Falta abrir a caixa-preta do Bacen=Copom


Falta agora abrir a caixa-preta do Bacen-Copom

Arnaldo Mourthé

A Sociedade e a Nação estão doentes. Os escândalos de ontem, somados a todos os outros já apurados e ainda em investigação, evidenciam isso. O sintoma maior dessa doença é a corrupção. Esse é o diagnóstico de nossos clínicos, jornalista, comentarista, e ditos cientistas políticos, além de ser um sentimento geral. E estão todos corretos. Mas de onde vem essa doença, a corrupção?

Os médicos que praticam a clínica geral diagnosticam as doenças por sintomas. Cada doença produz uma reação orgânica característica, mas pode ser provocada por mais de um agente capaz de produzir no nosso organismo os mesmos sintomas. Quando isso ocorre, a medicina conta com outros recursos além de observação direta do paciente. São eles os exames laboratoriais e a visualização do interior do corpo humano através da tecnologia do raio X, do ultra som, ou da radiografia computadorizada. São muitos os casos que só podem ser diagnosticados com esses recursos de alta tecnologia.

A corrupção tem seus sintomas e seus agentes. Os sintomas são às vezes aparentes, luxo, casas suntuosas, barcos e outras propriedades incompatíveis com a renda da pessoa. Pode ser também favorecimento de pessoas físicas ou jurídicas por parte do poder público. Este é o que mais ocorre nos casos de corrupção que estão sendo revelados. A origem do dinheiro da corrupção, que pode também existir sem dinheiro aparente, como favores a empresas com isenção de tributos, etc.

O fato mais recente revelado pelos proprietários da JBS, uma das maiores empresas do Brasil, e que se espalha pelo mundo, vendendo seus produtos para dezenas de países e com fábricas no exterior, cinquenta delas só nos Estados Unidos, é um sintoma de corrupção revelador.

A JBS faz parte de um setor empresarial que mais cresce no país, o agro negócio. Mas sua produção é mais voltada para a exportação, como a das grandes empresas do setor. Elas recebem do governo benesses desconhecidas pela população, como isenções fiscais e farto financiamento privilegiado. No caso do JBS sua principal fonte de financiamento é o BNDES.

Isso se viu em outros inquéritos da Lava Jato como, por exemplo, os da Odebrecht e do Eike Batista, mas também da indústria automobilística e outras, mesmo sendo de capital estrangeiro. Observe-se que o epicentro da corrupção se situa na Petrobrás que, apesar de ser controlada pelo Estado, tem suas ações na Bolsa de Nova York, e vem sendo assediada pelas grandes petrolíferas que querem, não apenas o Pré-sal que esta descobriu, mas sua desnacionalização.

Se juntarmos todas as informações dos exames para o diagnóstico da causa de nossa doença, a corrupção, e todos os transtornos que ela causa no nosso organismo, a Nação. Vamos diagnosticar a causa dela, o capital estrangeiro, em especial o capital financeiro internacional. Há o interesse comum dos investidores, e seus bancos, em dominar nossa economia. Se observarmos com atenção verificamos que toda ela, nossa economia, está voltada não apenas para satisfazer as necessidades internas de nossa população, mas para a exportação de riquezas do Brasil para os centros financeiros do mundo.

Qual o papel principal da indústria automobilística, das mineradoras e de muitas outras empresas estrangeiras sediadas no Brasil. Certamente não é atender às nossas necessidades internas, mas explorar uma mão de obra barata, para obter altos lucros que podem ser enviados para o exterior. Mas para isso é precisa exportar, para criar divisas que permitirão a exportação de seus lucros. Isto é, com a exportação de automóveis que elas fazem a transferência de riqueza criada no país para fora dele, para as metrópoles onde estão suas sedes. O agro negócio de exportação e as mineradoras têm o mesmo objetivo: produzir divisas que são transferidas para o exterior, sob a forma de lucro e de juros, obtidos através da produção, como é o caso da indústria automobilística, da especulação financeira sob diversas formas, e, o mais substancial, os juros exorbitantes de nossa dívida pública.

Há aquela história de se saber que bicho era aquele que saía do rio e tinha boca e dentes de jacaré, couro de jacaré, olho de jacaré e rabo de jacaré? Poderia ser um peixe? Não, é jacaré mesmo. Assim é a causa de nossa doença. Muitas questões podem ser avocadas para explicá-las. É isso que fazem economistas, políticos, jornalistas, responsáveis pela formação da opinião pública. Difundem uma “teoria” confusa para enganar as pessoas, falando de necessidade de investimentos, das reformas trabalhistas e previdenciária, de corte nos gastos públicos que atingem a saúde, a educação, os sistemas de transportes, a segurança pública e impõem ao nosso povo os maiores sacrifícios para superar uma crise que não foi resultado dessas alegações, mas de uma brutal espoliação e da desinformação das pessoas, para que elas possam aceitar pacificamente sua tragédia cotidiana.

Se quisermos recuperar nossa saúde temos de combater nossa doença. Chamem-na como quiserem: corrupção, crise, incompetência, irresponsabilidades de homens públicos. Diagnosticada como o fizemos acima, precisamos ministrar os medicamentos corretos. Para isso é preciso uma investigação mais minuciosa. Precisamos saber quais os micróbios e como eles nos atingiram. Tudo indica que encontraremos a resposta abrindo a caixa preta do Bacen-Copom. É lá que está o principal foco da doença. É ali que o remédio deve ser aplicado para sua eficácia.

Rio de Janeiro, 18/5/2017.

 

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