, pelo que está aí. Somos todos vitimas de uma condição que não foi criada por nós, mesmo que alguns tenham tido a oportunidade de amenizar as consequências das agressões que sofremos, sendo menos egoístas do que foram.

Além de considerar que a “culpa” é do outro, há uma tendência para negligenciarmos nossa potencialidade. Aceitarmos o mito do poder, que a sociedade nos ensinou. Aceitamos até mesmo sermos vítima dele, sem questionar. É o que nos está acontecendo. “Mas eu não posso fazer nada!”. É o que mais se ouve. Pois esses estão enganados e não apenas isso, conformados, o primeiro passo da submissão.

Mas tenho algo a dizer-lhes sobre o poder. O poder está dentro de cada um de nós. Fora dele só há o poder Divino e o da Natureza. Não há poder do homem que não tenha origem em nós mesmos. Se alguém diz que há, está mentindo ou enganado. Vamos à questão!

Se temos um problema, só nós mesmos temos condição de resolvê-lo, ninguém mais. Mesmo quando a solução depende do outro, é preciso que nós tomemos a iniciativa de acionar o outro para agir. Do contrário nada será resolvido. Viveremos nosso drama na solidão, talvez no desespero.

Da mesma forma o problema de uma família está nela mesma. Só um de seus membros poderá resolvê-lo, ou a união de todos. Isso vale para a comunidade ou empresa. Vale também para uma nação. Em alguns casos precisamos de solidariedade, ou ajuda de fora, mas que só será positiva se for solicitada por nós ou for de nosso interesse. Qualquer solução externa ao corpo social não pode contrariar seus interesses. Se o fizer  será invasão de privacidade. Para a nação a privacidade se chama soberania.

Se assim é, estamos sendo violentados. Temos um governo que nos obriga o que não queremos. Que usa apoio externo para nos pressionar. Que corrompe para nos dominar. Será natural que possamos aceitar isso? Não é. Mas por que está acontecendo? Porque nós estamos divididos, uns culpando os outros. Onde está nosso amor próprio. Ele não é apenas individual. Ele vale para o coletivo. A família, um grupo de amigos ou colegas, os de mesma nacionalidade. Pois quando nos agredimos mutuamente, estamos nos negando a solidariedade, a unidade  que é nossa força. Todos que agridem o outro, nosso compatriota, por pensar diferente de nós, está nos enfraquecendo. Ajudando nosso inimigo, nos levando à submissão e à nulidade. Deixamos de ser, para não sermos nada. Viramos coisas, que não têm direitos nem deveres. Para não sermos coisas. devemos ter a consciência que precisamos ter os dois: direitos e deveres. Não só para nós, mas para todos.

Agora poderemos ver uma omissão de muitos de nós. Nós estamos negando nossa unidade, nos negando nossa força. O homem vive em sociedade, porque fora dela não mais existiria. E a sociedade tem sua força na sua Unidade. Enquanto falarmos mal uns dos outros, os inimigos nos impõem, todos os dias, derrotas e prejuízos. Estamos sendo massacrados.

Como superar isso? Fazendo uma reflexão e reconhecendo nossas limitações. A principal delas é nosso conhecimento precário e nossas ilusões. Precisamos nos informar. Só assim tomaremos consciência do que está acontecendo. Façamos isso, procuremos conhecer os fatos. Os  verdadeiros, do passado e do presente. Os divulgados pela mídia não são verdadeiros. Os poucos verdadeiros são menores, sem significado. Servem para dar veracidade aos falsos. Seu conhecimento não nos ajuda, apenas nos ilude mais ainda.

Precisamos nos conscientizar. Aprender uns com os outros. Melhor será se for com o mais próximo de nós. Tenhamos confiança em nós mesmos e em nossos próximos, parentes, amigos, companheiros de trabalho, concidadãos nossos, patrícios nossos. Confiemos no que é nosso. Sejamos nós mesmos. Podemos mesmo afirmar que somos os melhores, pois somos múltiplos, representamos grande parte da humanidade. Partes delas, as mais diversificadas, estão aqui, são brasileiros. Nem todos, sabemos disso. Mas esses são facilmente reconhecíveis. Por suas palavras, por suas atitudes, por suas posições contra nosso povo.

Precisamos também conhecer nossa história. Ela vai nos dizer o passado de cada um, ou seus vínculos ancestrais que o fazem agir em consequência. Precisamos nos conscientizar enfim. Ou o fazemos, ou nos submetemos. Não basta identificar os culpados, mesmo que estivermos certos. A questão é não nos submetermos, é construir nosso destino. Que assim seja!

Rio de Janeiro, 05/12/2017.

01, dezembro 2017 7:15
Por admin

Por um Brasil de Paz e Fraternidade

Arnaldo Mourthé

O regime republicano instituído no Brasil, em 15 de novembro de 1889, já nasceu velho.  Tanto que ficou conhecido como República Velha. Há pelo menos duas razões para esse conceito. A sua ideologia positivista e o exercício do poder, logo após seu nascimento, pelos barões do café, uma retrógrada casta escravista. O positivismo deixou sua marca na legenda da nossa bandeira: ORDEM E PROGRESSO. Mas, o que é o positivismo? Uma doutrina criada pelo francês Auguste Conte (1798-1857), semelhante a uma religião, que via a humanidade como sua deusa. Mas, apesar disso, não tratava dos direitos do homem. Seu enfoque era buscar a regeneração social e moral dele. O homem visto como um elemento fora da sociedade, como se isso fosse possível. Seu lema é O Amor por princípio e a Ordem por base: o Progresso por fim, como está escrito na fachada da Igreja Positivista do Rio de Janeiro.

Foi desse lema que saiu a legenda expressa na Bandeira do Brasil: Ordem e Progresso. O que significaria essa expressão? Ordem é uma disposição de meios para obter-se um fim, uma regra ou lei estabelecida. Pressupõe disciplina e obediência, mas não diz para que. No fundo é uma palavra sem significado preciso, que pode ser usada ao bel prazer da autoridade. Não é um princípio, como as legendas da Revolução Francesa, Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Estas sim, falam por si mesmas, são princípios a serem seguidos pela sociedade e, obrigatórias para a autoridade que ouse falar em seu nome.

E o que vem a ser Progresso? É o movimento para adiante, um avanço, uma evolução. Mas, em que direção? Para qual objetivo? Induz a pensar que esse objetivo seja o bem da sociedade, a superação de cada estágio da sua evolução. Mas qual seria essa sociedade? Essa questão fica em aberto, deixa margem a interpretações. O progresso para um pode ser o retrocesso para outros.

Foi exatamente isso que aconteceu. Como os militares não representavam nenhum dos componentes da sociedade, classes, setores, etnias ou organizações políticas, que pudessem  dar-lhes suporte no poder, eles o entregaram aos barões do café. Manteve-se assim a estrutura social da colônia e do Império. Já não havia mais a escravidão que o Império extinguiu, mas permaneceu a cultura escravocrata da aristocracia, e a casta do baronato que espoliou o país desde o início da colonização.

Para o baronato, a legenda Ordem e Progresso veio a calhar. A Ordem seria a sua, que ela estabeleceria conforme seu interesse. O Progresso poderia ser interpretado de várias maneiras. Se a interpretação era feita por eles, ela seria do seu interesse. Por exemplo: ampliar seus negócios, montados sob a exploração desumana dos trabalhadores em associação com seus sócios no exterior. Assim, eles reinaram até 1930, quando a sociedade reuniu condições para derrubá-los do poder com uma Revolução Republicana.

Mas essa Revolução, em especial sua obra social, especialmente voltada para a proteção do trabalhador, com a legislação trabalhista e a Previdência Social, não foi assimilada pelo baronato, nem por seus sócios externos, que viram sempre o Brasil como um balcão de negócio de alta rentabilidade. Daí os conflitos sociais e as conspirações que levaram ao Golpe de Estado de 1964. De lá para cá, o baronato e seus associados externos deitaram e rolaram sobre o Brasil. Os militares, que foram usados para esse projeto antissocial e antinacional, serviram a eles, mas não se dispuseram a dar o passo audacioso que os associados externos queriam; destruir a Soberania Nacional.

