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22, janeiro 2018 11:19
Por admin

“Independência ou Morte”

Arnaldo Mourthé

Com essas palavras, D. Pedro, então príncipe regente, assumiu uma atitude responsável, necessária a quem tem autoridade, tornando-se Imperador do Brasil e herói nacional.  D. Pedro deveria retornar a Portugal, para ser rei, restabelecendo o status colonial do Brasil. Mas ele preferiu nossa independência. Afinal, o Brasil havia sido decisivo para a grandiosidade do Império Português, e o salvou abrigando a realeza que fugira do exército de Napoleão. Não fosse a transferência da sede do reinado para o Brasil, ele se esfacelaria como aconteceu com o Império Espanhol.

Estamos vivendo outro momento decisivo da nossa história. Nossa independência está sendo ameaçada. Não apenas por forças externas, mas por nossos próprios governantes e as chamadas “elites” brasileiras. Está se deslocando para Davos, na Suiça, uma grande delegação do governo brasileiro, tendo na sua testa Temer, Meirelles e Doria, o playboy prefeito de São Paulo. Vão todos participar do Forum Econômico Mundial, que reúne os homens mais ricos e as corporações mais poderosas do mundo com os governos dos países mais capitalizados. Nesta lista não deveria caber o Brasil, senão por suas riquezas cobiçadas por todos. Exatamente por isso estamos na sua agenda: Moldando a nova narrativa do Brasil. O Forum de Davos pretende fazer o papel do povo brasileiro. Definir nosso futuro, não o que queremos, mas o que os convém.

Chegou a hora de nós brasileiros assumirmos nossas responsabilidades de cidadãos desta Pátria, voltando a bradar com toda força de nosso peito as palavras de D. Pedro nas margens do Rio Ipiranga: Independência ou Morte. O momento é este, quando se abate sobre nós o chicote dos dominadores e de seus prepostos, os impostores no poder, com a negação de nossos direitos adquiridos a duras penas, ao longo de nossa história dolorosa, mas gloriosa. Davos exige a aprovação da “reforma” da Previdência, como condição para mandar dinheiro para salvar Temer e sua quadrilha. O resultado será a recolonização do país, cuja metrópole seria a capital da Besta do Apocalipse, a Wall Street

A missão “salvadora” a Davos, representa a continuidade da alienação do patrimônio nacional e a liquidação dos direitos sociais dos cidadãos brasileiros, que já foram terrivelmente penalizados com a “reforma” das leis trabalhistas. Ela visa comprometer-se com a entrega de todas as maiores riquezas do território nacional, e nosso próprio território habitado por nós, que seremos transformados em uma massa de trabalhadores sem direitos, servos do capital internacional. Isso é uma capitulação mais humilhante que a de uma nação derrotada numa guerra. Capitulação a um sistema financeiro, comandado por sociopatas que tentam destruir as conquistas da humanidade. Mergulharemos em condições piores que a do colonialismo português.

Todos nós somos responsáveis por isso que acontece no Brasil, alguns mais outros menos. Mesmo não tendo agido contra o Povo e a Nação, muitos de nós foram omissos ou negligentes. Poderíamos ter feito mais do que fizemos. Poderíamos ser menos individualistas e soberbos. Poderíamos ser mais fraternos do que fomos. Mas isso é passado, que deve ser perdoado. Mas o futuro, que começa agora, é de nossa responsabilidade. Sobre nossa omissão de agora não teremos como responder aos que virão depois. É preciso que deixemos para os futuros brasileiros, e para as crianças e jovens de hoje, pelo menos aquilo que nos foi legado por nossos antepassados: um País, uma Pátria e nossa Liberdade que, embora restrita, seja nossa.  E ainda a nossa independência, a Soberania da Nação, que mesmo modesta tem nos permitido avançar para um futuro melhor.

Não há mais espaço, nem tempo, para a omissão. Precisamos agir. Deixo aqui meu exemplo de ação, meus recados particulares e a todos nós brasileiros.

            Ao Senhor deputado Rodrigo Maia,

O senhor é um Presidente, presidente da Câmara de Deputados. Não é moleque de recados de Michel Temer, o impostor, nem tem deveres que não sejam com a Nação brasileira e seu Povo. Não aceite passivamente as pressões dos donos do dinheiro, que estão destruindo o Brasil. Não permita que seja roubado do nosso povo o direito de se aposentar. Tome uma atitude.

            Ao Senhor vereador César Maia,

O senhor fez muitas promessas de trabalhar em prol do povo brasileiro. Eu sou testemunha disso, nas nossas atividades partidárias e de governo. Qual é sua opção? Você e sua família passarão para a história como heróis, como D. Pedro I, ou como vendilhões da Pátria, tendo seu filho como instrumento do desmantelamento do Estado brasileiro e exemplo do desprezo ao nosso povo. Muitos estão famintos, desesperados ou morrendo, até na porta dos hospitais e pelas balas de bandidos ou, simplesmente, “perdidas”. Tudo isso são consequências de ações governamentais, especialmente desse governo perverso, corrupto e covarde, submetido ao poder do dinheiro. Se sua opção for a primeira, diga a seu filho o que fazer: rebelar-se contra os tiranos. Se for a segunda, só posso lamentar.

            Ao povo brasileiro,

Iremos agir, ou esperaremos por um “salvador da Pátria”? Se a opção for esperar, prepare-se para a servidão ou para a escravidão. Ainda restará a opção de ser capataz dos tiranos ou bate-pau para oprimir a população.

Tenho uma sugestão para nossa ação imediata, além do panelaço coordenado ao qual já me referi.  O poder, que aí está, se sustenta sobre a corrupção que controla o Executivo, o Parlamento e a imprensa. Sem esta última os dois outros suportes não ficarão em pé. Façamos, por experiência, uma greve contra a televisão. Fiquemos um dia sem ligar nossa televisão. Depois disso você conhecerá a força que tem e não se deixará dominar, por quem quer que seja ou o que for.

Chegou a hora da verdade: Independência ou morte!

Rio de Janeiro, 22/01/2018.

19, janeiro 2018 2:41
Por admin

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”

(Jesus de Nazaré)

Arnaldo Mourthé

Todos nós temos nossas verdades. Acreditamos em algumas coisas, em outras não. Assim vamos construindo nossos destinos, vivendo nossas vidas. Quase todos nós somos ciosos do que fazemos. Muitas vezes isso nos custa muito sacrifício, mas nos mantemos firmes. Temos nossos valores, nossos princípios morais e éticos, e procuramos aplicá-los, nem sempre com facilidade. A vida é dura, costuma-se dizer, e muitas vezes nos surpreende. Nem estamos falando ainda dos nossos dias atuais, cheios de surpresas, quase todas inusitadas, extravagantes, por vezes perversas, como ocorre hoje no Brasil e em muitas outras partes do Planeta. É sobre isso que temos algumas verdades a dizer, porque elas precisam ser ditas.

Verdade I: A espécie humana ainda existe porque tem discernimento. Nós pensamos, criamos coisas e as usamos em nosso benefício, sobrepujando as outras espécies e alterando nosso meio ambiente. Do contrário ela teria sido extinta, há muito tempo.

Verdade II: Para sua sobrevivência o homem criou utensílios, que usa para seu conforto, e armas para a caça, primitivamente, e para se defender.

Verdade III: Esses utensílios e armas de caça permitiram que sua produtividade crescesse e com ela também sua população. Formaram-se aldeias e cidades, o início da civilização.

Verdade IV: O excedente de produção resultante de sua criatividade e de seu trabalho ofereceu ao homem outras oportunidades. Nasceu a civilização. Com ela os conflitos entre comunidades foram potencializados, dando origem a impérios, que se expandiram: os eventualmente mais fortes dominaram os eventualmente mais fracos. E assim foi por alguns milênios.

Verdade V: A civilização, e tudo que ela criou para o bem ou para o mal, é resultado do aumento de produtividade do trabalho humano. Inicialmente com seus utensílios e armas, depois com instrumentos e dispositivos mais elaborados e o desenvolvimento da agricultura, especialmente pela irrigação.

