Arquivos de dezembro, 2017

06, dezembro 2017 9:48
Por admin

Quem é o maior responsável por nossa tragédia nacional?

Arnaldo Mourthé

A resposta é simples; a nossa omissão.

Quem se sentir ofendido, que me desculpe. Não quero ofender ninguém.  Mas é de meu dever alertar a todos da gravidade da nossa situação. Até mesmo àqueles mais empenhados em buscar saídas desse caos, com seu próprio sacrifício. Afinal, me foi dado o privilégio de  viver 81 anos, intensamente, conhecer muitos países, os mundos da técnica, do esporte, da literatura, da política, até dos porões da ditadura, da vida enfim, com sua grandiosidade e seus percalços. Não tenho o direito de omitir o que me foi revelado, por minhas experiências, meus estudos e meus contados com personalidades que  fizeram história.

Não posso apenas guardar para mim tudo isso, e viver a minha aposentadoria, adquirida aos 70 anos de idade, quando milhões de patrícios não têm nem o direito ao trabalho para sustentar sua família, muito menos para se aposentar. Não o fiz, não o faço e não o farei. Vou colocando tudo para fora. Digam o que quiserem aqueles que se deleitam em criticar e colocar sobre os outros a responsabilidade das nossas mazelas. As redes sociais então cheias deles. Não os culpo. Não culpo ninguém, especialmente, pelo que está aí. Somos todos vitimas de uma condição que não foi criada por nós, mesmo que alguns tenham tido a oportunidade de amenizar as consequências das agressões que sofremos, sendo menos egoístas do que foram.

Além de considerar que a “culpa” é do outro, há uma tendência para negligenciarmos nossa potencialidade. Aceitarmos o mito do poder, que a sociedade nos ensinou. Aceitamos até mesmo sermos vítima dele, sem questionar. É o que nos está acontecendo. “Mas eu não posso fazer nada!”. É o que mais se ouve. Pois esses estão enganados e não apenas isso, conformados, o primeiro passo da submissão.

Mas tenho algo a dizer-lhes sobre o poder. O poder está dentro de cada um de nós. Fora dele só há o poder Divino e o da Natureza. Não há poder do homem que não tenha origem em nós mesmos. Se alguém diz que há, está mentindo ou enganado. Vamos à questão!

Se temos um problema, só nós mesmos temos condição de resolvê-lo, ninguém mais. Mesmo quando a solução depende do outro, é preciso que nós tomemos a iniciativa de acionar o outro para agir. Do contrário nada será resolvido. Viveremos nosso drama na solidão, talvez no desespero.

Da mesma forma o problema de uma família está nela mesma. Só um de seus membros poderá resolvê-lo, ou a união de todos. Isso vale para a comunidade ou empresa. Vale também para uma nação. Em alguns casos precisamos de solidariedade, ou ajuda de fora, mas que só será positiva se for solicitada por nós ou for de nosso interesse. Qualquer solução externa ao corpo social não pode contrariar seus interesses. Se o fizer  será invasão de privacidade. Para a nação a privacidade se chama soberania.

Se assim é, estamos sendo violentados. Temos um governo que nos obriga o que não queremos. Que usa apoio externo para nos pressionar. Que corrompe para nos dominar. Será natural que possamos aceitar isso? Não é. Mas por que está acontecendo? Porque nós estamos divididos, uns culpando os outros. Onde está nosso amor próprio. Ele não é apenas individual. Ele vale para o coletivo. A família, um grupo de amigos ou colegas, os de mesma nacionalidade. Pois quando nos agredimos mutuamente, estamos nos negando a solidariedade, a unidade  que é nossa força. Todos que agridem o outro, nosso compatriota, por pensar diferente de nós, está nos enfraquecendo. Ajudando nosso inimigo, nos levando à submissão e à nulidade. Deixamos de ser, para não sermos nada. Viramos coisas, que não têm direitos nem deveres. Para não sermos coisas. devemos ter a consciência que precisamos ter os dois: direitos e deveres. Não só para nós, mas para todos.