O melhor seria, para os conspiradores, acabar com a ditadura e criar um regime de governos dóceis, de capatazes que administrassem a espoliação desenfreada do Brasil. E deu no que deu. Sobre isso já falamos sobejamente.

O pior é que o governo que aí está nem mais respeita a legenda da Bandeira Nacional. A Ordem virou desordem. Instalou-se um cassino de irresponsáveis que fazem e desfazem, no seu jogo do ganho fácil e farto, através da fraude, sustentada pela corrupção mais deslavada. A desordem alcançou o Poder Legislativo que vende aprovações de leis nocivas ao interesse público, através da mediação do próprio Presidente da República. O Progresso foi transformado em retrocesso pela perda de direitos dos trabalhadores e alienação do patrimônio público.

A “ordem” dos banqueiros está produzindo a falência do Estado e a desorganização da Sociedade. Seu “progresso” é o  retrocesso da Nação, na Cultura, na Educação, na Segurança Pública, e no desenvolvimento da economia. Gera o desemprego e a miséria da população.

A desordem espalhou-se pelo país, a partir das medidas de demolição do Estado, por iniciativa do próprio Poder Executivo, desorganizando a Administração Pública, demolindo os serviços prestados à população, e sustentando os banqueiros com metade da arrecadação da União, além de aumentar anualmente em mais de 10% a dívida pública.

Há pessoas que fazem descaso dos princípios e dos conceitos que devem nortear a vida da sociedade, como a de cada cidadão. Pensam apenas nas disputas de poder e confiam na oratória enganosa dos políticos. Esses desconsideraram as grandes mensagens que emanam dos princípios e das legendas que os representam. Mas se tivéssemos escritos na Bandeira Nacional legendas fundamentais para o bem estar e o desenvolvimento da sociedade, talvez tivéssemos uma maior consciência popular que pudessem orientar ações em defesa da Nação e da Cidadania. Imagine se no lugar de Ordem e Progresso tivéssemos as palavras PAZ E FRATERNIDADE! Fica a sugestão.

Rio de Janeiro, 30/11/2017.

30, novembro 2017 9:52
Por admin

Saber querer

Arnaldo Mourthé

Todos nós sempre queremos alguma coisa. Sobretudo quando atravessamos situações difíceis. Aí nosso querer é forte, o de superar as condições que nos afligem.  Eu bem gostaria de morar em um sítio tranquilo, com jardim, pomar, um regato cantando, fazendo o contraponto aos passarinhos. Dispensaria a televisão, embora ainda existam alguns programas que nos informam coisas interessantes e nos divertem com arte e bom gosto. Mas para ficar livre da televisão controlada pela propaganda desnecessária ou enganosa, cuja finalidade é nos alienar, eu a dispenso com prazer.

Querer é fundamental para todos nós. O contrário, o não querer, é sempre um problema. Algo de errado se passa conosco. Mas, o simples querer pode ser traiçoeiro, quando se trata de conseguir coisas que estejam distante de nossas possibilidades. Pior ainda é o falso querer. Aquele que nos é incutido pela publicidade, ou outra má influência que não nos pertence e que pode ser uma armadilha. A de orientar nosso pensamento para o desnecessário ou o inalcançável. Isso nos desorienta e nos impede de centrarmos nossos esforços naquilo que é de nosso interesse e de nosso direito. Pois é amigo, estamos todos atolados no falso querer. No querer ilusório. No devaneio ou no desespero que tantos de nós vivem no presente.

Pois é isso aí. Eu talvez não alcance o sítio dos meus sonhos, mas cultivo o meu querer em um Brasil que seja aquilo que todos sonhamos. Cada um imagina-o à sua maneira, em função da sua natureza, da sua cultura regional, de sua vocação, do seu modo de ser enfim. Mas todos, isso é o que penso, querem um país justo e fraterno, acolhedor como é a natureza do seu povo. Mas é necessário enfocar como poderá ser esse país. Somos mais de duzentos milhões de seres, de várias origens, mestiços, de todas as raças e múltiplas etnias e culturas, todos à busca deste “país do futuro”. Esse futuro está sendo protelado por quinhentos anos. Mas ele pode ocorrer amanhã, não no sentido dos dias, mas do curto espaço de tempo. Aquilo que é hoje a nossa perplexidade, para quase todos, ou a desesperança para muitos, pode ser apenas o sinal de que chegou a hora de conquistarmos o nosso futuro, aquele que queremos.

Mas nesse futuro, de cada um, deve caber o futuro de todos. Não o conseguiremos com o egoísmo, que deformou a sociedade que construímos com nosso amor, nosso esforço e nossa competência. O ego tem sido o nosso maior inimigo, escondido dentro de nós mesmos. Ele é manipulado por outros egos, esses poderosos no plano material, donos do dinheiro e de tudo que ele pode comprar. E está comprando quase tudo. A consciência das pessoas, se é que elas a possuíam, e nossa própria vontade, nosso querer, através da alienação de uma mídia mercenária, que só faz defender os interesses desumanos dos poderosos, que controlam a economia e o poder político. A economia, construída com nosso trabalho, e o poder político, conquistado com nossos votos, estão sobre controle de egoístas, e voltados contra nós.

Não há querer individual que se sustente em um quadro como esse. A não ser que ele seja um querer egoísta que, em troca de pequenos privilégios, nos faça aceitar esse poder tirânico que tenta liquidar nossa Nação. O filósofo e linguista americano Noam Chomsky disse que o poder que hoje nós chamamos de democracia, não passa de um poder unilateral das elites, consentido por nós. Isto é, o poder que nos obriga e nos oprima é consentido por nós mesmos. Da nossa ilusão de que ele nos representa advém o poder que nos oprime, que nos leva à pobreza, à discórdia e a conflitos diversos, inclusive à guerra, nas quais morremos.

Tudo isso nos leva à necessidade de que nosso querer deve ser autêntico, corresponder às nossas necessidades humanas, não apenas materiais, mas também espirituais. Para que assim seja é preciso que nosso querer seja coletivo, o querer de todos, e que ao mesmo tempo nos permita não apenas nosso querer pessoal mas, também, alcançarmos sua realização.

Esse querer é possível se conseguirmos alcançar uma sociedade organizada nos moldes do modelo de República concebido por Rousseau, onde ela se apresenta como a vontade geral dos cidadãos. Não temos que inventar muita coisa. Os grandes pensadores, filósofos, líderes religiosos e cientistas,  pensaram por nós e nos presentearam com seus pensamentos. Cabe-nos conhecê-los e aplicá-los com critério. Para isso é preciso que conheçamos esses pensamentos. Eles estão à nossa disposição nas livrarias e nos são transmitidos por diversas fontes, mas nós não damos muita importância a eles, mesmo até os menosprezamos. A mídia avassaladora desvia nossa atenção para as futilidades e nos incute a desinformação. É preciso que tenhamos consciência disso e mudemos nossas referências, em matéria de conhecimento e do que está a nosso favor ou contra nós.

De minha parte já defini o meu querer principal: um Brasil de Paz e de Fraternidade. Convido a todos que queiram esse novo Brasil a pensar nele, como ele deve ser e como alcançá-lo. O que não podemos é aceitar a mistificação, aceitar tudo que nos é imposto por uma casta despudorada, impatriótica e aliada ao que a humanidade produziu de pior em toda sua história, o capital financeiro internacional.

Rio de Janeiro, 29/11/2017.

28, novembro 2017 3:51
Por admin

É preciso saber para onde ir

Arnaldo Mourthé

Se não soubermos para onde ir poderemos chegar onde não queremos estar. Hoje, saber para onde ir é uma das principais questões que se colocam para nós, todos os brasileiros.