Verdade VI: Aos trancos e barrancos a civilização se desenvolveu aumentando cada vez mais sua produtividade, mas também fazendo guerras para dominar e explorar outros homens. Tudo em função da apropriação dos excedentes de produção dos povos dominados. Tudo isso a história registra. Os que a conhecem sabem disso.

Verdade VII: Todo esse processo de guerras de dominação cria impérios, mas também os destrói por várias razões: suas contradições internas e a resistência dos povos dominados. Até aqui não há novidade para aqueles que conhecem a história.

Verdade VIII: Houve um império teocrático que dominou toda a Europa e parte da África e do Oriente Médio, que é conhecido por Idade Média. Ele se desfez por suas contradições internas e seus conflitos com outro império teocrático que eles chamavam de Sarraceno.

Verdade IX: Do colapso da Idade Média, surgiu um embrião de um sistema econômico no qual a apropriação do excedente de produção da sociedade era feita por poucos. Essa apropriação se fez, e se faz, através do dinheiro obtido da venda dos produtos, por quem dominava o processo produtivo, sob sua forma monetária, o capital. Esse é o sistema capitalista que vigora até hoje, em grande parte do mundo.

Verdade X: O sistema capitalista difere de todos os outros pela apropriação privada do excedente de produção. Na antiguidade essa apropriação era pública, feita pelos poderes, tribais, das cidades e dos estados, alguns deles impérios. Ele era aplicado na sustentação dos chefes, das nobrezas, dos sacerdotes, do aparato do Estado, funcionários e militares, e para a construção da infraestrutura de produção e de defesa, de palácios e templos.

Verdade XI: Naquelas civilizações não havia crises econômicas como as que temos hoje. Havia crises, mas produzidas por disputas de poder, por guerras entre nações, por cataclismos naturais, por esgotamento do solo, reduzindo a produção e gerando a fome.

Verdade XII: Com o capitalismo e o avanço da tecnologia, e o aumento exponencial da produção e de seu excedente – aquilo que não é consumido por aqueles o produz – surgiram as crises econômicas. As soluções encontradas para elas era a expansão do mercado ou o financiamento ao consumidor. O primeiro gerou conflitos entre nações. O segundo o endividamento e a inadimplência.

Verdade XIII: A expansão do mercado gerou também o colonialismo. O financiamento, seguido da inadimplência gerou a crise financeira. A solução passou a ser a guerra. Desde 1914 todas as guerras foram consequências da contradição principal do sistema capitalista: a apropriação privada do excedente de produção.

Verdade XIV: Houve uma tentativa de encontrar outra forma de consumir os excedentes: sua aplicação na produção de coisas não vendáveis, não destinadas ao mercado, as “não mercadorias”. A primeira tentativa foi de Roosevelt, com o seu New Deal, idealizado pelo financista inglês Keynes. Mas isso gerou o endividamento excessivo do Estado, que arcou com todas as despesas. Daí surgiu a grande dívida pública americana.

Verdade XV: A solução keynesiana não impediu a Segunda Grande Guerra, a maior catástrofe da humanidade. Muitas são as alegações para suas causas, mas elas só explicam o como ela ocorreu, não o porquê. Em consequência dessa guerra surgiu a bomba nuclear, usada contra Hiroshima e Nagasaki. Depois disso houve a corrida nuclear e a difusão das bombas. Uma nova guerra seria o fim civilização, senão da humanidade.

Verdade XVI: Diante dos sinais de nova crise, nos anos 60, os governos americano e inglês associados aos sistemas financeiros dos dois países, arquitetaram um novo sistema que permitisse a superação da crise. Daí surgiu a globalização e sua doutrina econômica, o neoliberalismo, que outra coisa não é que o liberalismo primitivo, requentado. Neste, a liberdade só é reconhecida para o capitalista, que submetia o trabalhador a condições de trabalho desumanas em uma jornada de 16 horas. Na propaganda neoliberal, a figura do capitalista é substituída pela do capital. A tese é a da total liberdade do capital, sem respeito às fronteiras nacionais, que defendem não apenas o território nacional, mas os cidadãos que formam com ele a Nação.

Verdade XVII: O neoliberalismo é o sistema do dinheiro sem lastro e do lucro sem produção de mercadoria, como é o caso dos juros da dívida pública. Para implantá-lo é preciso eliminar o sistema republicano e a cidadania que o sustenta. É preciso desmontar o Estado. Se não deve haver cidadania, para que serviria o Estado, que regula a sociedade e defende o cidadão, fonte da soberania nacional. Esta também deixa de existir.

Verdade XVIII: Para o projeto do grande capital, que quer controlar o mundo, o Estado republicano torna-se uma excrescência. Melhor será uma tirania. É o que estão construindo no Brasil, através da corrupção.

Verdade XIX: A corrupção não é apenas de parlamentares, que tentam destruir o Estado Republicano, com suas “reformas”, todas contra a população e contra a Nação. Ela é mais geral. Sua ação mais constrangedora é em relação à imprensa. Não mais existe imprensa livre no Brasil. Toda a grande imprensa é financiada pelos invasores estrangeiros do capital financeiro. Os poucos veículos independentes são locais ou vivem na penúria financeira. Não resistirão por muito tempo. A imprensa tornou-se um instrumento de alienação a serviço de seus anunciantes, controlados pelo capital financeiro internacional. Se há quem duvide disso preste atenção aos anunciantes dos grandes jornais televisivos.

Verdade XX: Essa é a verdade sobre os métodos de dominação, que incluem a nossa mente e a nossa vontade. Mas isso eu deixo para o linguista americano Noam Chomsky, através de seu vídeo no you tube: “As 10 estratégias de manutenção das massas”.

Chegou a hora de pensar. Usemos as faculdades que Deus nos deu, o livre arbítrio e o discernimento. Com certeza não nos arrependeremos.

Rio de Janeiro, 19/01/2018.

17, janeiro 2018 10:48
Por admin

Ao combate contra a tirania!

Arnaldo Mourthé

Há um grupo de indivíduos, desqualificados e corruptos, empenhados em destruir nossa Sociedade, que a duras penas levamos 500 anos para construir. Essa sociedade não é apenas um grupo social, é um povo, reunido em um território, falando a mesma língua. Somos uma Nação. Essa Nação é nossa Pátria, que deve nos defender e que juramos defender, se preciso for com nossa própria vida. Mas tudo se passa como se fôssemos um amontoado de pessoas sem vontade e sem direitos. Mas não é assim. Somos os cidadãos dessa Nação, que tem nome, prestígio e glória. Nós somos brasileiros, somos o Brasil, nossa Pátria que está sendo desrespeitada e desmantelada. Não deixaremos que isso aconteça. Temos consciência disso, mas nem todos nós sabemos como podemos defendê-la e, assim, nos defendermos também. Aqui vai uma sugestão.

Experiências recentes mostraram que as manifestações de rua – embora muito eficientes para demonstrar nosso descontentamento – não têm sido eficazes para resolver nenhum de nossos problemas. Há sempre uma brutal repressão quando a população protesta contra o poder. Para justificá-la, os agentes do poder infiltram elementos perturbadores que causam baderna, com depredações e outros tipos de provocação. Isso coloca em risco as pessoas que se manifestam, e dá assunto para uma mídia mercenária tentar desmoralizar os atos populares. Isso gera, naturalmente, receio da parte daqueles que gostariam de demonstrar sua indignação contra os desmandos e as injustiças que nos são impostas. Somente aqueles em estado desesperador, por salários atrasados, insegurança e violência policial, se expõem nos protestos. A maioria da população sofre, mas não se sente em condições de reagir.

Propomos mobilizações gerais através de panelaços, com datas e horas marcadas pelas redes sociais. Há uma grande razão para fazer isso agora: a tentativa de destruir direitos garantidos por leis de mais de meio século, através da chamada “reforma da Previdência”, um eufemismo para esconder o objetivo de destruir nossos direitos de cidadãos, como já fizeram em relação à legislação trabalhista.

