O que é o caos?


O que é o caos? Como superá-lo?

Arnaldo Mourthé

Caos é uma palavra que se encontra por todo lado. Nós mesmos a utilizamos para definir a situação de perplexidade na qual vivemos. Mas, pensando bem, o caos não existe. O caos corresponde ao abismo de antes da existência, de antes da formação do Universo. Seria o vazio, o nada. Aquilo que hoje é denominado caos, a condição em que vivemos, não pode ser o caos, o vazio. A condição existe, o caos é apenas uma fantasia. Não é correto alegar o caos para justificar uma operação para superá-lo. Essa solução só pode ser uma aberração, um defeito ou anomalia, como revela o dicionário.

Isso posto vamos à condição em que vivemos, denominada caos com o intuito de adotar pretensa solução, praticando alguma aberração. Tudo que temos assistido, na televisão, no you tube, nas diversas redes sociais e, especialmente, nos pronunciamentos soberbos de falsos profetas retratam uma condição de absoluto descumprimento das leis que regulam a realidade da vida na Natureza e de nossa vida de seres humanos. Essas leis são as físicas e as espirituais. O descalabro em que vivemos diz respeito à desobediência dessas leis, que são as únicas que são perenes. As que nos regem, que criaram e suportam a calamidade, são todas precárias e insuficientes. Por serem assim, elas são renovadas constantemente, através de mandatários dos cidadãos que os elegem. Por sua rotatividade e os descalabros que elas produzem podemos dizer que são produtos de interesses fortuitos dos mandatários e de seus tutores, e não os dos cidadãos que lhe dariam legitimidade. Elas são ilegítimas e perniciosas.

A partir dessas considerações podemos afirmar que tudo que se passa no Brasil pode ser declarado como aberração. Não é caos, pois há existência: nós existimos, assim como nosso país existe. Além de existirem os dois, povo e país, somos fortes, poderosos, a ponto de tentarem nos enganar para nos dominar enquanto povo, e espoliar o País e nós mesmos. Não poderiam nos afrontar às claras. As leis dos legisladores, especialmente as reformas constitucionais, são para nos desorganizar, dando-nos a impressão de estarmos vivendo o “caos”. Isso é mentira, porque literalmente o caos não existe. Existe sim uma realidade criada por aqueles que dominam o Brasil há mais de quinhentos anos. Essa realidade já não satisfaz à ambição desmedida dos que estão nos dominando agora e que querem perpetuar nossa dominação tornando-a mais cruel do que tem sido.

Todas as Leis do governo Temer e todas as reformas constitucionais e leis subsequentes produzidas nos governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma, para endividar o país e alienar nosso patrimônio, foram obra do capital financeiro internacional, que tem como objetivo dominar o Brasil e usá-lo no seu projeto de dominar o restante do mundo. Esse projeto é um fracasso, pois o sistema financeiro internacional já entrou em colapso. Entretanto ele ainda se sustenta pela lei da inércia, aquela que permite que o carro se movimenteem ponto morto depois que acaba a gasolina.

Mesmo assim suas ações avançam sobre nós, demolindo tudo que podem, para nos enfraquecer a ponto de permitir-lhes tomar conta do Brasil. Já estamos vivendo cada dia com mais dificuldades em consequência de suas políticas de retiradas de nossos direitos de cidadania. Redução de nosso poder aquisitivo e salários, hoje já sem a proteção das leis trabalhistas, e pressionados pelos milhões de desempregados que aceitam condições humilhantes de trabalho. Esse massacre visa nos enfraquecer para que eles possam nos dominar.

Mas isso é apenas parte da sua ação deletéria. Ela é mais poderosa no seu aspecto psicológico, através da desinformação. Para isso eles dominam a grande mídia, encarregada de distorcer as informações que chegam a nós, ministrar-nos a anticultura, através da introdução de outros valores culturais, visando sempre nossa dominação. Esse é um processo de alienação que nos imobiliza pela ignorância da realidade, substituída por ilusões que nos são inoculadas 24 horas por dia.

A última manobra dessa ação macabra é a de supervalorizar o “crime organizado” nas favelas do Rio de Janeiro, envolvendo as Forças Armadas que, no cumprimento dessa missão perversa, conflitam com a população de trabalhadores que habitam as comunidades carentes, criando situações de desrespeito aos direitos dos cidadãos, que todos são, e expondo seus jovens soldados ao escárnio da população, como revelado em vídeo de crianças a desafiá-los.

Temer, no seu tresloucado governo, criou um quadro de conflito social cujo potencial é muitas vezes mais preocupante que o fantasma dos traficantes. Esses só existem, porque existem fornecedores de drogas e armamentos, que não brotam no chão da favela, nem no território nacional. Os dois vêm de fora. Do crime organizado em um mundo dominado pelo capital financeiro. Aí está a fonte desse crime organizado dos pobres que não encontraram outra forma de sobreviver, um trabalho para gerar os recursos necessário à sua sobrevivência e de sua família. Onde está o verdadeiro crime organizado eu já revelei em artigo anterior. Ele está em Brasília, na Praça dos Três Poderes, e tem sua sede principal na Wall Street, em Nova York.

Essa ação nefasta da intervenção está tentando ressuscitar a facção ultradireitista que nos trouxe a ditadura, de triste memória, matriz remota do governo das trevas de Michel Temer. Cidadãos! Não aceitem a versão da necessidade da intervenção das Forças Armadas na segurança do Rio de Janeiro. Essa é uma manobra nefasta para destruir nossa capacidade de nos defendermos contra a ocupação definitiva, porque já o é em grande parte, do Brasil. As Forças Armadas têm outra função, de grande nobreza, que é a defesa da soberania nacional e dos direitos dos cidadãos. Elas não devem ser desviadas de sua missão, para tornar-se polícia e conflitar com os cidadãos. Defendamos nossa cidadania e nossa soberania. Para isso precisamos respeitar a verdadeira e honrosa missão das Forças Armadas. Não à irresponsabilidade. Não à submissão da nossa Pátria.

Rio de Janeiro, 26/02/2018.

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