Quando observamos a questão do poder, vemos claramente que tudo está errado. Nem é mais preciso enumerar fatos.  Isso já está em nossa consciência coletiva, salvo para uma casta de indivíduos sem escrúpulo que manipulam o poder e para os desinformados ou alienados.  O poder está contra nós, o povo brasileiro, de todas as classes sociais e de toda nossa diversidade. Mas, mesmo assim, ele está lá, cambaleante e soberbo, até mesmo prepotente e arrogante. Como isso foi possível?  Porque aqueles que tudo comandam sabem onde querem chegar. Os que executam a tarefa sórdida de fazer e impor leis, não são mais que capatazes de um poder maior que dispõe deles como instrumentos de gestão daquilo que eles consideram seus domínios já adquiridos ou a serem conquistados. Voltaremos a essa questão mais adiante.

Enquanto isso estamos aqui, humilhados, desconsiderados, desempregados, empobrecidos. Nossos filhos já não encontram uma escola que um dia buscamos construir para formar cidadãos. A segurança das pessoas, seu direito à vida, foi substituída pela ganância dos que se intitulam “investidores”, mas que não são senão espoliadores do povo, diretamente ou através do Estado. Este está submetido à chantagem de uma dívida criada artificialmente e ilegalmente, e a toda sorte de especulações e à corrupção, que alicia mandatários para submeter o Estado e a Nação. Esse quadro se revela nas mortes que acontecem por toda parte. Na frente dos hospitais, por falta de atendimento. Pelas balas perdidas das guerras que o Estado trava contra o crime organizado, ou de outros conflitos que as autoridades nem sabem explicar. A violência generalizou-se, pelo descaso do poder público ou pela marginalização de grandes contingentes da população. O trânsito feroz dos veículos, nas estradas e ruas, extermina mais pessoas que as guerras que se espalham pelo mundo. São perto de 50 mil por ano, além dos feridos.

Também matam pela fome gerada pelo desemprego e pela espoliação implacável da mão de obra mais humilde, em especial no campo, onde ainda vigora relações de trabalho mais cruéis que a escravidão. Isso porque, enquanto o escravo dos tempos coloniais e imperiais tinha sua vida preservada pelo senhorio, porque ele lhe custava caro, o trabalhador do novo regime escravista não é propriedade do patrão. Na sua visão mesquinha, a pessoa do trabalhador tornou-se descartável. Ela pode morrer porque outra ocupará seu lugar. Essa é a lógica da nova escravidão, ainda localizada, mas que é parte do projeto maior do capital financeiro de dominar o país. Esse processo já toma forma com a liquidação da CLT e se aprofundará com a Reforma da Previdência.

Esses fatos nos conduzem a entender que o crime organizado dos desesperados da Favela é como o “pivete”, comparado com aquele outro crime organizado no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional, fruto da corrupção nefasta do capital financeiro. Este não apenas assalta ou trafica drogas. Ele criou um mecanismo diabólico de espoliação do Estado, em especial pela dívida pública, que nos custa um bilhão de reais por dia em dinheiro, advindo de tributos pagos com nosso trabalho e sacrifício, e outro bilhão de reais em aumento da própria dívida. Este ano, até setembro, a dívida pública federal cresceu 400 bilhões de reais. Isso corresponde a mais de 10% dos seus três trilhões de reais, no início do ano. Sem estancar essa sangria do Estado não haverá governo, por mais boa vontade que tenha, que possa resolver os problemas do país. Daí decorre o rombo do Orçamento da União e não dos salários dos servidores ou da Previdência Social. Nesse compasso de licenciosidade, não sobrará recursos para educação, saúde, segurança, transporte, ou qualquer investimento que seja, para a infraestrutura ou para o desenvolvimento da produção. A economia se deteriorará a tal ponto que nossos filhos e seus descendentes serão párias. A renda per capita nacional foi reduzida em 11% nesses nos últimos três anos. A anunciada retomada da economia mal basta para compensar o aumento da população, que segundo o IBGE é de 0,8% ao ano.

Mas a espoliação não para aí. A sangria não é apenas do Estado. Ela atinge diretamente a todos os cidadãos que usam o crédito, pois os juros são astronômicos. Mesmo aqueles que não se endividam não escapam da usura, pois o que eles consomem é onerado com juros pagos pelos produtores e comerciantes. A sangria é generalizada. Quando nosso corpo é submetido à sangria, fazemos uma transfusão de sangue ou perecemos. Com a Nação ocorrerá o mesmo. Estaremos condenados à morte, enquanto Nação e Cidadãos, se não pararmos essa sangria.

Algum incrédulo poderá questionar: Isso é tão louco que não pode ser verdade! Isso é realmente louco. Mas temos a considerar que não querem matar todas as pessoas, mas a Nação e a Cidadania. Eles precisam das pessoas para trabalhar para eles e dar-lhes lucro, mas não de todas elas. Não esquecer que no conceito deles nós somos descartáveis. Mas os sobreviventes não serão cidadãos, mas algo como os servos, talvez pior, escravos de outro tipo: escravos descartáveis, porque não lhes custaram nada. Poderão até simular um contexto de liberdade, onde possamos vender nossa força de trabalho em troca de nossa sobrevivência, ou morrer de fome se não aceitarmos as condições do patrão tirânico, porque não haverá leis para amparar-nos. Isso parece ser mentira, e impossível, mas é o projeto do capital financeiro internacional. Querem nos transformar em uma nação-fazenda, dos moldes coloniais, para produzirmos para a exportação e dar-lhes lucro e poder. Riqueza e poder são duas faces da mesma coisa na sociedade em que vivemos. Essa é uma sociedade fundada sobre o egoísmo.

Outra questão vem à mente de muita gente: Mas como isso foi possível? A resposta é: porque foi incutido na nossa mente que essa era a melhor, senão a única sociedade possível. Uma mentira extravagante! Mas ela é a mais pura realidade. Um paradoxo: o fantasioso é para nós uma realidade irrefutável. Tanto é assim que nós a aceitamos. Só agora estamos nos despertando para essa verdade. Isso porque essa sociedade se desfaz no próprio absurdo que ela produziu e pretende continuar produzindo. Agora, acentuando a espoliação e rompendo com todos  os paradigmas que deveriam reger uma sociedade sadia, como pregaram os grandes filósofos e líderes religiosos da antiguidade. O egoísmo que conduziu tudo isso chegou a tal nível que se contradiz com a própria natureza humana: viver em sociedade, organizada para permitir nossa existência e nossa evolução. Isso não pode ser conseguido com o egoísmo. Só a fraternidade pode fazê-lo. Chegou, portanto, a hora de construirmos uma sociedade sustentada sobre a fraternidade, única capaz de garantir nossas liberdade e igualdade que são inatas no ser humano. Quanto à liberdade não há ninguém que a conteste como um direito. Mas a igualdade é desconsiderada por várias alegações, todas ilusórias, para não dizer falsas ou malévolas.

O ser humano, como todas as coisas, tem dois aspectos fundamentais. Sua essência e sua aparência. Isso foi constatado pelos grandes filósofos, mas poucos o percebem. Quando Platão distinguiu a essência da aparência, sob a expressão que a perfeição só existe na ideia, sendo tudo mais a aparência, uma cópia imperfeita da ideia, foi interpretado pelos autointitulados ”sábios” como um “idealista”, ou subjetivo, afastado da realidade. Nada mais falso. Quando Platão afirmou aquilo, ele apenas distinguiu a essência da aparência. Um cavalo é um cavalo, independentemente de sua raça ou sua aparência. Da mesma forma todos os homens são iguais na sua essência, não importa sua aparência. A diversidade não é um defeito, mas uma virtude. É ela a responsável pela sobrevivência da humanidade e por sua evolução. Sem a diversidade não haveria filosofia, nem arte. Nós não construiríamos o mundo que construímos, com suas qualidades e seus defeitos. Ele não existiria se fôssemos todos iguais nos nossos conceitos, na nossa vontade e nas nossas habilidades. Não haveria livre arbítrio. Não haveria escolhas. Não haveria vontade. O mundo seria insípido. O homem não passaria de um animal como os outros, movido pelo instinto.