De dentro de nossos domicílios invioláveis, enquanto houver Estado de Direito, os nossos panelaços ecoarão pelas ruas, que o governo impostor a serviço de investidores estrangeiros não quer que nós ocupemos para protestar contra sua tirania. Eles nos desconsideram, como pessoas, como cidadãos, como filhos de Deus, na visão cristã. Entretanto, nós temos o poder de reverter esse quadro escabroso, que nos humilha, e mata muitos de nossos irmãos pelos descasos do governo em relação à saúde, à educação e à nossa segurança. A polícia, cujo papel é defender a pessoa do cidadão e seus direitos, é usada despudoradamente contra ele, ferindo-o, prendendo-o e humilhando-o, enquanto seus agentes, também cidadãos, são assassinados. Mas podemos enfrentar esse poder tirânico e vencê-lo com nossa criatividade. Façamos isso através de nossos panelaços, combinados e coordenados pelas redes sociais.

Comecemos já, em protesto contra a reforma da Previdência. Peça a cada cidadão, cioso de seus deveres, difundir essa ideia. Marquemos nossos protestos coordenados. Nós seremos imbatíveis se agirmos unidos, pois representamos 90% dos cidadãos brasileiros, que desaprovam esse governo e suas medidas contra todos nós e contra nossa Pátria. A nossa vontade ocupará as ruas com o som de nossos panelaços. Os tiranos serão abalados, até do outro lado do Planeta. Depois disso, é só pô-los para correr.

Rio de Janeiro, 17/01/2018.

15, janeiro 2018 1:24
Por admin

O Brasil não é problema. É solução

Arnaldo Mourthé

Há uma campanha orquestrada de que o Brasil é um problema. Mas isso é a mais pura mentira, premeditada para nos desacreditar, nos humilhar e nos incutir complexo de inferioridade. Nós vamos desmontar essa afirmação acima e colocar no seu devido lugar a conspiração que montaram contra nós para nos submeter. Querem que aceitemos uma condição de inferioridade no concerto das nações, sob a alegação que somos “uns coitadinhos”. Querem que sejamos um povo colonizado, sem direito à cidadania. Feito isso, o nosso trabalho, se tivermos a oportunidade de tê-lo, por que muitos não o terão, será usado para produzir o que os invasores quiserem, para a realização de seu  projeto imperial de dominar, senão todo o mundo, metade dele.

Vamos à questão. Nós somos hoje 208 milhões de pessoas, das mais variadas origens, a população em um só país mais representativa da humanidade. Aqui vivem, de forma integrada, índios e seus descendentes, e pessoas migradas da Europa, da África, da Ásia e de outros países das Américas. Todos são brasileiros, mesmo que ainda cultivem suas culturas de origens. Isso não é desvantagem. É uma diversidade que nos ensina a conviver com as diferenças, e nos permite aprender com a história de outros povos. Nós somos um povo tão poderoso e numeroso, que nenhuma nação ousará tentar submeter pela força.

Entretanto, o mundo vive uma crise terminal do sistema capitalista de produção, dada suas contradições internas e à ambição que ele desenvolveu nas pessoas. Os poucos portadores de uma fortuna equivalente a de metade da população mundial, buscam fazer sobreviver um sistema que se tornou contrário à vida. Nesse sistema, o lucro, seja qual for ele, se sobrepõe à vida humana e à própria Natureza. Tudo que a humanidade conquistou de positivo corre o risco de ir por terra. Até sua sobrevivência está em perigo. Tudo por um poder egoísta de apropriar-se de tudo e de todos, numa postura sociopata. Esse projeto só é possível de executar em um mundo de ficção, gerado pela mentira sustentada pela corrupção.

Esse grupo controla o mercado financeiro do Ocidente. Seus membros acreditam que podem se salvar colonizando parte do mundo Ocidental, fortalecendo-se para o confronto com outros países que não se deixaram contaminar, pelo menos totalmente, pela ilusão fabricada por eles. Aqui entra em cena o papel do Brasil. Se eles nos dominarem, terão mais facilidade de dominar toda a América do Sul. Tornar-se-iam mais fortes para enfrentar, ainda no seu conceito falso, outros países mais fortes, na sua marcha para conquistar o mundo. Uma grande ilusão, uma loucura. Atenção, não se trata de ficção, é a mais pura realidade. Alguém pode dizer: isso é muito louco! Não pode ser verdade! Para esse faço uma sugestão: verifique as contas da União e conheça a história de Hitler, e seu projeto de fazer da Alemanha um império mundial.  Foi com seu projeto louco que ele produziu a maior guerra da história e a perdeu, destruindo a própria Alemanha e grande parte da Europa. A tática agora não é mais a blitzkrieg (guerra relâmpago), uma onda de tanques em movimento. Ela é a sangria dos juros da dívida que já consomem 50% do orçamento da União. Seus estragos são maiores que os tanques de Hitler. Mas não se pode mencioná-la, pois o corruptor não o permite, enquanto a Nação se estraçalha. A mídia está no bolso do banqueiro.

Estão comprando com dinheiro falso nosso patrimônio construído por nós, a duras penas, em séculos, e especialmente depois da Revolução de 30, que teve um projeto soberano e de justiça social para desenvolver o Brasil. Pois tudo desse projeto, as conquistas sociais, os investimentos em educação, saúde, cultura, seguridade social, ciência e tecnologia, produção de energia, transporte, construção de cidades, está sendo demolido, por ações premeditadas, pelo governo que os banqueiros colocaram no poder no Brasil.

Tudo isso está sendo possível pelas ilusões que incutiram em nós brasileiros, através de agentes mercenários, na mídia, na política, em organizações ideológicas diversas, para que aceitemos o que estão nos fazendo. Isso nos custa caro no nosso próprio dia adia e anula nossos esforços por um futuro melhor. Mas podemos reverter tudo isso. Depende apenas de nós mesmos. De cada um de nós, não daqueles que pensamos serem nossos protetores. Não há ninguém que possa defender-nos se nós mesmos não nos dispomos a nos defender. E não é tão difícil ou caro o que temos a fazer. Basta tomarmos consciência da realidade, não nos deixarmos enganar, e nos unirmos na nossa ação. Não estou sugerido sacrifício de ninguém, apenas empenho e responsabilidade.

Manifestemo-nos, e mostremos ao mundo o que somos: um país poderoso, porque tem um povo valoroso e consciente de suas responsabilidades, para consigo mesmo e para com a humanidade. Nós somos o único país, hoje no mundo, capaz de reverter essa situação de calamidade mundial sem usar a violência. Por várias razões. Nossa ação será pacífica: nós apenas defenderemos aquilo que é nosso de direito; nós somos uma grande população com grande representatividade; nós ocupamos o território mais rico do mundo, em diversidade ambiental, em volume de água potável, em produção de alimentos, em fontes de energia, hidroelétrica, da biomassa e dos hidrocarbonados, em minérios de toda natureza, inclusive os mais raros. Nós somos uma potência, mas parece que não temos consciência disso. Sugiro que nos informemos. Basta ver pela internet aquilo que somos: nossas florestas, nossos rios, nossas cidades, nossas hidrelétricas, nossa agricultura, nossa grandiosa natureza diversificada e encantadora, repleta de sítios arqueológicos, únicos no mundo.

E temos, além de tudo, uma cultura que nenhum outro povo tem, em diversidade e em criatividade. Pois é isso aí! Usemos nossa criatividade para nos unir e nos impor! Combatamos os desmandos do governo, a falsidade da mídia e a soberba dos patrões dos dois, as corporações econômicas e financeiras. Depende de cada um de nós superar a situação de calamidade em que nos meteram. Omitir é pior opção. Vamos à luta!