Agora poderemos ver uma omissão de muitos de nós. Nós estamos negando nossa unidade, nos negando nossa força. O homem vive em sociedade, porque fora dela não mais existiria. E a sociedade tem sua força na sua Unidade. Enquanto falarmos mal uns dos outros, os inimigos nos impõem, todos os dias, derrotas e prejuízos. Estamos sendo massacrados.

Como superar isso? Fazendo uma reflexão e reconhecendo nossas limitações. A principal delas é nosso conhecimento precário e nossas ilusões. Precisamos nos informar. Só assim tomaremos consciência do que está acontecendo. Façamos isso, procuremos conhecer os fatos. Os  verdadeiros, do passado e do presente. Os divulgados pela mídia não são verdadeiros. Os poucos verdadeiros são menores, sem significado. Servem para dar veracidade aos falsos. Seu conhecimento não nos ajuda, apenas nos ilude mais ainda.

Precisamos nos conscientizar. Aprender uns com os outros. Melhor será se for com o mais próximo de nós. Tenhamos confiança em nós mesmos e em nossos próximos, parentes, amigos, companheiros de trabalho, concidadãos nossos, patrícios nossos. Confiemos no que é nosso. Sejamos nós mesmos. Podemos mesmo afirmar que somos os melhores, pois somos múltiplos, representamos grande parte da humanidade. Partes delas, as mais diversificadas, estão aqui, são brasileiros. Nem todos, sabemos disso. Mas esses são facilmente reconhecíveis. Por suas palavras, por suas atitudes, por suas posições contra nosso povo.

Precisamos também conhecer nossa história. Ela vai nos dizer o passado de cada um, ou seus vínculos ancestrais que o fazem agir em consequência. Precisamos nos conscientizar enfim. Ou o fazemos, ou nos submetemos. Não basta identificar os culpados, mesmo que estivermos certos. A questão é não nos submetermos, é construir nosso destino. Que assim seja!

Rio de Janeiro, 05/12/2017.

01, dezembro 2017 7:15
Por admin

Por um Brasil de Paz e Fraternidade

Arnaldo Mourthé

O regime republicano instituído no Brasil, em 15 de novembro de 1889, já nasceu velho.  Tanto que ficou conhecido como República Velha. Há pelo menos duas razões para esse conceito. A sua ideologia positivista e o exercício do poder, logo após seu nascimento, pelos barões do café, uma retrógrada casta escravista. O positivismo deixou sua marca na legenda da nossa bandeira: ORDEM E PROGRESSO. Mas, o que é o positivismo? Uma doutrina criada pelo francês Auguste Conte (1798-1857), semelhante a uma religião, que via a humanidade como sua deusa. Mas, apesar disso, não tratava dos direitos do homem. Seu enfoque era buscar a regeneração social e moral dele. O homem visto como um elemento fora da sociedade, como se isso fosse possível. Seu lema é O Amor por princípio e a Ordem por base: o Progresso por fim, como está escrito na fachada da Igreja Positivista do Rio de Janeiro.

Foi desse lema que saiu a legenda expressa na Bandeira do Brasil: Ordem e Progresso. O que significaria essa expressão? Ordem é uma disposição de meios para obter-se um fim, uma regra ou lei estabelecida. Pressupõe disciplina e obediência, mas não diz para que. No fundo é uma palavra sem significado preciso, que pode ser usada ao bel prazer da autoridade. Não é um princípio, como as legendas da Revolução Francesa, Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Estas sim, falam por si mesmas, são princípios a serem seguidos pela sociedade e, obrigatórias para a autoridade que ouse falar em seu nome.

E o que vem a ser Progresso? É o movimento para adiante, um avanço, uma evolução. Mas, em que direção? Para qual objetivo? Induz a pensar que esse objetivo seja o bem da sociedade, a superação de cada estágio da sua evolução. Mas qual seria essa sociedade? Essa questão fica em aberto, deixa margem a interpretações. O progresso para um pode ser o retrocesso para outros.