É chegada a hora de nós vencermos as ilusões que nos foram, e são, inoculadas todos os dias por nosso entorno social. È esse entorno que nos oferece nossa cultura que nos permite conviver entre nós mesmos, compartilhando das coisas que necessitamos e que nos agradam. Mas a cultura também nos limita, com falsas verdades. Essas limitações podem nos custar muito caro em termo de nossa liberdade, e negligenciar a fraternidade, que nos une e criou o mundo positivo que nos abriga, cuja representação maior e mais evidente é nossa organização através da República. Essa instituição se fundamenta na nossa liberdade, condicionada apenas ao respeito à liberdade alheia. Isso dá segurança a todos nós.

Rousseau conceituou muito bem essa questão em seu livro O contrato social. Mas essa República continua uma utopia, porque nossa sociedade se deixou levar pelo individualismo, fundamento do egoísmo, que criou o liberalismo e toda essa sociedade desumana que conhecemos. Ela não é pior, porque os sábios, filósofos e líderes religiosos, nos ensinaram a fraternidade e desenvolveram o pensamento crítico, que foi o instrumento que neutralizou em parte o egoísmo do liberalismo. Não foi este que criou o mundo moderno. Quem o fez foi o pensamento crítico, que através da dialética pôde desvendar as leis da natureza e confirmar as leis espirituais, que são as verdadeiras leis que regem a vida humana, a humanidade enfim.

A tragédia que vivemos nos nossos dias é resultado dos destemperos do liberalismo que gerou a desigualdade, a discriminação e demonizou o pensamento crítico que o combateu desde seu nascimento, especialmente pelos filósofos iluministas franceses e por aqueles que vieram depois, aprofundando seus pensamentos. A República que conhecemos é fruto disso. Ela não foi feita pela burguesia capitalista, mas por comunidades gregas que utilizaram o melhor do pensamento das antigas civilizações para se organizar e defender sua comunidade de agressões externas e catástrofes naturais. A burguesia conviveu com a República, mas sempre a repudiou. O país em que ela surgiu na pré-modernidade, a Inglaterra, até hoje mantém a monarquia, resultado de sua associação com a nobreza inglesa para espoliar os próprios ingleses, espoliação que invadiu a Europa e produziu guerras monumentais, desde as napoleônicas, passando pelas duas guerras mundiais do século XX. Essas guerras são hoje difundidas pelo mundo afora por seu sucessor no projeto colonial, os EUA. Elas são travadas  contra a liberdade dos povos e pelo controle da economia mundial, em especial da energia do petróleo e do gás,

A guerra é parte da natureza do sistema capitalista, e essencial para sua existência. Mas ela não é mais capaz de superar suas crises periódicas decorrentes da acumulação capitalista. Pois uma guerra para superar a atual crise do sistema, dada a existência das armas nucleares, não é mais exequível. Destruiria a civilização humana, talvez a própria humanidade. Na melhor das hipóteses nos levaria de volta ao primitivismo ou à barbaria. Em face disso foi criado o neoliberalismo, que inicialmente era conhecido por globalização, sistema sustentado pelo dólar sem lastro, pela dívida pública, pelas fronteiras abertas ao comércio e ao dinheiro, e por especulações de toda ordem. A crise que atravessamos, que no Brasil adquiriu a faceta deste governo impostor, que apelidei de governo das trevas, tem sua origem no fracasso da solução financista neoliberal. Os donos do dinheiro precisam agora recolonizar o mundo para sua sobrevivência. Essa postura está na base da crise que vivemos, que se apresenta como a falência do Estado brasileiro. o que é, apenas, a ponta do iceberg. A crise de fundo é proveniente da incapacidade do capitalista avançar no seu processo acumulativo em uma ordem democrática, mesmo sendo essa burguesa. O tempo de diálogo, que resultou no Estado de Bem Estar Social, ficou para trás. A sobrevivência da hegemonia burguesa capitalista no poder só é possível pela tirania.

Agora tratemos da questão política atual, às eleições de 2018. Acreditar que um “salvador da Pátria”, seja ele quem for, poderá resolver nossa crise é a mais idiota das crenças. Se elegermos alguém com o pudor e a coragem para enfrentar o monstro, que chamo de a Beata do Apocalipse, o capital financeiro internacional, ele será morto ou deposto, se não tiver o apoio consciente e vigoroso do nosso povo. Sem povo consciente e disposto a ir à luta por seus direitos, tratar da política convencional, especialmente de eleições, é uma grande ilusão. Elas certamente serão viciadas pela corrupção e pela mídia mercenária que nos envenena todos os dias. Essa postura só servirá para dificultar uma solução para nossos problemas. A perda do poder dessa canalha, que o ocupa hoje, sem povo esclarecido nas ruas, poderá criar as condições de um grande conflito social que levará certamente a brutal repressão. O inimigo não aceitará a derrota. Dividirá a população, como tem feito, e utilizará brutal repressão para consolidar seu poder, que será ditatorial. Seu objetivo será transformar o Brasil em uma colônia de novo tipo, sobre a qual já nos referimos acima.

Sem conscientização da população não haverá saída para nós, a não ser depois do absoluto desastre, pela impossibilidade de manutenção do caos que será criado por aqueles que estão tentando nos submeter. Mas essa advertência não deve valer apenas para o outro. A responsabilidade é de cada um de nós. Devemos deixar de lado nossos interesses mesquinhos, inclusive aquele de omitir nossa responsabilidade pelo que aí está. Pois ela existe e é irrefutável. Sem nosso consentimento e nosso voto não teríamos chegado à situação que chegamos. Façamos um exame de consciência em relação aos nossos pensamentos, inclusive a respeito de nossos preconceitos e interesses menores.

Reflitamos sobre tudo isso, e que Deus perdoe nossos erros, nossa vaidade e nosso descaso para com o bem comum.

Que assim seja!

Rio de Janeiro, 27/11/2017.

13, novembro 2017 6:25
Por admin

LIBERDADE AINDA QUE TARDIA

Arnaldo Mourthé

Tomei como título deste documento o lema da Inconfidência Mineira, cuja bandeira é representada abaixo. Esse movimento, precursor do Brasil moderno, foi um movimento republicano, como a Guerra de Independência das Quatro Colônias do Norte, de domínio inglês, que deram origem aos EUA. Ambos os movimentos foram inspirados nos ensinamentos dos filósofos iluministas franceses, da mesma forma que o foi a Revolução Francesa. É dessa Revolução que falaremos nesse artigo, especialmente da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que ela produziu. Abaixo está a bandeira que os Inconfidentes adotaram para representar o novo Brasil, independente e republicano, que eles preconizaram. Para isso transcrevo um texto do meu livro História e colapso da civilização, que trata do tema.

 

 

 

A Revolução Francesa

 

“O iluminismo foi um movimento filosófico militante, voltado para responder a necessidades reais da sociedade naquele momento histórico. Nos ensinamentos dos iluministas foram formadas as mentes dos revolucionários que conduziram a revolta popular e os anseios das diversas facções da burguesia e da pequena nobreza, naqueles anos de crise do final da década de 1780 na França. Mas é preciso ter em mente que, também em função de sua posição social, cada um dos protagonistas daqueles eventos tinha sua visão de mundo. Isso determinou a formação de grupos afins que defendiam ideias e interesses comuns, que diferiam dos outros grupos e se opunham a eles.