Rio de Janeiro, 07/01/2017

13, janeiro 2018 6:29
Por admin

A natureza do modo de produção capitalista

Arnaldo Mourthé

O modo de produção capitalista surgiu no processo de decadência do sistema feudal. Seu embrião se manifesta primeiramente no século XIV, na norte da Itália e no sul da França, com os arrendatários de terra burgueses que utilizavam trabalhadores temporários nas suas atividades. Ele cresce junto com a decadência do feudalismo, até se tornar um sistema definido, com vida própria. Esse processo durou dois séculos. Foi o tempo necessário para que os camponeses se tornassem livres. Não apenas do senhor feudal, mas também dos seus compromissos comunais e para com suas pequenas propriedades, que lhes foram sendo tomadas, por arbitrariedade ou por dívidas. Ele cresceu com a falência pessoal do senhor feudal e generalizou-se com o colapso do feudalismo.

Nos conflitos entre a velha aristocracia, feudal, e a nova, burguesa, os penalizados foram os produtores rurais que iam sendo expropriados de seus bens e expulsos do campo. Eles formaram um gigantesco contingente de trabalhadores disponíveis, sem terra e sem trabalho, que favoreceu o processo de formação do capitalismo industrial. Na Inglaterra, no final do século XIV, a exploração da terra já havia passado dos senhores feudais para os arrendatários, que conviviam com uma grande massa de produtores livres.

Marx chama a atenção para o fato de a formação da produção capitalista urbana ter sido muito mais rápida que a do capitalismo no campo, com os arrendatários.

 

Serve de base a todo esse processo a “expropriação que priva de sua terra o produtor rural, o camponês”. Sua história apresenta uma modalidade diversa em cada país, e em cada um deles transcorrem as diferentes fases em gradações distintas e em épocas históricas diversas. Onde ele reveste sua forma clássica é na Inglaterra.

 

Ao tornar-se assalariado, o camponês já não trabalha apenas para satisfazer suas necessidades, mas tanto quanto pode suportar. Essa intensificação do trabalho, aliado a novos métodos de produção, como a divisão de tarefas em função das qualificações e aptidões, permitiu manter e aumentar a produção agrícola, com contingentes menores de trabalhadores. Nessas condições, o camponês expulso da terra não se tornou apenas livre, mas miserável, sujeito a aceitar quaisquer condições para sobreviver e sustentar sua família. Ele forneceu à manufatura capitalista sua força de trabalho, barata e desprotegida, que permitiu ao capitalismo tomar o mercado dos artesãos que não fossem artistas ou extremamente habilidosos.

Até meados do século XVIII, a principal manufatura capitalista era a têxtil, que ainda usava meios rudimentares, não muito diferentes em produtividade dos artesanais. Os equipamentos manuais eram praticamente os mesmos. Mudara apenas o número de trabalhadores concentrados no mesmo lugar e jornada de trabalho maior, de 16 horas, seis dias por semana, que superava em muito a dos artesãos. A produção concentrada aumentava a distância de transporte das mercadorias, o que lhes agregava custo.

Para reduzir seus custos, a indústria têxtil de algodão precisava ser instalada junto a um curso d’água, para lavar os tecidos e movimentar a roda d’água que substituiu o pedal no acionamento das máquinas. Para reduzir os transportes, a localização das indústrias era próxima aos portos. Esses condicionamentos limitavam a expansão da indústria têxtil. Para superá-los, os industriais buscaram aperfeiçoar seus equipamentos para obter maior produtividade, usando os novos conhecimentos da ciência.

O capitalismo industrial só se consolidou com a revolução tecnológica do século XVIII, que ficou conhecida como Revolução Industrial. Esta foi possível graças ao capital acumulado pela exploração colonial em um período histórico conhecido como mercantilismo.

A partir daí a produtividade do trabalhador aumentou, gerando um aumento extraordinário da produção e do lucro do capitalista. Esse fenômeno produziu dois outros, a necessidade de procurar novos mercados para seus produtos e a possibilidade de aumento de salários dos trabalhadores, conseguidos através de penosas lutas. Daí surgiu a luta de classes, como a modernidade as conheceu. Os ingleses buscaram colocar no continente europeu seus excedentes. Esse processo levou a tensões que resultaram em guerras. As chamadas guerras napoleônicas têm sua origem nesse fenômeno.

A luta de classes gerou ideologias que se opunham ao liberalismo que sustentava o capitalismo inglês, e sustenta até hoje o capitalismo mundial. Surgiram as diversas vertentes socialistas, dentre as quais o trabalhismo, o comunismo e o anarquismo. As bandeiras que orientavam essas ideologias eram a liberdade, que o liberalismo defendia, mas apenas para a burguesia, e a igualdade, em diferentes matizes.

Nesse quadro a história do mundo ocidental desenrolou-se, entre conflitos sociais e entre nações, todos girando em torno da apropriação dos excedentes da produção que as conquistas científicas e tecnológicas potencializaram.

Mas, como foi possível essa sociedade tão desenvolvida do ponto de vista da produção e tão desumana, que tem no conflito sua forma existencial e nas guerras a sua sobrevivência? O que permitiu que a história humana tomasse esse rumo trágico, e que nos levou à brutal crise que atravessamos, com todos os riscos que conhecemos, que nem vale a pena mencionar?

Há a considerar que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia ocorreu a uma velocidade estarrecedora, que não pôde ser acompanhada pela evolução espiritual da humanidade. O uso do poder da apropriação do excedente de produção por pequenos grupos sociais das nações acirrou a ambição, o individualismo e a segregação de classes, que nos países mais espoliados, da periferia do sistema, alcança uma condição de apartheid social, gerando miséria e impedindo o acesso de muitos a condições de dignidade humana. Os excluídos, não o foram apenas do conforto que a sociedade dispõe hoje, mas mesmo dos direitos elementares à alfabetização, à saúde e à habitação. O foram até mesmo de um trabalho que permita uma remuneração de sobrevivência com dignidade. Nessas condições construiu-se um criadouro da criminalidade, que a sociedade hipócrita debita aos marginalizados, quando a fonte de todo mal está no apartheid social, gerado pela concentração em poucas mãos do excedente de produção não consumido.

Rio de Janeiro, 07/01/2017

 

11, janeiro 2018 2:46
Por admin

(A título do retorno da febre amarela)

Arnaldo Mourthé

Somos surpreendidos a cada dia com situações negativas que envolvem nossa sociedade – e cada um de nós -, nossa Nação e nossa Natureza.

Na nossa sociedade essas ações negativas que afetam as pessoas são mais facilmente identificadas. Elas partem principalmente de agentes ativos bastante aparentes: do poder político, da mídia e das corporações econômicas. Há outros agentes, mas estão todos em íntimas relações com esses três. A sociedade já identificou como inimigos os corruptos políticos que dominam os poderes federais, Executivo e Legislativo, que praticam, indevidamente, em nosso nome, atos que afetam o futuro de todos nós. Mas há outros inimigos mais perigosos ainda.

As ações contra a Natureza, que também nos atingem, vêm disfarçadas em progresso ou em necessidades da economia. Seus impactos são incalculáveis, não sendo passíveis de serem medidos monetariamente. Muitos deles são irrecuperáveis, uma tragédia que nos atinge todos os dias, sem que saibamos suas origem e suas consequências. Sacrificam as riquezas naturais da flora, da fauna e o próprio equilíbrio da vida no planeta.

Esse quadro é extremamente preocupante. É preciso que tomemos consciência desses danos e de suas causas, especialmente daquelas que estão na origem do conjunto desses atos nefastos que trazem a desordem e o sofrimento.

Agora nos deparamos com outro surto da febre amarela, que causa pânico na população enquanto as autoridades não têm, nem mesmo, as vacinas necessárias para atender a toda a população em risco. Já tratam de fracionar as vacinas. Poderemos confiar na sua eficácia? Há quem a possa confirmar?