Foi exatamente isso que aconteceu. Como os militares não representavam nenhum dos componentes da sociedade, classes, setores, etnias ou organizações políticas, que pudessem  dar-lhes suporte no poder, eles o entregaram aos barões do café. Manteve-se assim a estrutura social da colônia e do Império. Já não havia mais a escravidão que o Império extinguiu, mas permaneceu a cultura escravocrata da aristocracia, e a casta do baronato que espoliou o país desde o início da colonização.

Para o baronato, a legenda Ordem e Progresso veio a calhar. A Ordem seria a sua, que ela estabeleceria conforme seu interesse. O Progresso poderia ser interpretado de várias maneiras. Se a interpretação era feita por eles, ela seria do seu interesse. Por exemplo: ampliar seus negócios, montados sob a exploração desumana dos trabalhadores em associação com seus sócios no exterior. Assim, eles reinaram até 1930, quando a sociedade reuniu condições para derrubá-los do poder com uma Revolução Republicana.

Mas essa Revolução, em especial sua obra social, especialmente voltada para a proteção do trabalhador, com a legislação trabalhista e a Previdência Social, não foi assimilada pelo baronato, nem por seus sócios externos, que viram sempre o Brasil como um balcão de negócio de alta rentabilidade. Daí os conflitos sociais e as conspirações que levaram ao Golpe de Estado de 1964. De lá para cá, o baronato e seus associados externos deitaram e rolaram sobre o Brasil. Os militares, que foram usados para esse projeto antissocial e antinacional, serviram a eles, mas não se dispuseram a dar o passo audacioso que os associados externos queriam; destruir a Soberania Nacional.

O melhor seria, para os conspiradores, acabar com a ditadura e criar um regime de governos dóceis, de capatazes que administrassem a espoliação desenfreada do Brasil. E deu no que deu. Sobre isso já falamos sobejamente.

O pior é que o governo que aí está nem mais respeita a legenda da Bandeira Nacional. A Ordem virou desordem. Instalou-se um cassino de irresponsáveis que fazem e desfazem, no seu jogo do ganho fácil e farto, através da fraude, sustentada pela corrupção mais deslavada. A desordem alcançou o Poder Legislativo que vende aprovações de leis nocivas ao interesse público, através da mediação do próprio Presidente da República. O Progresso foi transformado em retrocesso pela perda de direitos dos trabalhadores e alienação do patrimônio público.

A “ordem” dos banqueiros está produzindo a falência do Estado e a desorganização da Sociedade. Seu “progresso” é o  retrocesso da Nação, na Cultura, na Educação, na Segurança Pública, e no desenvolvimento da economia. Gera o desemprego e a miséria da população.

A desordem espalhou-se pelo país, a partir das medidas de demolição do Estado, por iniciativa do próprio Poder Executivo, desorganizando a Administração Pública, demolindo os serviços prestados à população, e sustentando os banqueiros com metade da arrecadação da União, além de aumentar anualmente em mais de 10% a dívida pública.

Há pessoas que fazem descaso dos princípios e dos conceitos que devem nortear a vida da sociedade, como a de cada cidadão. Pensam apenas nas disputas de poder e confiam na oratória enganosa dos políticos. Esses desconsideraram as grandes mensagens que emanam dos princípios e das legendas que os representam. Mas se tivéssemos escritos na Bandeira Nacional legendas fundamentais para o bem estar e o desenvolvimento da sociedade, talvez tivéssemos uma maior consciência popular que pudessem orientar ações em defesa da Nação e da Cidadania. Imagine se no lugar de Ordem e Progresso tivéssemos as palavras PAZ E FRATERNIDADE! Fica a sugestão.

Rio de Janeiro, 30/11/2017.

06, dezembro 2017 09:48

Quem é o maior responsável por nossa tragédia nacional?

01, dezembro 2017 19:15

Por um Brasil de Paz e Fraternidade

30, novembro 2017 09:52

Saber querer