            A assembleia Les États généraux, convocada para resolver a crise financeira do país em 4 de maio de 1789, tornara-se mais popular pela duplicação da participação do tiers état. Em 17 de junho, uma parte dela, o tiers état e membros do clero, se rebelou e se declarou como Assembleia Nacional Constituinte, enquanto fazia um apelo à população para exercer os seus 

direitos. No dia 20 de junho, seus membros, que representavam o clero e a burguesia, reunidos na sala do Jogo da Pelota, fazem um juramento de não se separarem até que suas reivindicações fossem acolhidas pelo poder real. No dia 27, pressionado pelo povo de Paris, Luís XVI apela aos outros representantes do clero e aos da nobreza a agregarem-se à nova Assembleia Nacional. No dia 9 de julho a Assembleia se investe dos poderes constitucionais. No dia 14 de julho o povo de Paris cerca e toma a prisão da Bastilha, símbolo de opressão do poder real. Nos dias que se seguem, o Cocar tricolor torna-se o emblema da Revolução, enquanto a cólera popular faz suas primeiras vítimas entre funcionários e nobres. A Assembleia Nacional não perde tempo, abolindo privilégios em documento de dezoito artigos, na noite de 4 para 5 de agosto e, em 26 de agosto, proclamando a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, nos seguintes termos, (tradução do autor):

 

Os Representantes do Povo Francês, constituídos em Assembleia Nacional, considerando que a ignorância, o esquecimento ou desprezo aos direitos do Homem são as únicas causas das mazelas públicas e da corrupção dos Governos, decidiram expor, numa Declaração solene, os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do Homem; a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus Direitos e seus deveres; a fim de que os atos do poder legislativo, e aqueles do poder executivo, possam ser, a cada instante, comparados com o objetivo de toda a instituição política; a fim de que as reclamações dos cidadãos, a partir de agora amparadas por princípios simples e incontestáveis, voltem-se sempre à manutenção da Constituição e ao bem-estar de todos.

 

Em consequência, a Assembleia Nacional reconhece e declara na presença e sob os auspícios do Ser supremo os direitos seguintes do Homem e do Cidadão.

 

Art. 1°. Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. As distinções sociais não podem prevalecer sobre o bem comum.

Art. 2. O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do Homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança, e a resistência à opressão.

Art. 3. O princípio de toda Soberania reside essencialmente na Nação. Nenhum organismo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que não emane dela expressamente.

Art. 4. A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudique o outro: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem limites que aqueles que assegurem aos outros Membros da Sociedade o gozo desses mesmos direitos. Esses limites não podem ser determinados mais que pela Lei.

Art. 5. A lei não pode proibir mais que as ações nocivas à Sociedade. Tudo aquilo que não é proibido pela Lei não pode ser impedido, e ninguém pode ser obrigado a fazer o que ela não ordena.

Art. 6. A Lei é a expressão da vontade geral. Todos os Cidadãos têm o direito de concorrer pessoalmente, ou através de seus Representantes, à sua elaboração. Ela deve ser igual para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais perante ela e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.

Art. 7. Nenhum homem pode ser acusado, preso nem detido que nos casos determinados pela Lei, e segundo as formas que ela prescreve. Aqueles que solicitam, expedem, executam ou fazem executar as ordens arbitrárias, devem ser punidos; mas todo e qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da Lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.

Art. 8. A Lei não deve estabelecer mais que penas estrita e evidentemente necessárias. Ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.

Art. 9. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se é julgada indispensável sua prisão, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.

Art. 10. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela Lei.

Art. 11. A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos direitos mais preciosos do Homem. Todo Cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, entretanto, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na Lei.

Art. 12. A garantia dos direitos do Homem e do Cidadão necessita de uma força pública. Essa força é então instituída para o benefício de todos, e não para utilidade particular daqueles aos quais é confiada.

Art. 13. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum, que deve ser repartida entre todos os cidadãos na razão de suas capacidades.

Art. 14. Todos os cidadãos têm o direito de verificar, por si ou por seus representantes, a necessidade de contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.

Art. 15. A Sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.

Art. 16. Em toda Sociedade onde a garantia dos Direitos não é assegurada, nem a separação de Poderes estabelecida, não há constituição.

Art. 17. Sendo a propriedade um direito inalienável e sagrado, ninguém pode ser privado dela, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização. (3)

 

Uma leitura atenta dessa declaração evidencia sua orientação iluminista. Conceitos expressos nela estão nos ensinamentos de Rousseau, como no art. 6, A Lei é a expressão da vontade geral, e nos de Montesquieu, como no art. 16, Em Toda Sociedade onde a garantia dos Direitos não é assegurada, nem a separação de Poderes estabelecida, não há constituição. Seu texto e a data de sua promulgação, logo após a queda da Bastilha, mostram que ela é uma fusão da força da Revolução popular com a clareza de conceitos dos iluministas, seu componente intelectual.”

 

Voltaremos a falar dessa questão, já aplicadas à nossa realidade presente. Aguardem!

Rio de Janeiro, 12/11/2017.

 

07, novembro 2017 11:01
Por admin

Manifesto ao povo brasileiro

Arnaldo Mourthé

A palavra que mais representa nosso estado de espírito atual é PERPLEXIDADE. Isso porque o que nos foi ensinado não corresponde mais, minimamente, à realidade que nos cerca. Vivíamos, e ainda vivemos em alguns aspectos, em um mundo de muitas concessões que produziram sociedades de desigualdades, muitas vezes desumanas. A história da humanidade nos relata isso. Os conflitos foram constantes ou ocasionais, mas resultaram em enfrentamentos sangrentos, em guerras e revoluções.

Há muita apreensão a respeito de que um grande conflito possa nos alcançar em face do caos em que a humanidade está mergulhada, em graus diferentes para cada região, país ou circunstância. Os interesses de grupos econômicos e das grandes potências, quase todas com farto armamento nuclear, causam grande insegurança.

Considerados os padrões ideológicos existentes e os interesses geoeconômicos, há campo para o pessimismo. Mas há solução para tudo isso, por mais que possa nos parecer improváveis. É disso que trataremos fundamentalmente neste Manifesto.

*

Um produto de boa qualidade não pode ser construído com matérias primas de má qualidade. Uma boa construção exige material de qualidade, tanto melhor quanto for a qualidade requerida para ela. Isso vale para tudo, até para a sociedade. Um mau professor não é capaz de ensinar adequadamente o aluno. Um mau médico pode levar à morte seu paciente. Um mau engenheiro não garante uma construção segura, nem econômica. Um mau administrador não consegue levar um empreendimento ao sucesso. E um mau político não é capaz de defender os interesses daqueles que ele representa, muito menos de conduzir uma Nação.

Os pensamentos errôneos são como o mau material, ou o mau profissional. Seus resultados são sempre negativos ou insuficientes. Esse é o grande problema que o Brasil atravessa. Se nossos representantes no poder são maus é porque nossos pensamentos errôneos os colocaram onde estão. Não há como culpar outros por nossos erros. É preciso corrigi-los. Tentemos fazê-lo.

Venho há mais de dez anos me dedicado, a tempo integral, a compreender o momento histórico que atravessamos, e encontrar um meio para sua superação por nossa Nação, por nosso povo brasileiro. Esse esforço produziu uma editora e cinco livros: sobre a civilização, a crise, o poder, e o estado de perplexidade em que nos encontramos. Feito isso me sinto na obrigação de expor ao povo brasileiro meus pensamentos que vão além desses livros e que considero necessários à superação desse momento histórico, trágico, que estamos vivendo.

Comecemos por uma verdade inquestionável, que tomamos como um postulado, como fez Euclides para desenvolver sua geometria. O dinheiro é apenas uma representação do valor de uma mercadoria. O valor do homem não pode ser medido pelo dinheiro, porque o ser humano não é mercadoria.