A história do retorno da febre amarela às áreas mais populosas do país nos indica que sua origem está no desastre ambiental provocado pela mineradora SAMARCO, no vale do Rio Doce. Os detritos armazenados na sua barragem rompida poluíram os cursos d’água matando peixes e sapos, predadores do mosquito vetor da doença. Esses proliferaram, aumentando sua capacidade de transmitir a doenças entre macacos, em escala exponencial, contaminando outros mosquitos que a levaram ao homem. O homem deslocou-se e contaminou outros mosquitos que difundiram a doença na população. Na sequência tornou-se uma epidemia, de uma doença que havia sido extinta entre os humanos no Brasil.

Esse é o relato dos especialistas. Eles identificam os vilões dessa doença como sendo “o vírus que a provoca e o homem que destrói a Natureza”. Eles estão corretos. Mas o maior vilão fica escondido. É aquele que está por detrás da SAMARCO, a predadora, reconhecida como tal por todos. O grande vilão não está apenas nessa empresa. Está em muitos outros lugares, podemos dizer: por toda parte. Está também no agronegócio, com seus latifúndios da monocultura para a exportação de cereais e proteínas.

Os dólares obtidos pelo agronegócio são imediatamente entregues aos investidores estrangeiros no Brasil, que os compram com recursos obtidos aqui de lucros e juros. Para produzir o que é exportado, o agronegócio não destrói apenas as florestas e a fauna que elas abrigam, Ele muda o regime do movimento das águas na Natureza. Desprotege o solo que é erodido pelas chuvas. As águas, que infiltrariam no solo protegido pela vegetação, escoam rapidamente, produzindo erosão, assoreando o sistema fluvial e provocando enchentes jamais vistas. Uma destruição sistemática. A água deixa de infiltrar no solo, onde fica guardada no lençol freático, que alimenta o sistema fluvial nos períodos de estiagem. O resultado são as secas que afligem as populações pela falta d’água para sua sobrevivência. A Natureza torna-se desequilibrada. Ela reage à sua maneira, com mudanças climáticas, tempestades, inundações e secas mais severas. Toda a população concernida padece.

Ao lado da poluição da Natureza, cria-se assim um círculo vicioso da descapitalização do país, que se condena à penúria permanente e à dependência do capital de fora para investimentos. Nesse processo ele vai se apropriando de tudo, enquanto o Brasil vai perdendo sua soberania. A função das mineradoras é da mesma natureza. Outras atividades econômicas, controladas pelo capital estrangeiro, exercem também esse papel, muitas delas também poluentes.

As grandes cidades padecem de forte poluição e de um trânsito desumano, onde o cidadão consome muitas horas em transporte a cada dia, tempo esse que deixa de dedicar à sua família ou a estudos e ao descanso, aumentando a tensão social e as doenças na população. O aumento do número de automóveis, em detrimento de um transporte público de qualidade, especialmente trem e metrô, multiplica a poluição e prejudica a qualidade de vida das populações urbanas.

Até nossa privacidade é violada pela desfaçatez dos vendedores dos “call centers”, retirando-nos dos nossos afazeres, ou repouso, para atender a ofertas de produtos que não desejamos, mexendo com nosso sistema nervoso. Nem nossa tranquilidade doméstica é respeitada. E o pior é que os maiores incômodos vêm das concessionárias do serviço público da telefonia,  que deveriam respeitar seus usuários que são a origem do poder que lhes fez a concessão. Estamos realmente vivendo em um mundo da desordem e da subversão de valores.

Todas essas questões são tratadas como se fossem questões isoladas, com medidas específicas que não atendem às necessidades das pessoas. Mas elas são frutos de um sistema econômico, que no Brasil é agravado pela sangria de nosso capital. Até nossos impostos alimentam esse quadro pernicioso e devastador. 50% do orçamento da União é drenado para essa espoliação através do sistema bancário, enquanto nossa dívida pública só faz crescer. Tudo isso compromete nosso desenvolvimento, nossa qualidade de vida, reduz postos de trabalho criando milhões de desempregados. Nosso futuro, enquanto nação soberana, está ameaçado.

Rio de Janeiro, 10/01/2018


 

08, janeiro 2018 12:34
Por admin

O excedente de produção no capitalismo

Arnaldo Mourthé

O modo de produção capitalista estabeleceu que a apropriação do excedente fosse feita pelo capitalista, sob a forma de pessoa física ou jurídica. Isso se dá porque o capitalista é o dono da mercadoria fabricada por outros, seus assalariados. Na sociedade que o antecedeu, o sistema feudal, os camponeses ou artesãos que aplicavam seu trabalho na produção da mercadoria eram seus donos. Eles pagavam tributos às autoridades, mas o produto pertencia a eles e eram eles que o vendiam ou trocavam por outra mercadoria, para satisfazer suas necessidades. No sistema capitalista, o patrão torna-se dono da mercadoria, porque arca com todas as despesas de sua produção. Para ter lucro na operação ele precisa vender a mercadoria por um preço maior que seu custo. Do contrário não haveria sentido produzi-la. Mas, seu preço não pode ser superior ao do mercado, pois seria invendável. Como resolver esse problema? Há duas maneiras: fazer o assalariado trabalhar mais tempo que o necessário para produzir o valor de seu trabalho, ou criar condições para aumentar a produtividade do trabalhador, em relação ao do concorrente, inicialmente um artesão.

Nos primórdios da indústria capitalista, a tecnologia aplicada era a mesma da do artesão. Logo, a mercadoria produzida pelo capitalista teria o mesmo custo da do artesão, caso seu assalariado trabalhasse o mesmo tempo do artesão e recebesse a mesma remuneração. Por isso os assalariados das primeiras indústrias na Inglaterra trabalhavam 16 horas por dia, o que o artesão não fazia. Este só trabalhava à luz do dia, período no qual exercia outras atividades. A espoliação desumana foi que deu origem ao capitalismo industrial. Além disso, o salário era insuficiente para sustentar uma família, o que obrigava a mulher ou do filho trabalhar. Tornou-se tradição  na Inglaterra, naquela época, as paróquias darem às famílias dos operários uma sopa no fim de semana para complementar sua alimentação.

A redução do horário de trabalho só ocorreu com a invenção de máquinas que aumentaram a produtividade. A Revolução Industrial, nos meados do século XVIII, deu um salto gigantesco na produtividade, mas a redução do horário de trabalho e a limitação do trabalho infantil só ocorreram através de ferrenhas lutas. No dia 16 de agosto de 1819, ocorreu uma manifestação de 60 a 80 mil operários em Manchester, que foi dissolvida a patadas de cavalos e ficou conhecida como o “massacre de Peterloo”. Esse é apenas um exemplo de uma infinidade de atrocidades cometidas contra as reivindicações legítimas dos trabalhadores.

Feita essa introdução, vamos à essência da questão do excedente de produção.

Foi o uso de instrumentos e armas para a caça que permitiu ao homem primitivo produzir além do necessário para sustentar sua família e suas comunidades. Esse processo continua até hoje. A produtividade provém da invenção de novos instrumentos, que multiplicam o efeito da nossa força de trabalho. Os animais também foram e ainda são utilizados com essa finalidade. As conquistas da ciência depois da Revolução Industrial e o desenvolvimento de novas tecnologias continuam aumentando nossa produtividade, em escala exponencial. Todos os investimentos que permitiram essa evolução têm sua origem no aumento da produtividade, que acompanha a do conhecimento que os homens vêm adquirindo ao longo da história.

Até o surgimento do capitalismo o excedente de produção, gerado por essa evolução, era distribuído e investido com critérios de cada sociedade organizada, em tribos, cidades estados, impérios, reinos. Cada uma delas com sua estrutura social própria, algumas mais igualitárias, outras menos, até mesmo tirânicas. Mas sempre de acordo com uma organização social bem definida. Com isso a humanidade evoluiu,, embora aos trancos e barrancos, inclusive no plano espiritual com seus valores éticos e morais.