A questão fundamental de nossa época é nosso conceito errôneo do ser humano. No Renascimento essa questão foi tratada, mas de forma viciosa. A liberdade concebida naquela época era a do indivíduo, não do ser humano, enquanto essência. Daí surgiu o individualismo  que gerou  o liberalismo, ideologia que sustentou o modo capitalista de produção e moldou nossa sociedade. Essa sociedade foi estruturada para satisfazer os interesses individuais dos burgueses capitalistas, cujo objetivo maior é o lucro. As necessidades humanas não foram consideradas, senão na medida do interesse capitalista na mão de obra para a produção de mercadorias e no consumidor desta para a realização de seu lucro.

Esse sistema conduziu a humanidade a muitos conflitos. Entre pessoas e entre classes sociais, nas disputas existências ou por melhores condições de vida. Entre corporações por mercados e poder. Dos conflitos surgiram as ideologias, e uma variedade de concepções sobre a natureza da sociedade e do próprio homem. Os confrontos dessas ideologias e pensamentos divergentes geraram novos conflitos sociais, econômicos e políticos. Aqueles entre as próprias corporações capitalistas geraram uma concorrência feroz e a guerra entre nações, por mercados e para queimar os estoques provenientes da acumulação capitalista. Esse processo ficou expressamente claro, quando foram analisadas as razões das duas grandes guerras mundiais. Elas produziram várias dezenas de milhões de vítimas fatais, centenas de milhões de outras vítimas de toda natureza, como sequelas físicas,  fome,  doenças, migrações de refugiados e perdas materiais. Mas a burguesia capitalista continuou enriquecendo em um processo de acumulação de riqueza que só multiplicou.

A astronômica concentração de capitais nas mãos de poucas pessoas fez nascer outro modelo de mundo, que alguns denominaram de globalização. Isso não aconteceu por acaso. Ele foi resultado da inviabilidade de sanear as contradições do capitalismo pelas guerras. Uma guerra, na dimensão necessária para resolver a atual crise do capitalismo, poria em confronto potências nucleares, o que levaria à destruição geral. Não sobraria pedra sobre pedra das grandes potências, enquanto a humanidade poderia desaparecer ou regredir ao primitivismo.

Não havendo como investir os ganhos do capital, nem queimar estoques através da produção não destinada ao mercado, como obras públicas, armas de guerra ou a pesquisa espacial, o capitalismo criou uma economia fictícia.  Ela é embasada em dinheiro sem lastro, em lucros presumíveis e especialmente na dívida pública. Essa economia criou um mercado para a aplicação da fabulosa fortuna acumulada da exploração do petróleo e das tecnologias de ponta, que se substituem rapidamente parar gerar mercado para novos investimentos. O jogo do mercado financeiro produziu uma concentração brutal desses recursos no sistema financeiro. Para aplicar todo esse dinheiro fictício, foi preciso criar o endividamento público e ampliar o privado. Segundo o FMI, o total da dívida mundial no final de 2015 era de 2,55 vezes o PIB mundial. Esse valor só cresce, todos os dias, como a dívida pública brasileira. Quem serão os credores de tanto dinheiro? Como foi possível chegarmos a tal situação?

Os controladores do sistema financeiro mundial dominam hoje toda a economia do mundo ocidental e parte da do mundo  oriental. Estão até na China, país com o qual têm uma associação para explorar o mercado mundial, que gera desemprego e baixos salários pelo mundo afora. Eles se sentem os “reis do mundo” e, de certa forma, o são, pois dominam os países através das suas dívidas públicas, usando-as para chantagear os governos, para conseguir deles todos os favores que se acham no direito de ter. Mas como puderam chegar até esse ponto?

Pela corrupção, e pela chantagem do comércio e das armas. No Brasil, sofremos do mal da corrupção sistêmica dos políticos, pelo menos a partir da criação do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) pelas forças conservadoras brasileiras e pelo capital estrangeiro. O objetivo do IBAD foi corromper, para eleger seus deputados e submeter a imprensa, no seu projeto de depor João Goulart da Presidência da República. Mas, na Nova República, esse processo foi intensificado para dominar os poderes Executivo e Legislativo da União. Assim conseguiram implantar no País uma política de demolição do Estado, que tem como principal instrumento a sangria financeira do Estado, através dos juros da dívida pública. O Estado foi levado a alienar seu patrimônio, a reduzir investimentos e serviços públicos, gerando o caos na nossa sociedade. A dívida pública não para de crescer, e o compromisso de pagá-la é usado para justificar a liquidação de direitos de cidadania, como a legislação trabalhista e a Previdência Social. Essa sangria degrada o serviço público. Os direitos à educação de qualidade, à saúde, à segurança e ao transporte de qualidade, vão sendo sistemàticamente reduzidos.

Nesse processo a indústria brasileira foi desnacionalizada. O capital estrangeiro que detinha em torno de 25% dela no início dos anos 80, detém hoje mais de 70%. Todo o sistema financeiro é controlado por estrangeiros, mesmo os bancos que ainda são nacionais. Estes apoiam abertamente essa política de demolição da Nação brasileira. Mas, como tudo isso pode acontecer sem nosso conhecimento?

A mídia não nos informou isso, porque ela é mercenária. Não divulga o que não é de interesse dos seus anunciantes. Ela molda a opinião pública. Cria na nossa mente um mundo de ilusões, que encobre a economia e as finanças fictícias. O Poder Executivo foi corrompido, assim com a maioria do Congresso Nacional. A Nação brasileira está pendurada no Poder Judiciário. Até quando ele resistirá ao ataque desse monstro – que mais parece a Besta do Apocalipse – se não contar com o apoio efetivo da nossa população.

Essa, por sua vez, se sente incapacitada de agir por não confiar em nenhuma dos supostas soluções que lhe são apresentadas. Nem nas lideranças que a decepcionou. Mas é preciso que ela seja despertada, pois somente ela tem condições de reverter esse quadro de horror a que nos submeteram. Mas temos que ser cautelosos. Nossa ação não pode comportar a violência, que é a arma mais efetiva dos dominadores. Nesse campo eles são imbatíveis. Nós precisamos desenvolver uma  estratégia pacífica. Muitos acreditam que isso não é possível. Mas eu digo que sim, é possível.

Gandhi conseguiu derrotar o Império Britânico através de uma política de não violência e de apego à verdade. Mas como isso foi possível. Porque Gandhi desconsiderou o poder inglês, que era apenas aparente. Ele compreendeu que o único pensamento correto na política é a verdade. E também, que os homens não foram criados para guerrear entre si. Mas para viverem em harmonia e cooperação nas suas comunidades. Na família, nas aldeias, nas tribos, nas cidades, e nas nações. Também as nações não foram criadas para guerrear, mas para viver em harmonia e em colaboração, para manter um equilíbrio entre elas e permitir a evolução dos seres humanos. Nós podemos fazer o mesmo. Hoje a sociedade humana vive em dois mundos distintos, conforme o pensamento e a natureza de cada um de nós. Esses mundos são o do egoísmo e o da fraternidade.

O mundo do egoísmo é o dominante. Não pelo número de pessoas que pertencem a ele, mas por sua força material. Considerados os padrões ideológicos existentes e os interesses geoeconômicos, há campo para o pessimismo. Mas há solução para tudo isso, por mais que possa nos parecer improvável. A maior força que sustenta esse mundo do egoísmo  não são seus poderes materiais, econômicos e bélicos. É a nossa omissão. Se ele dispõe do poder institucional é porque  nós o consentimos. Nesse campo, a sustentação deste poder se deve às nossas ilusões. Nós fomos e estamos sendo submetidos a um processo de alienação, de entendimento errôneo da realidade, que nos faz confundir realidade e ficção. Vamos a essa questão.