Na sociedade moderna, condicionada pelo modo de produção capitalista, onde a apropriação do excedente de produção de mercadorias é privada, a história nos indica uma acentuação dos conflitos, sejam eles no seio da sociedade ou entre as nações. Esse fato é decorrente de ser individual a decisão do investimento do excedente, do capitalista, ou corporativo, de um grupo de capitalistas. Na sociedade, a grande maioria da população é excluída do processo decisório. Pode-se alegar a existência de um Estado de Direito, que regula esse processo. Mas esse Estado, chamado também de democrático, tem pouco de democrático e o direito é seletivo. Ele é dominado pela ideologia capitalista, o liberalismo. Essa cria uma grande ilusão na população, sobre a natureza da sociedade, para dar a impressão que ela corresponde aos nomes que leva. Mas isso é uma falsidade.  O Estado que temos é de classe, dos capitalistas, e não do povo, não uma República, como definiu Rousseau com grande propriedade. No sistema capitalista a república é uma farsa.

Foi essa sociedade que herdou o colonialismo iniciado pelos reinos, e infelicitou dezenas de países do mundo e bilhões de pessoas submetidas à espoliação e ao sofrimento. Foi ela que produziu as guerras que a história registra, tragédias impensáveis nas relações entre os humanos. Centenas de milhões de vidas se perderam nesse processo, além dos feridos, doentes, refugiados. No Brasil esse processo durou três séculos e produziu uma sociedade escravista e preconceituosa.

Hoje nós não vemos com essa rudeza o mundo em que vivemos, porque ao longo desse processo as pessoas mais lúcidas e as classes sociais mais sofridas reagiram, cada uma à sua maneira, conquistando direitos sociais. Houve lutas de massas, revoltas, revoluções. Houve uma forte reação no plano do pensamento. A mente humana desenvolveu nesse período seus instrumentos para construir um mundo melhor através da filosofia, das artes e da ciência. O pensamento crítico grego que foi retomado na Europa, produziu o Renascimento. Ele foi usado de forma magistral pelos iluministas franceses e outros filósofos que os sucederam, como Kant, Hegel, Marx e muitos outros, o que permitiu unir intelectuais e trabalhadores para humanizar o Estado burguês, que chegou a alcançar um nível de civilidade considerável com o Estado de Bem Estar Social, como é praticado nos países nórdicos da Europa. Todas essas conquistas foram obtidas com muita luta e muito sacrifício, mesmo sem considerar a tragédia das guerras mundiais, de conquistas de territórios e de deposição de governos populares.

Mas, o capitalismo não aceita mais o Estado de Bem Estar Social, nessa fase de sua decadência, à beira da extinção. Ele tem um  novo projeto, o  neoliberal, que outra coisa não é que o retorno ao liberalismo primitivo, da desigualdade e da liberdade apenas para o capitalista. Isso se deve à impossibilidade do sistema sobreviver sem as guerras, que queimam parte do excedente de produção acumulado em suas mãos. Mas esse não é um ato de renúncia, pois o Estado é quem paga as guerras, com o dinheiro produzido com o trabalho do cidadão, enquanto os capitalistas faturam seu lucro, vendendo seus estoques de mercadorias e armas.

Os burgueses capitalistas pensam ser possível substituir o Estado de Bem Estar Social por uma nova forma de colonialismo, onde não existirão as figuras da República, nem do Cidadão que lhe dá origem. Um projeto tresloucado que é preciso barrar. Ele está sendo construído com o endividamento do Estado e seu desmantelamento junto com o dos direitos do cidadão. A humanidade, no conceito deles, não é mais que instrumento de produção e de consumo para realizar seus lucros. Cuide-se o capitalismo enlouqueceu. Este é o título de um livro meu publicado em 1999.

Todas as ações do governo Temer estão em conformidade com esse plano macabro de submeter o Brasil, através da demolição do Estado e dos direitos republicanos inseridos nele. O método utilizado é a corrupção dos políticos, que fazem as leis, e dos meios de comunicação,que alienam a população através de mentiras, mitificações, e diversões desvinculadas de nossas tradições culturais. Nós hoje somos um país ocupado. Não por tropas militares, mas pelo poder do dinheiro falso, que desorganiza nossa economia e corrompe aqueles que deveriam estar defendendo a Nação. Mas, na realidade eles estão vendendo-a pelas migalhas que recebem por serem serviçais do capital. Essa venda é feita em fatias para despistar seu objetivo.

Para melhor compreensão de tudo isso é preciso mais algumas informações sobre a natureza do modo de produção capitalista. Vamos analisar essa questão.

Rio de Janeiro, 07/01/2017

 

04, janeiro 2018 10:07
Por admin

            O segredo do colapso da civilização que estamos assistindo é a submissão de toda a sociedade ao poder do dinheiro falso – sem lastro ou produzido fora da atividade produtiva -. Os juros da dívida pública são a principal fonte desse dinheiro falso no Brasil.

Vejamos como isso aconteceu e como esse dinheiro destrói a economia, marginaliza populações inteiras, destrói o Estado e leva a civilização ao colapso.

O professor Lauro Campos, no seu livro A crise completa – A economia política do não, observa que a história da evolução do sistema capitalista tem três fases. Na primeira, predomina a produção para o consumo; na segunda a produção de meios de produção; e na terceira a produção de não mercadorias. Na sua análise, chama a produção de meios de produção de departamento I, a produção para o consumo de departamento II e a produção de não mercadorias de departamento III. Essa numeração dos departamentos obedece à lógica da produção e não às fases históricas citadas, pelo fato que a fabricação das máquinas é anterior à fabricação de mercadorias para o consumo. Esses dois primeiros departamentos representam o capitalismo voltado para o desenvolvimento das forças produtivas. Eles atendem ao consumo e à produção de meios de produção, ou seja, às necessidades humanas. Já o departamento III é apenas um artifício para aumentar as vendas dos departamentos anteriores. Ele produz instrumentos de destruição voltados para dissipar mercadorias, como as armas de guerra, ou bens que não se destinam ao mercado, como obras de infraestrutura, a pesquisa espacial e outras congêneres.

É interessante observar que o departamento III trabalha para o Estado, pois não produz para o mercado convencional, empresas ou consumidores. Mas ele não surgiu apenas pela vontade de um capitalista, de um governante ou de governantes, mas pela necessidade do capitalismo, como sistema, dissipar a produção para superar suas crises de consumo. O New Deal de Roosevelt e Keynes trouxe à luz a incapacidade do capitalismo de resolver suas crises sem essa dissipação. A recessão resultante da crise de 1929 nos Estados Unidos, apesar de todos os programas de investimento em não mercadorias, só terminou com o esforço de guerra a partir de 1943. Outra forma de permitir a sobrevivência do capitalismo é ampliar indefinidamente seu mercado de consumo, permitindo ao capitalista realizar a totalidade da venda da sua produção. Esse é o caminho perseguido com a globalização da economia. Mas, ao englobar todo o mundo no sistema, fica encerrado seu potencial de expansão natural. Os artifícios passam a ser a válvula de escape das crises, até que também se esgotem.

Além disso, há resistências múltiplas nesse avanço sobre os povos e as nações. As pessoas e as instituições reagem à invasão do capital, seja na busca incessante ao lucro cada vez maior, seja na imposição da ideologia burguesa, que se introduz destruindo quaisquer resistências, cultural, religiosa, intelectual. O uso da força das armas é recorrente nessa cruzada do capitalismo em busca de novos mercados e da posse de bens que possam gerar lucro, sem o qual o capitalismo não se sustenta.

Mas o departamento III do capitalismo precisa de uma fonte de sustentação. Esta é o endividamento público, cujo peso não se limita aos países centrais do sistema. Ele é levado também aos países periféricos, como o Brasil, os europeus menos capitalizados, como a Islândia, a Espanha, a Grécia, Portugal, e outros. O endividamento reduz a capacidade dos governos de prestar serviços à população e induz à privatização dos serviços públicos. A população, que já pagava tributos para sustentar esses serviços, passa a pagá-los a particulares, a preços mais elevados, pois acrescidos do lucro. Os tributos crescem cada vez mais, não para atender às necessidades das pessoas ou do desenvolvimento do país, mas para pagar juros da dívida pública, cada vez maior, alimentada por taxas de juros exorbitantes. Todas as mudanças legais que permitem essa alimentação do capital não produtivo começa com a corrupção das autoridades e dos formadores de opinião, o que se torna rotina e vício.