De onde vem o poder de nossos governantes? Da eleição. Quem os elegeu? Fomos nós. Então, quem tem o poder somos nós, e não eles. Eles são apenas impostores. Eles se apossaram do poder como se fossem deles, mas ele é nosso. E o usam contra nós mesmos. Eles lá estão por nosso consentimento, e nossa ação de tê-los apoiado nas eleições, direta ou indiretamente. É fato que eles detêm o poder institucional, do Estado, por um período. Teoricamente eles têm o direito de fazer o que estão fazendo: legislar contra o povo, endividar o Estado, dar o dinheiro dos serviços públicos para os especuladores financeiros, alienar o patrimônio da Nação. Mas isso não é legítimo.  Eles não podem legislar ou tomar qualquer medida contra o interesse de seu Soberano, que é o povo que os elegeu. Esse é o princípio republicano capital. Mas como levar à prática uma política pacífica que seja vitoriosa?

Cabe-nos, então, definir a força e a fraqueza dos adversários, como fez o famoso pensador e general chinês Sun Tzu, que disse: conheças o inimigo e a ti mesmo e travarás cem batalhas sem derrotas. Essa verdade não vale apenas para a guerra, mas para toda disputa. No esporte, no debate entre pessoas, na política, enquanto disputa de poder.

Nós, até que conhecemos nossos adversários, mas apenas nos seus aspectos mais visíveis. Aqueles que enxergamos não são nada fortes. Eles são fracos, ignorantes, covardes, corruptos, mentirosos. Eles têm uma só força: o domínio de dois poderes da República, o Congresso, que faz as leis, e o Executivo, que as executa. A corrupção praticamente fundiu esses dois poderes, mas eles não podem tudo. Precisam de uma maioria, que provavelmente não têm, para aprovar reformas constitucionais. É preciso trabalhar para que não alcancem essa maioria. Nesse aspecto, os partidos da oposição são fundamentais, pois é preciso ter os votos contra eles que os  impeçam de ter a maioria necessária. Os parlamentares da oposição precisam de nosso apoio. Falar mal de político, sem precisar o que ele representa ou deixa de representar, é um erro. Devemos apoiar os parlamentares honestos e  bem intencionados. Nós precisamos deles. O Brasil precisa deles.

Vimos o poder e a fraqueza dos nossos adversários no plano político. Mas, será que sabemos o suficiente sobre nós mesmos? Nossos pensamentos e nossas ações serão todos corretos? Há pessoas bem intencionadas que acreditam que são. Mas não serão nossos pensamentos influenciados pela propaganda enganosa que nos massacra todos os dias? São, sim, e muito. Eles são influenciados pelos veículos de comunicação controlados por nossos adversários, que são também inimigos da Nação brasileira, do povo brasileiro. É preciso, portanto, estarmos seguros que nossos pensamentos não nos traiam. Precisamos tomar consciência de nós mesmos e do mundo em que vivemos. Isso se chama conscientizar-se, conhecer as coisas como elas são. Não basta que algo possa parecer bom, ou do bem. É preciso que ele o seja.

Isso nos obriga a um trabalho de conscientização. Não é fácil alcançar a verdade. A humanidade a busca incessantemente e nem sempre com êxito. Mas é precisa fazer um esforço, pelo menos agora que estamos atravessando momentos dolorosos.

Empenhemo-nos na conscientização! Primeiro da nossa própria, depois daqueles que nos cercam, e daí para todos. É preciso conhecer a verdade. Uma das frases mais marcantes para esse momento que atravessamos foi dita a cerca de dois mil anos atrás. Quem a disse todos nós conhecemos: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Não acredite em tudo que dizem por aí, por mais interessante que seja, sem verificar sua veracidade. Querem nos dividir jogando-nos uns contra os outros. Além de conhecer a verdade, é preciso nossa unidade para vencer nossas dificuldades.

Nós, povo brasileiro, precisamos nos unir. Para defender nossos direitos, para sermos o que somos, pois não somos nem melhor nem pior que nenhum outro povo. Devemos nos unir e lutar por um Brasil de Paz e Fraternidade.

Mas, para isso, precisamos ter vontade! Tanto a Paz quanto a Fraternidade precisam estar dentro de nós mesmos. Não basta querer. É preciso construir o que queremos. Isso exige além da coragem, empenho e sinceridade. Só o amor constrói. O ódio destrói. A omissão nos neutraliza e nos deixa a mercê da sorte. A falsidade desmonta a unidade. Isso tudo implica que precisamos construir tudo a partir de nós mesmos. Da correção de nossos pensamentos e de nossas ações. Nosso exemplo atrairá apoios que nos fortalecerão. Porque forte já seremos se compreendermos que o poder está dentro de nós mesmos.

Esse me parece o caminho correto para superarmos nossas dificuldades e construirmos o País que nós queremos. É o que esperam de nós nossos descendentes e todos os demais brasileiros.

Pensem nisso.

Rio de Janeiro, 07/11/2017

 

 

31, outubro 2017 4:51
Por admin

Que fazer diante de tanta calamidade?

Arnaldo Mourthé

Se esperarmos por um “salvador da Pátria” não haverá mais Pátria para ser salva. Essa é a realidade que se nos apresenta. Que fazer?

Essa é uma questão que me incomoda desde que tomei conhecimento de uma doutrina chamada neoliberalismo, por volta de meados dos anos 90. Depois de muito pesquisar resolvi escrever um livro que levou o nome de O capitalismo enlouqueceu. Desde lá para cá tento me informar sobre essa monstruosidade ideológica que nos foi incutida por uma imprensa mercenária e uma casta política e empresarial corrupta. Não cabe agora contar essa história. Mas, em certo momento me senti no dever de renunciar à política partidária e procurar uma forma de lutar contra a calamidade que se anunciava. Virei pesquisador da história e escritor. Fiz o que pude, mas não alcancei o que esperava: despertar as pessoas para o perigo que se avizinhava.

Agora, a calamidade está aí, instalada nos poderes da República e alimentada pela corrupção. A casta escravista, viciada por 350 anos de escravidão, retorna ao poder para restabelecer o único mundo que ela conhece, o da prepotência e da submissão dos outros, que ela só vê como instrumentos e não como pessoas.

Como enfrentar essa situação? Os brasileiros estão perplexos. A ilusão que lhes vem sendo incutida, por essa elite covarde formada da exploração do trabalho escravo, bloqueia nosso pensamento, deixando-nos indefesos. Ela nunca se sentiu brasileira. Sua vida sempre foi seus negócios, de apaniguados do poder,  aliados às aves de rapina do comércio internacional. Sempre foram apátridas e insensíveis em relação aos problemas da população. Paralelamente  à ação das castas da rapinagem, foi sendo criada uma Nação aberta à humanidade para onde puderam vir povos de todo o mundo, gerando um povo diversificado que muito bem representa a humanidade. Há uma guerra não declarada contra essa Nação, por forças internacionais aliadas às castas exploradoras de nossa gente.

Já disse tudo que deveria dizer sobre isso nos diversos livros que publiquei. Mas foram poucos ou ouvidos abertos às advertências fundadas nos trabalhos extensos, intensos e meticulosos de poucos bravos brasileiros, entre os quais me incluo. Acabamos caindo na arapuca que nos foi armada pelo capital financeiro internacional aliado à casta calhorda que suga nosso Brasil. Que fazer?

É preciso resistir à rapinagem e a corrupção que é seu instrumento. Mas também é preciso combater a propaganda que sustenta a rapinagem, através de uma mídia mercenária e de marqueteiros sem escrúpulos. Mas como fazê-lo?

Estamos vivendo um momento muito especial. O sistema, que submete todos os humanos, está instituído sobre ideias que não correspondem mais às necessidades da humanidade. É preciso humanizar o mundo. Não nos mesmos termos do humanismo do Renascimento, voltado para o individualismo. Mas reconhecer a igualdade de todos os humanos por serem iguais na sua essência. Não ver a diversidade como defeito, mas como virtude. Pois foi ela que nos permitiu sobreviver ao longo de nossa evolução. É preciso reconhecer que o ser humano foi criado para ser livre, e não escravo. Mas há muito mais a fazer.

Queiramos ou não, nós somos frutos do meio em que vivemos, não apenas o material, mas também o espiritual. Afinal, apesar de sermos animais, não agimos por instinto, mas pela razão. Nós temos vontade e livre arbítrio, mesmo quando não somos muito conscientes. E a consciência é o aspecto mais importante para nossa sobrevivência nessa situação de calamidade em que nos encontramos. É fundamental que desenvolvamos nossa consciência. Que nos desembaracemos das amarras mentais que nos submetem a interesses nefastos de pessoas inescrupulosas. É essa a questão central sobre a qual devemos nos debruçar.

Infelizmente, o desenvolvimento espiritual da humanidade não acompanhou o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Dispomos de uma capacidade destrutiva que ameaça a humanidade e mesmo a vida sobre a Terra, em mãos de pessoas irresponsáveis que só pensam em dominar. Não existe mais a sociedade do diálogo, que permitiu, apesar da obtusidade da burguesia capitalista, o Estado de Bem Estar Social, conquistado a duras penas por aqueles que vivem de seu trabalho. Hoje, a “riqueza” vem sendo adquirida através dos rendimentos sem produção, em especial dos juros. A dívida pública criada para alimentar e guardar essa riqueza, que não pertence ao mundo produtivo, vem sendo usada para submeter Nações e degradar a vida das pessoas

Mas tudo isso tem solução, que é a nossa conscientização. É urgente sabermos sobre a natureza dessa calamidade que estamos vivendo. Não basta as explicações convencionais próprias da política e da diplomacia: o diálogo. Mas o diálogo não é algo unilateral. Ele depende de pelo menos duas partes. A parte que está encima não quer o diálogo. Sua postura é de imposição. Sempre com uma desculpa fajuta, como “fazer a reforma da Previdência agora, ou ter que fazê-la amanhã em condições piores”. Eles sabem que o problema financeiro da União não é a Previdência, mas os juros da dívida pública. Mas esse, para eles, é intocável. É o  dinheiro do patrão, do “deus” “mercado”. Uma desfaçatez estarrecedora.

Diante de tudo isso, resolvi escrever um livro que tratasse das questões do pensamento humano e de seu comportamento, envolvendo, história, filosofia e ideologia. Hoje, estamos submetidos integralmente à ideologia do banqueiro, o neoliberalismo. Precisamos combatê-la. Se quisermos que nossos filhos e netos tenham uma Pátria, é preciso nos conscientizar da situação em que nos encontramos. Eu tento fazer a minha parte. No último dia 27, lancei um livro sobre essa questão, “A perplexidade”. Se você tiver interesse em comprá-lo, poderá fazê-lo pelo e-mail ou pelo site da Editora Mourthé: contato@editoramourthe.com.br e www.editoramourthe.com.br.

Rio de Janeiro, 31/10/2017.

http://editoramourthe.com.br/loja/index.php/a-perplexidade-quando-tudo-parece-perdido-surge-uma-nova-era.html

23, outubro 2017 12:06
Por admin

Estaremos na Primavera Literária  do Rio na Casa França Brasil.

De 26 a 29 de outubro no estando 38  com vendas de livros com desconto.

Dia 27 às 18:00 – Lançamento do livro A Perplexidade de Arnaldo Mourthé no Espaço de lançamento.

Dia 28 às 16:00 – Mesa sobre: A crise política e o poder no Brasil

Com Arnaldo Mourthé, Bernardo Kocher e mediação de Rudolph Hasan

 

22, outubro 2017 5:27
Por admin

Amigos, Aguardamos vocês para o lançamento do livro de Arnaldo Mourthé.
Sexta-feira 27 de outubro às 18:00 na Casa França Brasil.

17, outubro 2017 10:51
Por admin

Como enfrentar nossa perplexidade?

Arnaldo Mourthé

Os filósofos sempre se depararam com muitas controvérsias. Cada qual procurou encontrar respostas às variadas indagações sobre a vida, a natureza e o comportamento humano. Isso levou às diversas correntes filosóficas ao longo do tempo. Uma questão central dessa celeuma foi o caminho para a aquisição do conhecimento. Havia aqueles que tinham como certo que era através dos sentidos, enquanto outros consideravam que era através da razão. Isso ocorreu até que Immanuel Kant (1724-1804) fez a crítica das duas correntes, com seus livros Crítica da razão pura e Crítica da razão prática. Ele concluiu que é necessário tanto os sentidos quanto a razão para a aquisição do conhecimento. O tempo decorrido, desde os filósofos da natureza até Kant, mostra o quanto é complexa a aquisição do conhecimento. Por isso, Kant é considerado um dos maiores filósofos de todos os tempos.

Mas há outras questões para as quais Kant não deu uma resposta, como às indagações: quem somos nós? e para onde vamos?  Mas deixou uma indicação para nossa investigação. Ele escreveu:

           Duas coisas enchem a alma de uma admiração e de uma veneração sempre renovadas e crescentes: “O céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim”.

[…] a lei moral revela uma vida independente da animalidade e também de todo o mundo sensível, pelo menos o quanto se pode inferir da destinação consoante a um fim da minha existência por essa lei, que não está limitada a condições e limites dessa vida, mas, pelo contrário, estende-se ao infinito.

 

Da mesma forma que a aquisição do conhecimento exige de nós a razão e os sentidos, nossa perplexidade necessitará dos dois para ser superada. Nos nossos dias, apesar da grande quantidade de conhecimentos à nossa disposição, estamos perdidos em um emaranhado de ilusões e falsidades, como dentro de um labirinto. Isso Kant aborda no texto acima, quando ele evoca “o céu estrelado sobre mim”. Ele se refere nessa expressão à grandiosidade do Cosmos, que é regido pelas Leis da Física. Para a compreensão de toda sua imensidão necessitamos conhecer todas essas leis. Nós conhecemos algumas delas, mas não todas. Os astrônomos estão à busca desses conhecimentos e têm à sua disposição quantidades astronômicas de recursos, mas que não são maiores que suas indagações. Há leis cósmicas que desconhecemos.

Mas há outra questão mais grave, nossa alienação. Nos são ocultados certos conhecimentos, que os antigos já possuíam, mas os cientistas modernos conhecem apenas em parte. Alguns já foram comprovados por eles mesmos, mas estão sendo sonegados ao grande público. Isso porque não interessa aos seus patrões que eles cheguem ao público, mesmo que seja apenas para um  limitado grupo mais bem informado.

Quanto à “lei moral dentro de mim”, Kant se refere às Leis Espirituais. Segundo ele, essa lei moral “não está limitada a condições e limites dessa vida, mas, pelo contrário, estende-se ao infinito”. Mas, essa questão não é considerada, quando se trata de interpretar o que está acontecendo no mundo em que vivemos.

Há informações sobre o Cosmos que as autoridades nos escondem. Há um fenômeno relativo ao movimento dos astros que precisa ser conhecido, para termos a verdadeira dimensão desse momento de nossas vidas, que não é apenas histórico, mas também cósmico. Escondem de nós não apenas isso, mas também nossas relações com o poder e com os interesses escabrosos de um pequeno grupo de pessoas, que submete a humanidade a condições de vida inaceitáveis. Até mesmo, o direito à vida é negado. Isso está ocorrendo no Brasil e no mundo, para milhões de pessoas. Só no Brasil temos mais de 14 milhões de desempregados e outro tanto de subempregados. Os que sofrem e morrem pelas políticas desumanas que nos submetem são também milhões no Brasil e bilhões pelo mundo afora.

Essas questões são tratadas no meu novo livro, A perplexidade, que venho de editar. Sem abrirmos nossos horizontes para novos paradigmas, não chegaremos a conhecer as verdadeiras dimensões da grave crise que está levando nosso mundo ao caos.

Rio de Janeiro, 09/10/2017

06, dezembro 2017 09:48

Quem é o maior responsável por nossa tragédia nacional?

01, dezembro 2017 19:15

Por um Brasil de Paz e Fraternidade

30, novembro 2017 09:52

Saber querer