Esse sistema econômico, que usa o Estado para espoliar a população, necessita da mentira para manter-se, divulgada na mídia e nos discursos dos homens públicos. Essa cumplicidade é alimentada pelas verbas de publicidade e também pela corrupção, que tende a crescer e tornar-se incontrolável. Com o desvio do dinheiro público para o pagamento de juros, as carências da população aumentam, pela falta dos serviços essenciais, pelo desemprego, pelos salários arrochados e pelos tributos cada vez mais pesados, empurrados pelo serviço da dívida cada vez maior. Além disso, a população precisa pagar pelos serviços essenciais que o Estado já não lhe fornece. Todos os anos há um grande esforço nacional para cumprir com os serviços da dívida pública.

Em 2010, no Brasil, essa arapuca já custou aos cofres públicos 195 bilhões de reais. Dados mais recentes mostram uma escalada da dívida e dos juros que levarão o país à inadimplência, mesmo com a alienação de patrimônios que vem sendo feitos de forma escandalosa.

O crescimento da dívida indica isso. Vejamos alguns dados. Em 2017 o custo dos juros elevou-se para 359 bilhões de reais, correspondendo a aproximadamente 50% das despesas da União. Essa é a causa da falta de recursos para o pagamento dos funcionários e do colapso dos serviços de educação, saúde, segurança, transporte e outros.

O crescimento da dívida em relação ao PIB brasileiro mostra nosso estado de calamidade. Em 2014 a dívida alcançou 56,3% do PIB, em 2015, 65,5% e 2016, 75%. A projeção para 2023, segunda assessoria técnica do Senado Federal, é de 92,4%. Seu crescimento em 2017 foi de 10,84%, enquanto a economia indica um crescimento de 0,8%, segundo o IBGE.

Diante desses dados fica claro que o problema financeiro da União não se deve à remuneração dos servidores, nem à Previdência Social que, respeitadas as receitas a ela atribuída pela Constituição de 1988, vem sendo superavitária.

A tragédia brasileira se deve a ocupação de nossa Nação pelo capital financeiro internacional, que corrompeu políticos e mídia, e dirige os destinos do País através de um governo de sociopatas, comandado por Temer, o aliciador de votos pela corrupção, e Meirelles, agente da banca internacional, que tem como centro decisório a Wall Street, em Nova York.

Para compensar essa sangria, o governo corta despesas, sob o título pomposo de superávit primário do orçamento. Que superávit é esse, se o orçamento é deficitário? Independentemente do eufemismo, o superávit nunca é suficiente para pagar o rombo. A diferença é coberta por novas emissões de títulos do Tesouro. Dessa forma a dívida pública só cresce. A vida das pessoas torna-se penosa, fazendo com que as mães de família trabalhem fora, o que acontece também com os jovens, que deixam os estudos para ganhar algo mais para complementar o orçamento familiar. Enquanto 14 milhões de trabalhadores ficaram desempregos.

No seu avanço sobre os mercados, os capitalistas dos países centrais do sistema compram empresas, desnacionalizando a economia do país hospedeiro. A exportação dos lucros gerados por esses investimentos aumenta a sangria do país, tornando-o dependente de exportação crescente, que o faz prisioneiro também das flutuações da economia mundial. A economia interna do país hospedeiro é forçada a adaptar-se à internacional, não como estratégia própria, mas pela pressão das necessidades crescentes de moedas conversíveis, para transferir lucros e juros obtidos internamente pelo capital estrangeiro. A fronteira do país é aberta para que o capital estrangeiro compre o patrimônio nacional, enquanto o mesmo capital retorna a sua origem pela remessa de lucros e de juros. Para compreender o porquê de tudo isso, precisamos conhecer a natureza do modo de produção capitalista, que produz a acumulação privada do excedente da riqueza produzida pela sociedade.

Nas sociedades que antecederam à capitalista a apropriação da produção excedente às suas necessidades era feita por sua chefia tribal, imperial ou feudal. Esse excedente era distribuído conforme critérios próprios de cada sociedade. Elas geraram classes privilegiadas, castas, ou foram utilizadas em investimentos produtivos, como ferramentas, máquinas ou irrigação, na construção de palácios ou templos, de infraestrutura viária, ou na defesa das cidades ou estados, com exércitos e fortificações. Todos os recursos produzidos tinham uma utilidade, em função das necessidades da sociedade, não importa qual fosse sua natureza. As formas de apropriação desse excedente eram  tributos sobre a produção, pedágios etc.

 

02, janeiro 2018 12:45
Por admin

Vivemos um momento de difícil compreensão. Parece não existir mais lógica na maneira de pensar das pessoas. Tudo que considerávamos correto, a pouco tempo atrás, não condiz em nada com a linguagem dos comunicadores da mídia, nem com os argumentos dos políticos que dirigem o país. Muitos dos respeitáveis homens que dirigem nossa sociedade, nossa economia, nossas empresas e corporações patronais, repetem a mesma linguagem incompreensível e enganosa. Na televisão, aqueles que se intitulam jornalistas pontificam, transmitindo as mesmas barbaridades, sugerindo nos informar. Mas essas informações não fazem sentido, pois conflitam com aquilo que consideramos correto, e assim era visto pela maioria da sociedade, há bem pouco tempo. O que está acontecendo conosco?

Há uma confusão de conceitos sobre a sociedade, sobre a política e sobre o comportamento humano. No topo da sociedade graça a tendência ao totalitarismo. Os políticos no poder tendem para a tirania, na qual são renegadas a leis que se destinam a regular as relações na sociedade. Só passa a ter valor a vontade do tirano, uma subversão de valores. Isso fica evidente quando se trata da economia, da produção e da distribuição da riqueza produzida.

Só parte da riqueza que produzimos remunera o trabalho e paga os tributos que deveriam sem aplicados nos serviços de interesse da população, como educação, saúde e segurança pública. Há um excedente que é apropriado por um grupo pequeno de pessoas. Essas vivem do lucro e de rendas diversas, algumas delas derivadas da produção de mercadoria ou de meios ou atividades ligadas ao processo produtivo, como o aluguel. Esse é o mecanismo normal do sistema capitalista. Mas há aquela renda, proveniente de juros da dívida pública e da especulação, que cria fortunas fabulosas sem origem na produção, que hoje sufocam o mundo da produção.

Nesse processo a sociedade se esfacela. As relações sociais são abaladas pela desorganização daquilo que, embora não fosse justo, era admissível, porque tolerável, conforme os valores aceitos como necessários à manutenção e prosperidade da Nação.  E que valores são esses? Aqueles estabelecidos pela realidade econômica e pelos embates de interesses entre as classes sociais, nos últimos séculos, desde que surgiu o capitalismo. Esses embates têm uma referência histórica marcante, no século XVIII, especialmente com as revoluções americana e francesa, alimentadas pelas ideias dos iluministas. Aquele momento histórico marcou o início de uma Era de confrontos e negociações que criaram o Estado Moderno, um período histórico de grande progresso e de grandes confrontos que foram se ampliando. No início do século XX eles se exacerbaram, dando origem às duas grandes guerras mundiais: a de 1914-1918 e a de 1939-1945.

Após esses grandes e calamitosos conflitos, parecia que a humanidade havia tomado juízo e encontrado uma forma de convivência. Houve a libertação das colônias. Surgiu nos países mais desenvolvidos, segundo o critério da produção de riquezas, um grande acordo na sociedade ocidental, o Estado de Bem Estar Social. No Oriente, as novas sociedades socialistas, da Rússia e da China, ofereciam outra forma de organização, superando as crises econômicas através da economia planejada e de distribuição de riqueza mais democrática. Mas foi criada uma dualidade que resultou na Guerra Fria, com graves consequências, inclusive pela proliferação das armas nucleares.

Mas, o mundo ocidental não conseguiu manter por muito tempo o Estado de Bem Estar Social. Este se caracteriza por uma melhor distribuição da riqueza, cujo exemplo mais marcante está na Europa, especialmente nos países nórdicos. Isso foi possível pela democratização da política e a garantia dos direitos dos cidadãos, conquistados a duras penas em embates sociais expressivos, especialmente pelo clamor dos povos massacrados pelos horrores das duas guerras mundiais. Essa condição social foi mantida pelo livre pensar e pelo diálogo, dos quais resultaram condições políticas e institucionais, nas quais prevaleciam alguns princípios republicanos, fundados na soberania do cidadão e das nações, consubstanciadas no voto popular e na autodeterminação dos povos. Para tal chegou-se a organizar uma cooperação entre os países menos desenvolvidos economicamente, a partir de uma reunião em Bandung, na Indonésia, que fundou o Movimento dos Países Não Alinhados, aqueles que não estavam aliados aos blocos Ocidental ou Socialista, portanto, teoricamente, neutros. Mas essas nações não foram poupadas de intervenções externas, especialmente para a dominação de sua produção de petróleo e para bloquear seu desenvolvimento autônomo, como aconteceu no Brasil, na Indonésia e em outros países da América Latina com os golpes de Estado que produziram sangrentas ditaduras militares.

O Estado de Bem Estar Social ainda se aguenta, precariamente, nos países mais industrializados, em parte com recursos da espoliação dos outros países. Já nos países submetidos ao neocolonialismo – o colonialismo econômico com soberania apenas nominal – a espoliação grassou, com o consentimento de governos autocráticos e corruptos. A “democracia”, – ou Estado de Direito -, duramente conquistada por esses povos, degradou-se. O capital estrangeiro dominou suas economias.

O sistema capitalista usou e continua usando esses países como áreas de expansão de seu mercado, cada vez mais cartelizado e submetido ao capital financeiro. Essa fase se agravou a partir da década de 1970, quando os excedentes de produção nos países mais industrializados ameaçava levá-los a uma crise sem precedentes. Para evitá-la, os países que detêm o controle financeiro do comércio mundial, os EUA e a Inglaterra, adotaram a política do dinheiro sem lastro, que foi imposta ao mundo. Dessa forma eles conseguiram ampliar os mercados que necessitavam, para fazer faze à nova crise do sistema capitalista que já se anunciava.

O dinheiro sem lastro, somado aos petrodólares gerados pela imposição do aumento do preço do petróleo, a partir de 1973, concentrou mais ainda a riqueza, sob a forma monetária, que precisava encontrar meios de ser remunerada. Foi imposto aos países periféricos, do ponto de visto econômico, o endividamento para promover um desenvolvimento artificial, para atender às grandes corporações empresariais. Disso resultou o slogan “Brasil grande”, no governo militar brasileiro que produziu grande aumento da dívida externa brasileira, de 2,4 bilhões de dólares, em 1964, para 85,4 bilhões de dólares, em 1985, 35 vezes maior.

Essa política neoliberal ficou conhecida como “globalização” e foi difundida como uma Era de Prosperidade. Mas seu resultado foi o empobrecimento das populações mais pobres e uma brutal concentração de riquezas na mão de poucos. Foi também a perda da soberania de muitas nações. Margareth Thatcher foi mais realista ao interpretar essa política, considerada a única solução para o capitalismo, dizendo “There is no alternative”. De fato essa foi a única opção que o capitalismo tinha para sua sobrevivência por mais algum tempo, sem uma guerra que pudesse mascarar a crise do capitalismo. Essa seria catastrófica para todos, sobretudo para os mais poderosos. Mas sua lógica não nos serve, porque nos custa nossa própria sobrevivência. Centenas de milhares de brasileiros morrem todos os anos, em decorrência dessa política macabra. Os fatos demonstram que o capitalismo esgotou-se, está em fase terminal.

O governo que temos hoje é consequência desse processo, que não é apenas um jogo geopolítico.  Ele é muito mais que isso, pois seu objetivo é de dominar completamente grande parte do mundo, numa tentativa de superar a crise do sistema capitalista. O Brasil é para eles um elemento fundamental para enfrentar a China, que tem hoje poderes para fazer face ao império americano.

Temos ainda a considerar que todos os conflitos graves que ocorreram no mundo desde a Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII – da Revolução Francesa à Guerra Fria – são aspectos de um mesmo e grave problema, as crises cíclicas do sistema capitalista. Já os atuais, as guerras do Afeganistão e do Iraque, a Primavera Árabe e a guerra da Síria, as pressões sobre a Coréia do Norte, a tentativa de derrubar o governo da Venezuela, o assalto ao Pré-sal e a tentativa de desmoralizar a Petrobrás. a redução de direitos trabalhistas e a reforma da Previdência no Brasil, sãos consequências da crise terminal do capitalismo. É na análise dessa crise e de suas causas que sairá a resposta ao título desta matéria, O segredo do colapso da civilização.

 

27, dezembro 2017 11:19
Por admin

Ao povo brasileiro

Eu sou Arnaldo Mourthé, um cidadão brasileiro, como cada um de vocês. Venho a público para dizer da minha indignação com tudo que esse governo, um governo das trevas, vem fazendo conosco, povo brasileiro, e com a nossa Pátria, o Brasil.

Todas suas ações têm sido para quebrar a nossa vontade de cidadãos, com o objetivo de facilitar a realização de um projeto que nada tem a ver com o Brasil e seu povo. O projeto deles é demolir nosso Estado, nossas Instituições, e quebrar nossa vontade, nossa dignidade. Você, meu concidadão, pode perguntar: para que?

Para entregar nosso destino a um pequeno grupo de egoístas genocidas, que querem nos transformar em uma colônia. Passaríamos a trabalhar para produzir o que lhes interessa, para que eles lucrem nas suas transações com o mercado mundial.

Para isso, eles estão destruindo o Estado brasileiro e seus serviços públicos, e retirando de nós direitos, que garantem a nossa sobrevivência e a nossa condição de cidadãos, aqueles que têm direitos e deveres. Querem nos transformar em servos, talvez em escravos. Escravos que nada lhe custam e, portanto, descartáveis.

A nova “Lei” trabalhista deles, nem é Lei, porque se submete ao “acordo” com o patrão, que coloca o trabalhador submisso à sua vontade, aos seus interesses. A “Lei” que querem para a Previdência Social promete uma aposentaria para uns poucos sobreviventes, porque a maioria terá morrido antes da idade mínima para usufruir dela.

Estão também vendendo o patrimônio nacional e concedendo todo o serviço público à exploração privada. Se deixarmos, vão destruir nosso país. Não teremos um país para deixar aos nossos descendentes. O que eles pensam que nós somos? Cordeiros? Idiotas? Covardes? Estão enganados. Eles são soberbos. Pensam que podem tudo. Mas nós temos nossa dignidade. Esquecem que temos uma Pátria, que devemos defender e que foi constituída para nos defender. Somos cidadãos. O poder é nosso, do cidadão. O governo que aí está é impostor. Não foi eleito pelo povo e não tem votos.

Eles querem fazer a reforma da Previdência Social e destruir o Brasil e nossa Sociedade, nossa Comunidade. Mas nós, queremos que eles saiam! Se não for por bem, que o façamos através das ruas, pacificamente, com a pressão da nossa vontade. Mobilizemo-nos. Não deixemos que eles destruam nossa Pátria e nos escravizem.

Não quero nada para mim. Tenho 81 anos bem vividos, com muitas lutas em defesa do Brasil e do povo brasileiro. Mas tenho a obrigação de defender meus descendentes e os de todo o nosso povo.

Não à reforma da Previdência! Fora o governo Temer!

Rio de Janeiro, 17/12/2017

22, janeiro 2018 11:19

Independência ou Morte

19, janeiro 2018 14:41

Verdades que precisam ser ditas

17, janeiro 2018 10:48

Ao combate contra a tirania!